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14
agosto

Les Sables/Les Açores/Les Sables larga hoje de regresso à França

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Publicado em Desporto

Esta tarde, às 18h00, larga da Horta com destino à cidade francesa de Sables D’Olonne a segunda etapa da regata Les Sables/Les Açores/Les Sables, disputada em barcos da classe Mini, de 6,5 metros, e em solitário.

Depois do desafio que consistiu a primeira etapa, devido às condições meteorológicas bastante adversas, os velejadores vão agora percorrer novamente as 1270 milhas náuticas até França.

No jantar de entrega de prémios relativos à primeira etapa, que decorreu no passado domingo, ficou claro o entusiasmo dos participantes em relação a esta regata que, na sua quarta edição, assume uma posição cada vez mais sólida no mundo da vela, o que deixa antever a possibilidade do Faial crescer ainda mais enquanto destino de provas oceânicas. Para tal, no entanto, a ilha precisa de uma Marina maior.

Dos 38 barcos que partiram de Sables d’Olonne no passado dia 29 de Julho, 29 chegaram ao Faial. Ventos inconstantes em direcção e intensidade fizeram a vida negra aos velejadores, que demoraram bastante tempo a chegar ao Faial. O primeiro a concluir a etapa chegou ao Faial no final da tarde de terça-feira, 7 de Agosto, e o último entrou na baía da Horta na madrugada do passado sábado.

A entrega dos prémios desta primeira etapa decorreu na rampa da antiga Fábrica da Baleia de Porto Pim, espaço simbólico da relação entre os faialenses e o mar. Nos barcos de série, o primeiro classificado foi Justine Mettraux, com o barco “TeamWork”, que partilhou o pódio com Aymeric Belloir, aos comandos de “Tout le monde chante contre le Cancer”, e Ian Lipinski, com Althing. Já nos protótipos, Aymeric Chappellier, com “La Tortue de L'aquarium la Rochelle”, foi o primeiro classificado, tendo mesmo sido o primeiro barco a chegar ao Faial. Ainda nos protótipos, o segundo lugar foi para Giancarlo Pedote, a bordo de “Prysmian” e o terceiro para Milan Kolacek, com “Follow Me”.

Nesta prova participam velejadores franceses, belgas, italianos, suíços, húngaros, checos, neozelandeses, australianos, ingleses, turcos e alemães. Em comum têm a satisfação pela forma como a regata está a correr, apesar das dificuldades, e o agrado pelo acolhimento que receberam no Faial.

Sables D’Olonne e Horta têm muito que aprender uma com a outra

Quem o diz é Stéphane Tournade, vereador da Câmara Municipal de Sables. Para o autarca, o facto da sua cidade ter uma grande experiência na organização de eventos náuticos (é de Sables, por exemplo, que parte a Vendée Globe, uma das mais prestigiadas regatas a nível internacional), faz com que tenha muita coisa para ensinar ao Faial, que começa agora a dar os primeiros passos sólidos nesta área. No entanto, sublinha, Sables d’Olonne também tem muito que aprender com o Faial. Essa aprendizagem, explica, está relacionada com a observação de como funciona a equipa da Marina da Horta, liderada por Armando Castro. Stéphane não poupa elogios à eficiência da equipa faialense na recepção de velejadores de todo o mundo, durante o ano inteiro, seja de dia ou de noite. Para além desta eficiência, o vereador entende também que a hospitalidade que os homens do mar encontram no Faial é singular.

Também o presidente da Câmara Municipal da Horta está satisfeito com a consolidação da relação de amizade com Sables d’Olonne. João Castro entende que o sucesso desta regata é um reflexo da capacidade que a ilha tem de potenciar esta vertente da economia do mar, relacionada com os eventos náuticos. Lembrando que esta regata é um dos maiores eventos náuticos realizados em Portugal, o autarca destaca o trabalho conjunto que tem sido feito por várias entidades para potenciar a vocação náutica da cidade da Horta.

Mais condições podem significar mais regatas

De acordo com Armando Castro, responsável pela Marina da Horta, o interesse pelo Faial no âmbito das regatas oceânicas é crescente, e têm havido vários contactos de outras classes para a possibilidade de realização de provas que passem por aqui. O potencial da ilha é grande e, com as condições adequadas, poderia despertar o interesse das classes de 60 pés ou dos multicascos de 50 pés. No entanto, numa Marina de reduzidas dimensões que sofre de sobrelotação crónica há vários anos, é impossível sequer equacionar essa possibilidade. 

Com a localização geoestratégica do Faial, a hospitalidade das suas gentes, tão elogiada pelos velejadores, e a eficiência dos recursos humanos ligados à sua Marina, por diversas vezes reconhecida, fica a faltar a melhoria das infra-estruturas para que se possam dar passos mais ambiciosos para fazer do Faial uma referência da vela oceânica internacional.

 

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