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01
outubro

Dia Mundial da Música - Filarmónicas faialenses têm sede de público

Escrito por  Marla Pinheiro/foto: DR
Publicado em Reportagem

Com 15 mil habitantes, a ilha do Faial conta neste momento com oito filarmónicas. No total, são cerca de 335 músicos no activo, que dão o corpo ao manifesto, por amor à camisola. Se a estes juntarmos os faialenses que integram os grupos folclóricos locais, os grupos de cantares, as bandas de garagem, os grupos corais, entre outros, é fácil perceber que no Faial se respira música. O ritmo da cadência das ondas do mar, o canto das aves que também chamam sua a esta ilha; em suma, a musicalidade da natureza que nos envolve, terão porventura entranhado o ADN destes ilhéus, desde há muito, e o gosto pela música tem passado de geração em geração.

Para assinalar o Dia Mundial da Música, que se celebra hoje, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com os presidentes das oito filarmónicas do Faial, para saber como vai a saúde da filarmonia na Ilha Azul. Algumas das bandas queixam-se de falta de músicos, mas é a falta de público aquilo que mais preocupa os dirigentes, que são unânimes em reconhecer que sem público a assistir às tocatas não é fácil motivar os músicos.

Os dias de crise não se cingem apenas às finanças do país. De há algum tempo a esta parte, nota-se também uma crescente crise no âmbito do associativismo, da qual o Faial não está imune. Os tempos modernos ditaram dificuldades em agregar as pessoas à volta das instituições, tanto no desporto como na cultura. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e é certo que, regra geral, os vários agrupamentos culturais e desportivos da ilha já contaram com mais entusiasmo da população em seu torno. A diversidade das actividades disponíveis e a concorrência sedutora do sofá e do comando de televisão faz com que muitas dessas instituições se debatam com falta de “mão-de-obra”. É o caso de grande parte das filarmónicas faialenses, que se vêem a braços com a dificuldade em recrutar músicos.

Fundada em 1924, a Recreio Musical Ribeirinhense é a filarmónica que mais sente na pele esta dificuldade. Neste momento, com 25 elementos, vê a sua disponibilidade para actuações muito limitada, uma vez quem, como nos explicou o seu presidente, são precisos todos os elementos para poder actuar.

Do mesmo mal se queixa a Lira e Progresso Feteirense. Fundada em 1921, a banda da Feteira tem cerca de 30 elementos e, de acordo com a presidente, a falta de músicos é o principal problema da actual direcção. “Neste momento há mais diversidade de actividades disponíveis, o que faz com que as pessoas se dispersem mais”, considera Leónia Melo, frisando que “estar na filarmónica exige compromisso, é preciso gostar muito”.

Também a Lira Campesina Cedrense, fundada  em 1927, se debate com a mesma carência. Composta por 26 elementos, não há margem para faltas de comparência. Todos são essenciais para que a banda possa actuar.

O papel dos mais jovens

Motivar os mais jovens é um dos grandes desafios para todas as oito bandas faialenses. No entanto, isto não significa que as mesmas se encontrem envelhecidas. A Artista Faialense, por exemplo, goza do estatuto de mais antiga filarmónica da ilha, com 152 anos, mas é liderada por uma jovem presidente. Isabel Maciel reconhece que lhe fazem falta tocadores, de modo a engrossar o actual número de elementos, cerca de 45.

Outro exemplo de juventude contagiada pelo “micróbio filarmónico”, como lhe chamou o maestro José Amorim, é a União Faialense. A liderança da filarmónica das Angústias, fundada em 1897, foi recentemente assumida por Daniel Duarte que, com apenas 20 anos, tomou as rédeas desta banda, que actualmente conta com cerca de 40 músicos. O jovem presidente tem noção de que assume esta responsabilidade numa altura em que esta espécie de “crise” das bandas se faz sentir com especial intensidade, e por isso angariar novos tocadores será um dos seus grandes desafios.

Apostar na formação

As escolas de música que foram sendo formadas no seio das filarmónicas faialenses funcionam como verdadeiros “viveiros”, que fornecem novos músicos às bandas. Como tal, numa altura de falta de tocadores como a que actualmente se vive, estas escolas ganham especial importância. Outubro é o mês em que as bandas apostam nas inscrições de novos aspirantes a músicos, optimistas que em 2010 a adesão seja boa.

As filarmónicas da ilha que neste momento contam com fileiras mais bem preenchidas são unânimes em frisar a importância das escolas de música para a sua actual boa saúde.

À beira de comemorar o seu 129.º aniversário, a Sociedade Filarmónica Unânime Praiense conta com cerca de 60 elementos. Ludgero Silva, actual presidente, congratula-se com o facto da escola de música da Unânime funcionar actualmente a 100%. 

Também a Euterpe de Castelo Branco não se pode queixar de falta de elementos. Actualmente com 57 músicos, esta banda, fundada em 1912, conta com uma escola de música que vai “de vento em popa”, como refere o seu presidente, Manuel Santos, que não duvida de que a escola é o principal contributo para o sucesso da banda.

Fundada em 1881, a Sociedade Filarmónica Nova Artista Flamenguense conta neste momento com 52 músicos, e também ela não sente especialmente a falta de elementos, em grande parte graças à sua escola de música que, segundo o presidente daquela instituição, é uma importante ajuda nesta área. Joaquim Silveira lembra, no entanto, que muitos dos jovens da filarmónica saem da ilha para concluírem os estudos no exterior precisamente no momento em que se tornaram bons músicos, o que por vezes coloca dificuldades à banda, apesar de poder contar com a maioria destes no Verão, quando regressam a casa.

Envolver a população

O reconhecimento pelo trabalho desenvolvido será, porventura, o maior prémio que aqueles que dedicam muitas horas da sua vida às filarmónicas, a troco de nada, podem receber. No entanto, os presidentes das filarmónicas faialenses são unânimes em admitir que esse reconhecimento é frequentemente escasso.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 01.10.2010

 

 

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