Ruben Rodrigues apresentou na Biblioteca da Horta, na noite de ontem, o seu mais recente livro, que integra um conjunto de duas obras a que o autor chama “Ilha do Fayal –Século XX – Nótulas Históricas sobre as suas principais crises sísmicas”. Esta obra, que constitui o primeiro volume deste conjunto, recorda o sismo de 1926.
Coube a Fernando Menezes apresentar o autor da obra. O presidente da Assembleia Municipal da Horta referiu-se a Ruben Rodrigues como sendo um “homem de cultura, de personalidade interveniente” e “sempre preocupado com a comunidade em que se insere.
Quanto à obra propriamente dita, foi o próprio autor a tecer algumas considerações sobre ela. “Na vida temos a obrigação de sermos úteis a nós próprios, à nossa família e à sociedade”, disse, frisando que, não sendo historiador, pretendeu neste livro recolher um conjunto de informações que possam servir de base de trabalho aos investigadores que se queiram debruçar sobre este assunto.
Neste trabalho de recolha, Ruben Rodrigues teve especial preocupação em reproduzir os decretos-lei que foram aprovados naquela altura. O autor revelou ainda a sua intenção de fazer o mesmo no segundo volume, onde abordará os sismos de 1957, 1973 e 1998, “para que se possa observar como se comportavam os governos”.
A principal fonte deste livro foi o jornal “A Democracia”, pois Ruben Rodrigues quis mostrar a visão que o seu diretor, Vicente Arouca, defendia para o urbanismo da cidade da Horta. Tendo isto em conta, o autor convidou para esta apresentação pública o arquiteto Arnaldo Raposo, bem como o seu neto, Ruben Ávila, engenheiro civil.
Coube a Arnaldo Raposo explicar ao público a visão de Vicente Arouca para a cidade, bastante visionária para a época, já que previa um traçado composto por seis avenidas, uma onde hoje é a Marginal e outra na zona onde se pretende implantar a segunda fase da variante, unidas por outras quatro avenidas a ligar a zona baixa à zona alta da cidade. Tratava-se, como explicou o arquiteto, de um modelo inspirado no urbanismo francês do século XIX que, se tivesse sido concretizado, nos permitiria ter hoje uma cidade “razoavelmente estruturada” e com um bom escoamento de trânsito. O arquiteto frisou, no entanto, que este modelo poderia também ter levantado alguns problemas, já que é uma malha típica de zonas plana que poderia ser difícil de implementar numa cidade em anfiteatro como a Horta.
Ruben Ávila abordou essencialmente as diferenças na tipologia das casas antes e depois do sismo, destacando as alterações introduzidas na estrutura das habitações durante a reconstrução, como por exemplo a utilização de betão armado.
Com 79 anos, Ruben Rodrigues tem vários projetos para concluir. O autor de Nascido do Magma e O Professor quer agora concluir o projeto que inclui esta nova obra, bem como publicar a continuação de Nascido do Magma, América! Utopia e Realidade.