Gestão da Recarga de Aquíferos

Poços horizontais e nascentes são muitas vezes utilizados como fontes de abastecimento de água em zonas de montanha da Península Ibérica e da bacia do Mediterrâneo. As nascentes podem até ter uma importância cultural e social adicional na população local. Estes pontos de água são fáceis de manter, requerem pouca experiência e têm uma exploração com poucos custos (sem energia necessária), mas são extremamente vulneráveis ao nível da qualidade da qualidade da água e tendem a sofrer variações sazonais de caudal.

Assim, os sistemas que incluem este tipo de estruturas tendem a incluir também algumas fontes de água convencionais para situações de emergência, cuja manutenção era, muitas vezes, escassa. As estruturas mais semelhantes àquelas previstas no projeto SOWAMO são as desenvolvidas na Serra Nevada, durante o período árabe, ou as dos Incas, no Peru, onde a água era infiltrada através de um sistema de canais para aumentar a produtividade no verão. No entanto, essas obras terão sido feitas com base no método “tentativa e erro” e sem apoio em estudos hidrogeológicos.

De acordo com as últimas projeções do IPCC, as temperaturas médias devem aumentar de 3,5°C até o final do século e a precipitação pode diminuir, em média, mais de 10%, havendo lugar a eventos de precipitação de maior intensidade, e a fenómenos mais longos de seca meteorológica para maior parte da região Sul do Mediterrâneo, que terá de enfrentar o desafio de gerenciar de forma holística os seus recursos hídricos em condições de crescente escassez e preocupação com a qualidade da água. Esta mudança na disponibilidade de água doce em quantidade e qualidade pode ser um dos principais fatores limitantes para o desenvolvimento socioeconómico.

Com a utilização de estratégias inovadoras de gestão da água, tais como sistemas de recarga artificial de aquíferos (MAR) é possível armazenar água no reservatório geológico e fazer uso da sua capacidade de transmissão para armazenar água eficazmente noperíodo de maior pluviosidade e captá-la nos períodos de maior carência. Isto iria melhorar grandemente a capacidade de resiliência do sistema, da sua segurança e diminuir o custo de exploração da água.
Os projetos de Recarga Artificial são, agora, comuns em todo o mundo, e até mesmo ao longo da história (Al-Andaluzia, Incas). No entanto, especialmente na Europa, apesar de haver recursos financeiros já alocados para este assunto (por exemplo GABARDINE (FP6), RECLAIMWATER (FP6), DINA-MAR (INTERREG) e o facto de haver um bom conhecimento científico, a implementação dos sistemas de recarga ainda está na esfera científica / investigação. A maioria dos projetos foram realizados em aquíferos sedimentares porosos, devido às características isotrópicas do sistema, bem como à maior facilidade de modelação.

Este projeto vai para além do estado da arte nos seguintes aspetos:

  • a) Reúne uma abordagem multidisciplinar para gerir a água juntando investigações hidrogeológicas com a gestão da vertente da biologia e da floresta e turismo;
  • b) Atua em poços horizontais e verticais já existentes;
  • c) O local de recarga é definido de acordo com os locais de exploração de água;
  • d) Irá ocorrer em aquíferos fraturados;
  • e) Os modelos matemáticos para simular o impacto da Recarga Artificial no aquífero serão feitos sob o ponto de vista hidrodinâmico e hidroquímico.
  • f) Análise de mercado desta solução quando comparada com outras soluções tradicionais (tais como novos poços verticais e reservatórios de superfície);
  • g) Sugerido por uma PME privada, da área da Hidrogeologia, com a finalidade de exploração depois do término do projeto neste município, tendo ainda espaço para a investigação científica nas áreas de biologia, hidrologia, geologia, hidrogeologia e meio ambiente;
  • h) Promoverá diretrizes para a implementação de sistemas de recarga artificial similares em meios montanhosos e aquíferos fraturados.