Imprimir esta página
08
outubro

Mário Lino: “O Fayal Sport foi a minha escola primária”

Escrito por  Marla Pinheiro
Publicado em Desporto

No início da década de 50, Mário Lino era um adolescente de 13 anos que gostava de passar o tempo livre a dar toques na bola nas peladas com os amigos. Foi precisamente a uma dessas peladas que o foram buscar para substituir um jogador em falta na equipa de Juniores do Fayal Sport. Mário Lino começou a jogar de verde e branco e nunca conheceu outras cores. Do Fayal partiu para o Lusitânia, na Terceira, e daí para o Sporting de Portugal, equipa onde conquistou vários títulos, primeiro enquanto jogador e depois como treinador. Aos 75 anos, continua a ter um coração verde, que bate de forma especial quando visita a ilha Azul e recorda os lugares da sua juventude. Mário Lino esteve no Faial para participar no I Encontro de Imigrantes do Desporto Açoriano, onde falou aos jovens desportistas da sua carreira. Ao Tribuna das Ilhas, falou das recordações, da experiência de deixar a ilha à procura de um futuro melhor e também da actualidade desportiva.

 

Mário Goulart Lino nasceu na Horta, a 9 de Janeiro de 1937. Numa família de futebolistas, com irmãos e cunhados espalhados por Sporting da Horta, Atlético e Fayal Sport, a escolha pelo clube da Alagoa fez-se com naturalidade já que, como diz, era o que ficava mais perto da sua casa e cresceu a brincar naquela zona. Orgulha-se de ter participado, como tantos sócios e simpatizantes dos Verdes, na construção do estádio, tendo até ajudado a plantar algumas árvores que ainda hoje lá existem.

A sua qualidade enquanto jogador levou-o a deixar a família e partir rumo à Terceira, para ingressar as fileiras do Lusitânia. Aí, deu nas vistas e despertou o interesse dos clubes do continente. Com 21 anos, o defesa direito integrou o plantel do Sporting Clube de Portugal.

Dono de um sorriso fácil, Mário Lino não se faz rogado quando lhe perguntamos sobre as memórias do passado. Com humildade, hesita na resposta à pergunta sobre as suas qualidades enquanto futebolista: “a minha carreira diz que não era mau jogador”, revela. No entanto, a carreira de Mário Lino diz muito mais que isso. Como refere a sua biografia no site do Sporting, o faialense foi “um caso raro no seu tempo”. Se hoje é fácil encontrarmos defesas-direitos que fazem com naturalidade o corredor direito do rectângulo de jogo e são capazes de alimentar a manobra ofensiva das equipas, há 50 anos isso não era comum. O facto de apresentar essas características fez com que Mário Lino se destacasse no futebol nacional. Lino foi, se quisermos, um jogador à frente do seu tempo.  

Enquanto jogador, foi por duas vezes campeão nacional pelo Sporting (em 1961/1962 e 1964/1965), ganhou a Taça de Portugal na época 1962/1963 e a Taça dos Vencedores das Taças na época seguinte. Foi por seis vezes chamado à Selecção Nacional.

Quando terminou a sua carreira de futebolista, continuou a alimentar a paixão pelo futebol noutras funções: assumiu o comando técnico da equipa do Sporting e conduziu os leões à conquista do campeonato nacional na época 1973/1974. Como treinador, chegou ainda às meias-finais da Taça dos Vencedores das Taças, com a equipa portuguesa a ser eliminada pelos alemães do Magdeburgo, clube que acabou por ganhar a competição. Depois disso, esteve vários anos ausente de Alvalade, regressando em 1991para ocupar o cargo de Secretário Técnico, com funções de supervisão e coordenação do Futebol Juvenil, tendo acompanhado a evolução da formação leonina até à sua reforma.

Apesar de ter chegado ao topo do futebol nacional, Mário Lino não esquece as suas origens: “o Fayal Sport foi a minha escola primária, o Lusitânia o liceu e o Sporting a universidade”, refere. Confessa que o coração lhe bate de forma diferente quando passa pela Alagoa, local que não dispensa visitar quando está no Faial.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 12.10.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário



 
Lido 487 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários