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02
junho

Filipe Mota Fonseca Macedo Diretor Regional do Turismo - Açores pretendem afirmar-se como destino de turismo de natureza ativo

Escrito por  SG
Publicado em Geral
Os Açores pretendem afirmar-se como destino de turismo ativo. Neste sentido o Governo tem vindo a trabalhar na promoção das potencialidades da Região neste segmento de forma a 
torná-la num destino de paisagens que proporciona, aos seus visitantes, experiências únicas com especial enfoque nas atividades relacionadas com a natureza.
Nos Açores existem 74 trilhos homologados nas nove ilhas, numa extensão de cerca de 700 quilómetros. A grande aposta do Executivo Regional para esta área recai na melhoria das condições de utilização e na criação de novos trilhos através do reforço das Grandes Rotas.
Em rescaldo da realização de um dos maiores eventos de desporto de natureza ativo da Região, o Azores Trail Run®(ATR®), o diretor regional do Turismo, Filipe Mota Fonseca Macedo, fala ao Tribuna das Ilhas das estratégias de promoção do turismo para os  Açores.

Tribuna das Ilhas - Tomou posse da pasta de turismo à pouco mais de quatro meses, atividade económica fundamental na região e criadora de riqueza. Quais são as linhas orientadores definidas para a Direção Regional de Turismo (DRT) para o mandato em curso?

Filipe Macedo - As linhas orientadoras são basicamente focarmo-nos naquilo que o Plano Estratégico de Marketing Turístico dos Açores define nas várias tipologias de produtos e depois na identificação que fez para cada tipo de produtos de cada uma das ilhas da região. Globalmente está muito bem definido e claro que a nossa aposta será no turismo de natureza ativo. Habitualmente os Açores eram conhecidos pelas suas belezas naturais, por uma prespetiva muito contemplativa das paisagens e queremos mudar um pouco isso. O esforço será feito na promoção e ganho de notoriedade ao nível do turismo de natureza ativo, ou seja, que se passe para a componente das experiências, através dos produtos. Temos uma panóplia de produtos, sendo que o turismo de natureza, está muito relacionado com a natureza em terra, nomeadamente ligada aos trilhos e aos passeios pedestres, também a parte dos produtos complementares, mas ai já é mais na área do mar e do bem estar.

TI - Os Açores têm-se e apresentado como um destino turístico assente sobretudo numa matriz de natureza impar. Que estratégia tem o Governo Regional para a promoção desse turismo de natureza ativa?

FM - Antes de falar na promoção, destacaria a preocupação que houve na formação deste novo Governo Regional, nomeadamente em ligar no mesmo departamento governamental, as valências do turismo e do ambiente. Não é que doutra forma as coisas não fossem possíveis de se concretizarem, mas obviamente estando dentro do mesmo departamento a comunicação é muito mais fácil e a interação dos serviços também.

A nível da notoriedade, não é  o Governo Regional dos Açores que o faz diretamente, mas sim através da Associação do Turismo dos Açores, que tem a responsabilidade de desenvolver um plano de ações, para que os Açores se tornem mais visíveis nomeadamente através da presença em feiras de turismo.

Além das feiras genéricas em que participamos, marcamos também uma presença muito assídua nas feiras de turismo ativo ou de turismo de natureza, uma vez que se tratam de feiras conhecidas e com produtos especializados.

TI - A entrada das low cost na Região, tem fomentado a procura turística sobretudo na ilha de São Miguel, que medidas têm sido tomadas para expandir essa procura para as restantes ilhas? 

FM - Efetivamente tem-se verificado um crescimento do turismo em consequência da alteração do modelo de acessibilidades na ilha de São Miguel. No entanto nos últimos dados, é visível que o turismo cresce de uma forma genérica em todas as ilhas.

Há por isso, que ter algum distanciamento dos números que se apresentam e verificar que o impacto e intenção que está a subjacente ao crescimento verificado em São Miguel é de transferir e fazer também com que as outras ilhas cresçam. 

Neste aspeto, há uma preocupação específica da Secretaria Regional da Energia, Ambiente e Turismo, de trabalhar. A questão da Terceira, que já foi identificada e reforçada com algumas operações, nomeadamente a operação de Espanha, Madrid, a questão dos Estados Unidos através de Boston e também agora da introdução recente em dezembro da Ryanair. 

No que se refere ao Triângulo, também gostaríamos de reforçar de alguma forma o interesse turístico destas ilhas, correspondendo aos investimentos que têm vindo a ser realizados pelos agentes privados.

TI - Quais são os aspetos menos positivos da introdução das companhias low cost a operar na Região? 

FM - Neste momento não consigo identificar um aspeto menos positivo deste tipo de operação. As entradas low cost, através da articulação com outras companhias aéreas, nomeadamente com a SATA Air Açores, tem permitido fazer com que todas as ilhas recebam mais turistas. Dou o exemplo do Faial que através desta operação acaba também por receber turistas diretamente da ligação Lisboa – Ponta Delgada.

TI - Por vezes as ligações aéreas obrigam a uma pernoita na Terceira ou em São Miguel para chegar ou sair das ilhas mais periféricas, como é o caso o Faial. Também se verifica que por vezes as ligações inter ilhas que existem não conseguem dar resposta a esta necessidade. Existe alguma alternativa a essa situação?

FM - Infelizmente não tenho tanto conhecimento quanto gostaria da área dos transportes, porque não é uma área que está diretamente relacionada com a nossa Secretaria, obviamente que tem implicações na parte turística e na parte do encaminhamento de visitantes, mas penso que o trabalho que tem vindo a ser feito é neste sentido.

TI - Estão previsto investimentos por parte do turismo para a ilha do Faial e restantes ilhas do Triângulo? 

FM – Os investimentos da DRT são mais a nível da promoção ou notoriedade. Especificamente na parte que me diz respeito, na DRT, há efetivamente uma aposta significativa, nomeadamente no apoio às organizações desportivas, que ao fim ao cabo darão notoriedade a nível de turismo de natureza ativo. Aqui refiro o caso do ATR®, do Triangle Adventure e também o apoio que damos às atividades do Clube Naval da Horta (CNH), na captação e manutenção das regatas que têm partida em França, que está sempre associada aos mercados emissores que queremos atingir, neste caso do CNH no mercado francês. No caso do ATR®, é algo mais abrangente uma vez que já ganhou uma notoriedade tão elevada, ultrapassando as 20 nacionalidades e mais de 100 concorrentes do estrangeiro. É este o retorno que queremos quando investimos nestas organizações, ou seja, notoriedade no estrangeiro, promoção das nossas infra-estruturas e dos nossos pontos de interesse turísticos, pela via das experiências, na qual se incluem os trilhos.

TI - Nos últimos anos o trail run, modalidade que alia o desporto à natureza tem ganho expressão significativa nos Açores. No seu entender que importância tem tido esta atividade no arquipélago?

FM - A importância tem sido enorme, porque o ATR®, faz uso daquilo que é uma das principais infra-estruturas em terra, os trilhos pedestres, que são a nossa imagem de marca do turismo de natureza ativa. São os trilhos que permitem as experiências ligadas a este conceito. Não só o ATR®, especificamente e esta organização do Clube Independente Atletismo Ilha Azul (CIAIA), mas também todas as outras que se realizam, nomeadamente na ilha de Santa Maria e na ilha de São Miguel. 

Penso que têm sido um ótimo veículo de dinamização e de promoção da Região no exterior, porque, além de quem nos visita de forma particular, também há um esforço devido ao apoio que damos, por parte das organizações em garantir a presença nomeadamente de líderes de opinião e de jornalistas, que depois fazem difundir a nossa imagem e a imagem do turismo de natureza ativa, que queremos promover.

Subjacente ao turismo de natureza ativa também há a questão de sustentabilidade e quando se fala de sustentabilidade, fala-se de impacto económico das próprias provas. Quando temos aqui as pessoas estamos efetivamente a garantir uma ocupação e um impacto económico direto nas ilhas onde as provas se realizam. Depois temos também, a intenção de transmitir a nossa preocupação como açorianos e Região de defendermos o nosso património ambiental, demonstrando às pessoas que é possível tê-las cá, ter atividades e experiências de forma sustentável, ou seja, demonstrar que as nossas paisagens são utilizadas já com alguma marca humana, mas mantêm um equilíbrio. Aqui também temos a questão social de associar as pessoas. Estas provas conseguem angariar à sua volta, não só uma serie de voluntários que prestam o seu apoio de forma gratuita, mas também se tornam uma referência para as próprias pessoas que vivem nos locais. Todos os faialenses e picoenses falam com muito orgulho do ATR® e no Triangle Adventure. Quando vamos a Santa Maria é fantástico verificar que o Columbus Trail é já para eles a sua prova de fevereiro.

TI - Como tem o turismo promovido o Trail Run nos Açores, nomeadamente na ilha do Faial e do Triângulo?

FM - A promoção é garantida. Nós estabelecemos, neste caso com o CIAIA, ou com outras associações que também se dedicam não só ao Trail, mas também ao BTT e a outras atividades ativas, em âmbito da natureza, contratos programa anuais, nos quais nos é apresentado um plano de atividades e em que nós temos a grande preocupação em verificar que não só o plano de atividades se enquadra dentro dos nossos objetivos, mas principalmente que se enquadra dentro dos objetivos da notoriedade e da promoção. Não é só realizar a prova, mas é preciso garantir que as pessoas ficam  satisfeitas, e difundem a beleza dos nossos trilhos, das nossas paisagens, assim como  a organização garanta que quem vem cá de forma mais proporcional, transmita para fora o que temos de forma a garantir uma repulsão grande do investimento que fazemos através desse apoio.

TI - O ATR®, que acontece todos os anos no mês de Maio na ilha do Faial, tem posto os Açores no mapa mundial da modalidade e já considerado o maior evento de natureza dos Açores. Que apoios estão previstos a ceder à organização, por parte do Governo para a realização deste evento? Existe algum montante?

FM - Sim há um montante. Esses montantes são publicados todos os anos. O investimento e o esforço de promoção desta área vai-se manter. Agora há aqui uma preocupação com o impacto económico que geramos. Cada vez mais, de uma forma genérica, não só na realização do ATR® e das provas de Trail Run, mas também de todas as provas que estão ligadas a desportos de natureza e de aventura, que devem merecer também a atenção dos agentes privados que devem apoiar estas organizações. Estes eventos atingiram uma dimensão que já começam a interessar no ponto de vista comercial e é importante que as entidades privadas comecem a olhar para isto com outros olhos, já havendo um exemplo disso. Temos um operador turístico no Continente que já criou um departamento específico para turismo de aventura e está muito ligado ao Trail, ou seja, já existe tantas organizações de Trail, que já começa a ser um produto comercial, obviamente que não se deve começar a olhar iminentemente só a números, mas as organizações já devem começar a puxar para si os agentes privados e os agentes privados também têm de começar a trabalhar um pouco mais em criar pacotes, produtos de viagem incluindo também a corrida e outras experiências.

A “desculpa” de vir participar nos nossos trilhos pode ser também “desculpa” para vir passar 3 ou 4 dias e experimentar o whale watching e a gastronomia.

TI - Que importância tem tido este evento na captação de turistas, sobretudo no Grupo Central?

FM - Tem um impacto direto, nas pessoas que visitam naquele momento e indiretamente o impacto de todo “buzz”, todo o ruído positivo que os amantes da modalidade acabam por receber por via dos órgãos de comunicação social, das redes sociais, que depois permitem que num dia como hoje se possa ver pessoas a caminhar pelos trilhos, é este o impacto que acaba por ter.

TI - Na região a modalidade já tem expressão em várias ilhas. O ATR®, por exemplo, tem organizado provas na ilha do Faial, Pico, São Jorge e em Santa Maria. É intenção do Governo promover provas destas em mais ilhas do arquipélago?

FM - Sim nós  vemos o ATR®, como uma forma de promoção e gostaríamos de o estender a outras ilhas, já o demonstram-mos não publicamente, mas eventualmente também à ilha Graciosa e das Flores, talvez com outro tipo de organização e outro tipo de dimensão, porque temos de adequar a cada ilha. É importante que as pessoas tenham essa noção, há questões que temos de ter em conta nomeadamente em realidades mais pequenas. 

Prevemos e gostaríamos que as várias organizações e os vários clubes que se dedicam a esse tipo de organizações se organizassem de uma forma eventualmente a nível regional para que se possa ter uma visão mais global e regional da modalidade.

TI - Os trilhos são uma componente essencial para este turismo de natureza que se quer para os Açores. Pretende o Governo continuar a apostar na requalificação e mesmo na criação de novos trilhos?

FM - Vamos continuar efetivamente a manter e a crescer a rede de trilhos amolgados. Foi isso que aconteceu recentemente na reunião da Comissão de Acompanhamento dos Percursos Pedestres em que aumentamos cerca de 10 percursos à rede. A intenção será numa primeira fase, sendo que os departamentos são novos, consolidar esta rede.  Para isso vai ser criado uma gestão que será feita pela DRT em coordenação com o ambiente de forma a garantirmos as condições normais do usufruto dos trilhos e trabalharemos no crescer da rede.

TI - Neste momento, só este trilho do Monte da Guia tem sinalética própria de trilho, é intenção do Governo sinalizar também os outros trilhos existentes nos Açores?

FM - Não diria isso. Na DRT será criada uma área específica que se dedicará apenas à estruturação do produto de turismo de natureza ativa, ou seja, teremos pessoas e recursos a pensar de forma integrada como usufruir desta infra-estrutura, até porque também vão existir pessoas preocupadas em desenvolver outras áreas como por exemplo os produtos relacionados com o mar. Na parte terrestre existirão pessoas nomeadamente com conhecimentos específicos da área do Trail, do BTT que se preocuparão em realizar um modelo de utilização concorrencial, porque temos pessoas que querem só passear ou andar, outras querem correr, outras fazer BTT, downhill, etc. Há aqui uma série de especialidades dentro do tracking, das bicicletas e outras utilizações, que é preciso pensar e saber como encontrar um modelo equilibrado que permita a utilização dos trilhos pelas várias valências. Isso leva a que haja uma identificação dos trilhos mais aptos ao trail, dos que poderão incluir a utilização de bicicletas e é a isto que esta área se vai dedicar, criando regulamentação própria, códigos de conduta, a ter em conta na utilização dos trilhos, de forma a garantir que estes continuam o mais puros possível.

TI - Já é possível um balanço do impacto que estes eventos de Trail Run têm nos Açores quer em termos de turistas, quer em termos económicos?

FM - Não lhe sei dizer ao certo os números do impacto, mas o que é revelado é ao nível de exposição mediática, esse sim existe.

TI - Podemos equiparar este evento ATR® em termos de retorno financeiro para a Região, ao SATA Rallie Açores ou ao Red Bull Cliff Diving?

FM - Não gostaria de fazer comparações. Penso que cada um tem o seu objetivo, todos eles têm particularidades e diferentes exposições. Enquanto por exemplo no SATA Rallye Açores temos uma exposição muito mais genérica ao público que vê neste caso o EuroSport, no caso do Red Bull Cliff Diving temos um nicho de mercado que são novos “millenniuns” que vêm os canais de redes sociais como o youtube, e depois temos os do ATR® que são muito direcionados para o facebook, canais próprios de corridas ou turismos de aventura. 

Penso que são grupos de eventos que todos juntos pretendem atingir o maior número de potenciais interessados em conhecer os Açores e não querendo comparar, acho que contribuem todos de forma integrada para a promoção dos Açores. Temos conseguido garantir um plano de ações de promoção integrado nesses eventos, que leva as características dos Açores o mais longe possível.

A finalizar, quero dar os parabéns não só ao CIAIA, especificamente por todo o sucesso que têm tido as suas provas, mas a todas as entidades que têm colaborado de forma ativa com a DRT em promover o conceito que foi definido e se aproximarem do conceito que queremos promover. 

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