Duarte Freitas acredita estarmos perante um momento de mudança de “paradigma da ação política”, um período em que se constatou que “atirar dinheiro para os problemas” não os resolveu a médio/longo prazo.
O presidente do PSD/Açores falou no encerramento da convenção do partido organizada pela Comissão Política de Ilha do Faial para debater o papel do autarca no panorama socioeconómico atual.
Perante os números que dão conta de 65% de alunos ensino obrigatório da região são beneficiários de apoios sociais, o político picoense afirmou “quando temos dois terços dos nossos alunos a necessitar de apoio de ação social é sinal de que algo vai muito mal”, acrescentando “eles estão integrados em 65% de famílias fragilizadas”. Além disso, quatro escolas de São Miguel tem mais de 90% dos seus alunos em situação de carência financeira grave, dados alarmantes que são fruto “não de termos falta de dinheiro, porque temos tido muito dinheiro, quer seja das nossas receitas próprias quer seja das transferências” da República ou da União Europeia, mas por má gestão da tutela.
“Nós vivemos a maior crise social da história da autonomia: 71% dos agregados familiares dos Açores vivem com menos de 530 euros mensais; temos uma taxa de rendimento social de inserção nos Açores superior a 7%, quando a média nacional é de 2,2%; e temos das maiores taxas de desemprego do país” afirmou Duarte Freitas, para o qual “as políticas sociais” são “ a primeira prioridade”.
O presidente do PSD/Açores lembrou, na cidade da Horta, a medida assumida pelo partido caso formem governo nas próximas legislativa regionais, “tirar 40 mil açorianos do desemprego em dez anos”. “Não é ser demasiado ambicioso, se calhar até peca pela falta de ambição, não é uma meta do PSD Açores, quero que seja sim, uma ambição da sociedade açoriana”, frisou.
“Se 71% das pessoas vivem com menos de 530 euros mensais, temos mais de 160 mil pessoas a viver fragilizadas (…) acho que os 40 mil ou 50 mil que se consigam retirar da pobreza nos Açores não é por lhes dar dinheiro, não é por lhes dar peixe, é por ensinar-lhes a pescar”, sublinhou ainda Freitas.
É segundo esta lógica, na qual o ex-eurodeputado baseia a sua visão para solucionar os problemas de liquidez atuais, o dinheiro público deve ser utilizado para promover um efetiva “criação de riqueza” e “desenvolvimento sustentável” que garanta bons resultados.
Relativamente à convenção Freitas ressalvou a importância da criação de um seminário como este, destinado à “reflexão com autarca sobre o papel social que hoje lhes é exigido nas circunstâncias difíceis que vivemos”.
Setor do leite em vésperas de “problema gravíssimo”
Num período pós-quotas leiteiras em que o alarme da preocupação soou por todo o setor do arquipélago, o presidente dos sociais democratas açorianos diz que a região se encontra “em vésperas de um problema gravíssimo na área da agricultura e dos laticínios”.
As propostas do PSD para fazer face a um desmembramento em bloco do setor prendem-se com a criação do Observatório de Leite e a colaboração com países da comunidade europeia para exigir a criação de “um mecanismo de salvaguarda para quando o preço do leite desce abaixo de um determinado nível”, caso dos custos de produção.
“Se o Governo regional tivesse ouvido o PSD/Açores e os seus representantes há muitos anos para cá a alertar para o perigo do fim das quotas leiteiras e a propor o observatório do leite e que nos juntássemos em Bruxelas, se calhar hoje em dia não estávamos a encarar estas dificuldades”, concluiu Freitas, que se assume como defensor do leite de “extraordinário qualidade” produzido nas nove ilhas do arquipélago.