O Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo recebeu no passado fim-de-semana o primeiro Congresso Internacional de Folclore, organizado pelo COFIT (Comité Organizador de Festivais Internacionais da Terceira) e pelo Grupo Folclórico da Casa do Povo de São Bartolomeu. Em análise estiveram as semelhanças e diferenças no folclore das várias regiões que compõem a Macaronésia.
Nas conclusões deste congresso, que tiveram como relator Victor Rui Dores, explica-se que o objectivo principal da iniciativa é “a salvaguarda da cultura tradicional e popular, promovendo o debate e a reflexão sobre o Folclore dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias, nas suas diferenças e semelhanças”.
Em análise estiveram temas como as origens e o desenvolvimento do Folclore da Macaronésia, o Traje, as sonoridades e melodias que distinguem o ”ser ilhéu” e as características e execução dos instrumentos de cordas.
Das conclusões, destaque para o reconhecimento da riqueza e da diversidade nos folclores de Açores, Madeira e Canárias, que “devem ser adequadamente acarinhados e divulgados”. Nesse sentido, o congresso entendeu que se deve apelar à comunicação social “para uma melhor e mais eficaz cobertura das manifestações de cultura popular”. Apesar da diversidade, os participantes encontram alguma unidade no folclore das três regiões, “que se prende com a consciência da identidade atlântica dos Açores, Madeira e Canárias.”
O traje também mereceu atenção dos participantes, que consideram que há “um conjunto de normas” respeitantes à sua confecção, manuseamento e conservação que não podem ser descuradas. “Preservar um traje é ter a consciência de que ele é um elemento da nossa identidade”, entendem, acrescentando que “qualquer manifestação pública da prática de divulgação do folclore deve revestir-se de qualidade, autenticidade e rigor, pelo que devem as instituições promotoras garantir esses preceitos”.
Deste congresso saiu também um apelo à “interacção dos estabelecimentos de ensino com a cultura tradicional” bem como à utilização das novas tecnologias da informação “para a partilha de conhecimentos e para um desejado exercício de interdisciplinaridade, que muito contribuirá para uma maior salvaguarda e para uma mais conseguida revitalização das tradições culturais”.
A viola da terra, também conhecida por viola de arame ou viola de dois corações, foi evidenciada como “um importante património musical que urge preservar e necessário se torna incentivar a sua construção”.