O livro A Ilha do Faial na Logística da Frota Baleeira Americana no “século Dabney”, de Ricardo Madruga da Costa, trata, de acordo com o autor, da importância que os Açores, mais concretamente o Porto da Horta, tiveram na operação da Frota Baleeira Americana.
O lançamento desta obra decorreu no final da passada semana, nas instalações da antiga Fábrica da Baleia, em Porto Pim e resulta de uma edição conjunta do Centro de História e Além Mar (CHAM) e do Observatório do Mar dos Açores (OMA). A capa da obra, impressa pela Nova Gráfica, é da autoria da arquitecta Inês Cunha.
A apresentação do livro foi da responsabilidade de Avelino Freitas Menezes, investigador do Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores e antigo Reitor desta instituição.

No que diz respeito ao tema do livro, o autor considera que “é um assunto que tem sido muito pouco explorado”. Ricardo Madruga da Costa revela que os faialenses têm na memória que pelo Porto da Horta passavam muitos navios da Frota Baleeira Americana, no entanto pouco se conhece sobre “a verdadeira dimensão dessa participação e do contributo que os açorianos, em particular das Flores, do Pico e do Faial, tiveram nessas escalas”.
Para o historiador, lamentavelmente “as obras de autores norte-americanos e anglo-saxónicos que se dedicam aos temas da baleia nunca salientaram com a devida relevância o contributo dos portugueses, que foram açorianos e cabo-verdianos, para o desenvolvimento da actividade baleeira nos Estados Unidos”. Ora, é precisamente esse contributo que este livro procura dar, graças a uma exaustiva pesquisa do autor, que se muniu de documentação e de “fontes primárias e confiáveis”.
Ricardo Madruga da Costa teve especial atenção à escrita, de forma a abranger o maior leque possível de público, e não só os historiadores, cientistas e investigadores: “este é um livro de história, mas também é um livro de histórias, em que tive a preocupação de o escrever de forma a ser, também, atractivo a um público mais alargado”, explica.
De acordo com o autor, este livro é igualmente uma “tentativa de chamar a atenção para uma um aspecto da baleação que não é muito muitas vezes revelado”, na medida em que considera que “têm havido contributos muito interessantes” para o estudo da baleação, que no entanto dedicam muito à “nossa baleação costeira tradicional, que resultou de uma aprendizagem que vem da história da baleação americana, através da participação que os açorianos tiveram nela”.
No seu entender, “este livro dá uma nota da nossa vocação de universalidade, de nos espalharmos por esse mundo”.
Filipe Porteiro, responsável pelo OMA, fez as honras da casa, e explicou aos presentes que a ideia de editar este livro surgiu após o autor lhe ter confidenciado que estava a escrever uma obra sobre baleação. Porteiro “lançou a isca”, e iniciaram-se então os contactos para a publicação da obra.
“O OMA tem feito um esforço muito grande em inventariar todos os restos que existem desta actividade histórica dos Açores”, disse Porteiro, salientando que, por isso, já existe alguma bibliografia editada. Este é o quarto livro sobre esta temática lançado pelo OMA.
Ricardo Madruga da Costa tem-se dedicado à história da estratégia dos Açores no Atlântico Norte nomeadamente nas relações entre a Região e os Estados Unidos. Esta obra debruça-se igualmente sobre essas relações e a sua execução obrigou o autor a permanecer cerca de dois meses no Museu de New Bedford.