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01
agosto

Botes Baleeiros - TRADIÇÃO VIVA

Escrito por  Marla Pinheiro/FOTOS: CARLOS PINHEIRO
Publicado em Reportagem
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A visão das canoas baleeiras na baía da Horta, a cortar as ondas com uma elegância quase feminina, e uma agilidade surpreendente, com as velas imponentes içadas a desafiar o vento, é um espectáculo único, com uma carga cultural intensa, que ressuscita a época em que muitos homens açorianos se viam na necessidade de, ao comando de um foguete, largar tudo e correr para uma daquelas canoas, e ir arriscar a vida no Mar, à caça da baleia, na esperança de trazer para casa pão para a boca dos filhos no fim do dia.

Hoje, os botes baleeiros continuam a passear-se nas águas do Canal, mas agora por razões desportivas, reunindo à sua volta muitos homens e mulheres para praticar vela e remo.

A carga dos botes baleeiros é cultural, sim senhor, mas é também desportiva e turística, ou não ficassem os que nos visitam encantados com o espectáculo que estas embarcações proporcionam. Tendo tudo isto em conta, António José Freitas, responsável pela secção de Botes Baleeiros do Clube Naval da Horta (CNH), frisa que não nos devemos esquecer que os botes são património. Não estão num museu porque não é aí que pertencem. Pertencem ao mar dos Açores, onde estão vivos, levados pelas mãos dos açorianos, como sempre, mas agora por motivos diferentes.

Actualmente, a secção de Botes Baleeiros do Naval da Horta envolve cerca de 100 pessoas. Neste momento, tem duas equipas de remo feminino, três de remo masculino, e duas equipas de vela masculina.

O CNH possui dois botes, no entanto a secção pode contar com oito botes, uma vez que dela também fazem parte as Juntas de Freguesia do Faial que têm embarcações.

Neste momento, não existe um Campeonato Regional de Botes Baleeiros. José António explica que, não existindo uma entidade que faça a gestão dessa competição, esta acabou por deixar de existir. No entanto, a única coisa que desapareceu foi a palavra “campeonato”, já que as provas regionais que a integravam continuam a existir, e o responsável garante que a competição “anda animada”.

A nível regional, a secção conta com cerca de oito provas anuais. A juntar às seis provas que decorrem “em casa”, no âmbito do campeonato local, e tendo em conta que as provas só se realizam de Verão, isto representa uma actividade muito intensa.

Os sentimentos inerentes a competir dentro de um bote baleeiro são, para José António, indescritíveis, e este praticante não duvida de que a carga de tradição inerente a estas embarcações é uma das razões para tal: “tenho estado a ler o Baleia!, e acho que os baleeiros sentiam muitas coisas que nós também sentimos. Depois de experimentarmos andar de bote percebemos que não é apenas mais uma actividade náutica”, entende.

A adrenalina associada aos botes baleeiros também se reveste de características especiais, porque, tendo em conta que as embarcações são todas muito semelhantes, acabam por ser muito equilibradas entre si, ao contrário do que acontece na Vela de Cruzeiro, onde a qualidade técnica dos iates varia muito e isso influencia bastante a competição. Nos botes, a garra e as capacidades das tripulações são o que marca a grande diferença.

Além disso, José António frisa que os botes “permitem um espectáculo visual único em termos de beleza: as suas cores são muito apelativas, são embarcações esbeltas, e extremamente velozes. Tudo isto faz aumentar a adrenalina de quem está lá dentro. Andar à vela com algum vento, com botes a competir muito juntos uns dos outros, é fantástico”.

O Naval da Horta tem já um considerável palmarés na área dos botes baleeiros. No que diz respeito à vela, a cada ano o número de troféus conquistados tende a aumentar. Ganharam todas as provas no ano passado, tendo por algumas vezes conseguido fazer “o pleno” no pódio, colocando botes da secção nos três primeiros lugares.

As remadoras do CNH começam também a conseguir alguns brilharetes, aproximando-se por vezes dos lugares cimeiros. José António destaca o seu empenho, confessando que normalmente são até “mais aplicadas que os homens”.

População encantada com os botes

O carinho da população para com as canoas baleeiras sente-se com muita força durante a Semana do Mar. José António adianta que, em média, participam diariamente cerca de 60 pessoas nos passeios de bote. Segundo o responsável pela secção, proporcionar esta experiência a todos os interessados só é possível graças ao empenho de todos os praticantes, que colaboram todos os dias nesta iniciativa.

Para além dos passeios, a população pode esperar um grande espectáculo na tarde de sábado, dia 7, com a prova de botes baleeiros da Casa de Pessoal da RTP. José António refere ainda que a secção está a preparar uma surpresa para esta SM.

Património que merece ser acarinhado

José António desvaloriza o facto de não haver um Campeonato Regional, já que, como salienta, o que une as pessoas em volta dos botes não é a competição, mas sim a vontade de se juntarem, de conviverem, e de irem para o mar. “As regatas não vão certamente morrer por não existir um campeonato instituído”, garante.

Nesse sentido, está optimista em relação ao futuro da secção e da modalidade. No entanto, lembra que os botes baleeiros são, acima de tudo, património, e por isso gostava de vê-los mais acarinhados por quem de direito. “Espero que os apoios do Estado aumentem, porque os botes vivem com muita boa vontade de muitas pessoas. Os apoios para a preservação do património devem aumentar”. No caso dos botes, acresce o facto de se tratar de uma forma muito especial de manter o património. É que os botes não estão num museu, mas estão “vivos”, como frisa José António, no mar, a fazer as delícias das pessoas. “Estamos a falar de algo que é ao mesmo tempo turismo, cultura e desporto. Os botes têm uma grande abrangência nesse sentido, mas os apoios não são equivalentes a essa abrangência”, entende.

Leia a reportagem completa no ESPECIAL SEMANA DO MAR do Tribuna das Ilhas, que acompanha a edição impressa de 30.07.2010

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