Imprimir esta página
17
abril

Sessão de esclarecimento sobre OSP’s - “O Triângulo precisa de ter uma gateway forte”

Escrito por  AG
Publicado em Local

A cidade da Horta recebeu, a 16 de abril, uma das sessões promovidas pelo grupo parlamentar do PS que servem para explicar à população açoriana o novo modelo de Obrigações de Serviço Público (OSP’s) dos transportes aéreos entre Açores, Portugal continental e Madeira. O secretário regional do Turismo e Transportes, Vítor Fraga e Carlos Morais, empresário turístico faialense, foram os oradores designados para esta sessão que teve Lúcio Rodrigues, deputado do PS/Açores, como moderador. Cerca de 80 residentes encheram parte considerável da sala de reuniões do Faial Resort Hotel.

Carlos Morais lembrou na sua intervenção o historial da TAP na rota Lisboa-Horta-Lisboa ao longo dos últimos 30 anos, com os sucessivos aumentos no número de frequências e de quantidade de lugares disponibilizados, revelando no entanto dados que mostram um decréscimo ao nível de passageiros, menos sete mil por ano, quando comparados 2005 e 2014, o que corresponde a um total 35 mil viajantes neste último. Em sentido inverso, a gateway do Pico cresceu, passando de 2600 passageiros por ano para cerca de 6000.

“O Triângulo precisa de ter uma gateway forte”, não apenas no mercado nacional mas também no europeu, exigiu Morais, considerando que perante o novo modelo de OSP’s a ilha do Faial sai prejudicada. Exemplo disso é a redução do número de frequências, apesar de reconhecer o incremento do número de lugares por voo, e o que diz ser uma incapacidade operacional da SATA, que conta nas suas fileiras apenas três A320, de repor voos no verão, caso sejam cancelados, em menos de 48 horas, devido ao elevado número de rotas que tem a cobrir. Acrescem-se ainda as possíveis dificuldades na exportação de bens “essenciais para a nossa economia” resultantes deste novo modelo e da disposição das aeronaves da SATA, podendo pôr em check o tecido empresarial faialense caso não seja convenientemente cumprido, teme Morais.

Apesar disso o empresário turístico é da opinião de que não se deve ajustar o modelo até 2016 pois isso poderia ter um efeito nefasto “para o turismo, essencial à nossa economia” pelas mudanças constantes com horários e rotas.

 Mas nem tudo é mau, e Carlos Morais enfatizou a redução dos preços das tarifas para os residentes e estudantes açorianos. No caso dos residentes o preço pedido na altura de pagamento pode ascender aos 310 euros, com taxas incluídas, valor sobre o qual são posteriormente reembolsados, recebendo o valor correspondente para que a passagem não ultrapasse os 134 euros. Os estudantes têm um teto máximo de 99 euros por viagem ida e volta, podendo, à semelhança das tarifas de residente, pagar mais no momento de compra mas havendo reembolso posterior. O reembolso é pedido nos CTT quer dos Açores quer da Madeira e do continente português, bastando apresentar a fatura comprovativa de compra da viagem, os cotos da viagem e o documento de identificação.

Destaque também para a obrigatoriedade da companhia aérea que domina a rota, a companhia aérea açoriana, ter 15% dos lugares por voo a preços promocionais.

Vítor Fraga, secretário regional do Turismo e Transportes referiu-se ao novo modelo de OSP como “a maior reforma de sempre feita ao nível das cessibilidades na região”, sendo alicerçado em três pressupostos base: o aumento da capacidade de mobilidade e acessibilidades de e para os Açores, bem como a redução do preços das tarifas.

Explicou também a liberalização de duas Gateways, Ponta Delgada e Lajes da Terceira, pela “intensidade de tráfego” que a justifica. Na política de encaminhamentos, o secretário salientou a liberdade de escolha que agora existe, com possibilidade de escolha do aeroporto de saída que mais se adeque “às suas necessidades”. Relativamente ao processo de encaminhamento indicou os balcões SATA, o site da companhia e o respetivo call center como vias possíveis para requerer explicações quanto a este.

No que se refere ao instrumento criado pelo Governo regional, o Subsídio Social de Mobilidade, o objetivo é que este cubra o pagamento do diferencial, ou seja o pago “a mais” sobre os 134, ou 99, euros na altura de compra do bilhete.

Fraga incitou os agentes dos diferentes setores a apostarem fortemente na especialização inteligente das empresas como forma de tirar o maior número de proveitos possíveis advindos do fluxo crescente de passageiros que prevê para os Açores, dando uma panóplia de sugestões de Marketing relativas à promoção e distribuição.

José Leonardo Silva, presidente da Câmara Municipal da Horta, e os seus vereadores tal como Humberto Goulart, da Câmara do Comércio e Indústria da Horta marcaram presença e fizeram chegar, mais uma vez, as suas dúvidas perante as OSP’s. Das dúvidas apontadas por José Leonardo e Humberto Goulart constaram, tal como mencionado por Carlos Morais, a capacidade de resposta da SATA em caso de cancelamento de um voo no período de verão IATA, o facto de ser a única gateway da região que perde ligações diretas com Lisboa, em que ponto fica o projeto RISE, e de que forma é feita promoção relativa aos encaminhamentos junto dos turísticas que visitam os Açores.

Do lado de Vítor Fraga foi demonstrada confiança na capacidade de resposta operacional da SATA em caso das ocasionalidades referidas e prometidos desenvolvimento profícuos para a Horta no que concerne ao projeto RISE, que melhora consideravelmente as condições de aterragem e segurança no aeroporto da Horta. Sacudindo a água do capote o governante apontou miras à TAP, dizendo que é por culpa do abandono da companhia que a ilha perdeu ligações e não por culpa no modelo em vigor desde 29 de março.

Estas e outras informações relativas às OSP’s podem ser consultadas no folheto informativo remetido a todas as residências da região.

 

Lido 794 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários