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20
agosto

Preço pago ao produtor cai quatro cêntimos no Faial

Escrito por  André Goulart
Publicado em Reportagem

  O preço pago ao produtor de leite faialense, por litro produzido, caiu quatro cêntimos em quatro meses. Desde o fim das quotas leiteiras, a 1 de abril, muito se tem falado em soluções, pequenas vitórias perante a União Europeia (UE), e um sem fim de propostas mas o setor não deixa de estar numa posição de suspense. 

Segundo dados facultados pela Cooperativa Agrícola de Lacticínios do Faial (CALF) o preço pago por litro, em março, era de 0,26 cêntimos e hoje está pelos 0,22 cêntimos. Na prática, por cada 1000 litros vendidos há uma perda de 40 euros, quando comparado com março.

Da parte da direção da cooperativa desconhecem-se “quaisquer medidas governamentais para minimizar as dificuldades decorrentes da situação”, e apontam o caminho a seguir pedindo, além de apoio financeiro, “uma melhor regulamentação das condições de operacionalidade dos mercados”.

Apesar da queda reconhecida de rendimentos do produtores, José Agostinho afirma “desconheço que o fim das quotas tenha sido um fator determinante no abandono do setor, todavia temos que reconhecer que, principalmente no nosso meio, não existem muitas alternativas”.

Diariamente chegam ao Cascalho, nos Cedros, cerca de 33 mil litros de leite, valor que varia consoante a sazonalidade, de 114 produtores.

Ainda antes do desmantelamento das quotas europeias, quer a Federação Agrícola dos Açores quer a Associação de Produtores de Leite e Carne, alertaram para os problemas que poderiam advir deste processo, como a possível “invasão” de produtos lácteos produzidos em países com capacidade para aumentar a produção e ,por conseguinte,  apresentar preços mais atrativos.

Na altura, os agricultores açorianos diziam temer que a mudança se torna-se “uma tragédia para os Açores, com um impacto negativo ainda mais dramático do que a diminuição da presença americana na Base das Lajes”, e já alertavam à data que os preços pagos aos produtores atingiam o “limite do razoável”.

Jorge Rita, o presidente da federação em declarações à TSF, declarava temer uma “desertificação de muitas as ilhas” e uma possível “falência económica da região”, opinião contrastante com a emitida pelas entidades governativas.

 

Diretora regional acredita no poder do lobby açoriano na EU

A diretora regional do Desenvolvimento Rural afirmou saber que os “desafios que vivemos no setor agrícola, em especial no setor do leite, exigem responsabilidade”. 

No encerramento do seminário de Produção de Carne de Bovinos, em julho passado, Fátima Amorim analisou positivamente o lobby açoriano perante as instituições europeias, caso do Relatório do Leite, aprovado pelo Parlamento Europeu em julho , como prova de que o dito lobby “funciona e produz resultados”.

O mencionar do alegado poder persuasivo do Governo dos Açores e dos eurodeputados, perante os organismo máximos da União Europeia, foi utilizado pela diretora regional como forma de justificação da não aceitação das propostas defendidas pelo PSD/Açores, de algum tempo a esta parte, que passam pela criação de um Observatório do Leite, por exemplo. 

“Não é a criação de mais estruturas no setor do leite, sejam elas observatórios, centros ou interprofissionais, que resolve os problema da agricultura, nomeadamente o preço do leite”, afirmou Amorim.

O Relatório do Leite aprovado destaca as especificidades geográficas e do tecido empresarial da Região, além de defender um preço justo de pagamento aos produtores de leite, num período em que o fim das quotas leiteiras e o boicote da Rússia ao consumo de produtos europeus produz impactos nefastos neste setor económico.  

Serrão Santos, eurodeputado integrado na Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, em maio deste ano, demonstrou acreditar, num artigo de opinião publicado na imprensa regional, que os Açores estiveram bem representados e conseguiram-se defender durante o processo de construção do documento.

O próprio Serrão Santos foi incumbindo pelo seu grupo parlamentar de conduzir o processo,  que durou mais de oito meses.

 

Vasco Cordeiro exigiu empenho da República

Vasco Cordeiro já exigiu publicamente ao Governo de Passos Coelho e Paulo Portas “um compromisso forte e efetivo” para, perante o atual cenário, demonstrar à UE o “caráter específico e as circunstâncias especiais que este processo assume” nos Açores, arquipélago que apesar de corresponder a uma pequena percentagem do território nacional produz 30% do total de leite. 

Quanto aos jovens agricultores, o presidente do executivo açoriano considera que a contribuição exigidas pela Governo da República são vazias de sentido por os “asfixiarem”.

“Este é, e deve ser, um assunto prioritário no qual o Governo Regional tem estado empenhado e tem encetado contactos com o Governo da República, e deve ser resolvido rapidamente sob pena de estarmos a contribuir para cometermos erro histórico de penalizar novos agricultores hipotecando, por esta vida, e ,sobretudo, numa Região como a nossa, o futuro de um importante setor de atividade, que se quer robusto, competitivo e rejuvenescido”, disse Vasco Cordeiro durante o Congresso Nacional de Jovens Agricultores, no início de julho.

 

 

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