Imprimir esta página
29
abril

Baleeiro - O Rochedo do Mar em exibição na Biblioteca Pública da Horta

Escrito por  Tatiana Meirinho
Publicado em Cultura
Baleeiro – O Rochedo do Mar é a exposição fotográfica de Jorge Barros que está patente ao público até dia 11 de maio na Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça. A exposição fotográfica contempla um conjunto de retratos fotográficos/testemunhos de vida de antigos baleeiros do Pico e do Faial. 
Jorge Barros é natural de Alcobaça mas cedo se apaixonou pelos Açores, pelas suas gentes e tradições, nomeadamente a baleação e os protagonistas desta profissão perigosa, mas que durante muitos anos foram o sustento de muitas famílias picarotas e faialenses. 
Jorge Barros explicou ao Tribuna das Ilhas que esta exposição começou este trabalho fotográfico começou em 2011, quando foi convidada para interpretar fotograficamente a edição de 2012 do livro sobre os Açores “ Ilhas Desconhecidas” de Raul Brandão, livro escrito em 1924.
 Um capítulo do livro era dedicado à caça da baleia, Jorge Barros ficou encantado pela descrição que Raúl Brandão faz da caça à baleia e repensou várias vezes com o interpretar fotograficamente a faina baleeira, numa das suas visitas à cidade da Horta foi ao museu de Scrimshaw do Peter Café Sport e inspirou-se na gravuras do marfim, vendo a possibilidade de criar uma espécie de banda desenhada desde a vigia à baleia à fuga das pessoas dos campos agrícolas para ir à baleia.
Ainda assim o fotógrafo disse que não estava satisfeito por contar apenas a história e explicou “ faltava o lado humano, visual, fotográfico para além das fotografias que fiz da construção da história”. Jorge Barros foi à ilha do Pico entrou em contacto com o diretor do Museu dos Baleeiros que lhe indicou onde paravam os antigos baleeiros do Pico, dirigiu-se à Ribeira de Santa Cruz do Pico, onde geralmente os antigos baleeiros se juntam para jogar ao dominó, na Casa do Bote. 
Quando chegou à Casa do Bote, Jorge Barros, explica que percebeu que estavam juntos sete antigos baleeiros, e que fora da casa dos baleeiros havia um muro com sete bancos, com o texto de Raúl Brandão presente na memória e até recitou “ são sete, dominados pela ação, trespassados pelo ar e por este cheiro que pentra pela boca e pelos poros, gerador de energia- é um ser único, só nervos e vontade, à caça do monstro que seduz”, e explica foi nessa altura que disse “ parem o jogo, tenho que fazer uma fotografia de vocês ali sentados” e foi uma grande coincidência sentaram-se tomando os lugares que ocupavam nos botes. 
Depois desta fotografia Jorge Barros pediu para fotografar os rostos dos baleeiros, apesar de saber que não iria utilizar no livro, mas entusiasmou-se continuando este trabalho. A exposição agora patente surgiu por coincidência. 
Jorge Barros disse que há três anos foi contatado pelo Instituto Açoriano de Cultura (IAC) questionou-o para saber se tinha alguma exposição prevista e que o IAC pudesse fazer itinerância, e o fotógrafo disse, na altura que “ tenho um acervo de dez rostos de velhos baleeiros que fotografei e é possível fazer uma exposição com isso”. 
A primeira exposição foi no Museu do Vinhos, nos Biscoitos da ilha Terceira, mais tarde, em agosto de 2015 esteve no Corvo. Quando o IAC informou Jorge Barros que a exposição viria para Horta o fotógrafo pensou “ na Horta não vou fazer uma exposição só com elementos da ilha do Pico, tenho que fotografas os velhos baleeiros Faial”. 
O fotógrafo veio em outubro à Horta e fotografou os vários antigos baleeiros do Faial que juntou às fotografias que já tinha, e resultou na atual exposição patente na biblioteca pública da Horta. 
Lido 380 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários