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04
fevereiro

“Os Açores são o melhor lugar do mundo”

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Publicado em Entrevistas

Como decidiu enveredar pela vida política?
Em primeiro lugar, não acredito numa vida política. Está-se na política, mas não se é político. Deve-se ser sempre outra coisa qualquer. Ter uma profissão, um talento, uma experiência, um contributo, algo que possa enriquecer os nossos pares e que possa ser potenciado e devolvido à população que nos escolhe para um serviço que deve sempre ser encarado como temporário.
No meu caso, despertei cedo para as "coisas da política" por culpa do meu pai, que, ao nível do poder local, esteve envolvido em alguns projectos que me contagiaram e lançaram a semente. Depois, entendi que devia estar disponível para a comunidade onde vivo, dando o meu contributo através do partido político com cuja ideologia melhor me identifico.
Quando acabar este percurso público, voltarei à Medicina Veterinária e à clínica de bovinos de leite, à minha profissão que me deu todas as oportunidades e abriu portas, e onde me sinto muito bem e julgo ser competente.

Quais são os objetivos que traçou para esta legislatura?
Os objectivos são os mesmos da legislatura anterior: dar o meu melhor no mandato que o povo decidiu que eu deveria ter, que é o de fazer oposição. Acredito que essa boa oposição se faz em primeiro lugar pela apresentação de alternativas, mas também pela denúncia das irregularidades e dos problemas, bem como pela fiscalização da governação. Tudo isso deve ser feito sem medo, com convicções fortes e trabalhando muito.

Que análise faz aos Açores?
Continuo a acreditar que os Açores são o melhor lugar do mundo. Estão cheios de problemas, é certo, mas são um lugar muito especial. No entanto, acho que é mais do que tempo de mudar a forma como se interpretam e se abordam as dificuldades de cada uma das 9 ilhas e também do todo da Região. Há que encontrar um novo modelo de desenvolvimento baseado, em primeiro lugar, na criação de riqueza, para depois se poder redistribuir de acordo com as necessidades do todo e das 9 parcelas e da cada um dos seus habitantes. A Região nunca conseguiu juntar à Autonomia Administrativa, uma "Autonomia Financeira" que liberte as ilhas e a população dos vícios da subsidiação e da dependência, do exterior ou dos "governos". Ou seja, gostava que deixássemos de ter uns Açores que "precisam" e passássemos a ser uns Açores que "criam e têm".

As sessões plenárias são o auge de todo um trabalho diário desenvolvido ao longo do mês. Como as encara?
Encaro-as com um grande sentido de responsabilidade e de dever, tendo em conta que é nelas que o debate e o confronto de ideias, e propostas, se jogam ao serviço da população. Entendo que se devia rever o Regimento de modo a adequar os trabalhos às realidades e necessidades de hoje. Há um conjunto de matérias que podem e devem ser tratadas em comissão, valorizando ainda mais o trabalho dos deputados nas comissões parlamentares; de modo a que os tempos do Plenário possam ser ainda melhor aproveitados para o tratamento de mais assuntos, nomeadamente as questões "de ilha", que demasiadas vezes são "abafadas" pelos temas de âmbito regional. A forma como decorrem os debates, tal como os tempos dos mesmos, também deve ser revista, de modo a valorizar o trabalho, evitando os "fait-divers" e algumas quezílias que, apesar de serem normais em todos os parlamentos, não deixam de ser de evitar.

O que gostava de ver acontecer nestes quatro anos?
Gostava que se desse um grande salto em termos do desenvolvimento da nossa Região. Que houvesse mais e melhor emprego, mais riqueza e menos dificuldades para as pessoas. Sei que isto é quase uma "verdade de La Palice", mas é este o espírito que deve sempre nortear, no meu entender, o trabalho de um deputado. Se assim não for, não estaria a fazer nada no Parlamento.

 

Curiosidades

NOME: Luís Rendeiro
Idade: 39 anos;
Naturalidade: Angra do Heroísmo (Freguesia de Nossa Senhora da Conceição);
Estado civil: casado
Filhos: 2 filhos (Ana Isabel, de 4 anos de idade e Álvaro José, de 19 meses);
Formação académica: Licenciatura em Medicina Veterinária;
O que faz nos tempos livres? Os meus hobbies são o Judo, os passeios de todo-o-terreno em moto, as caminhadas em trilhos pedestres, os banhos de mar, a pesca submarina e os cães (tenho 4 Leões da Rodésia);

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