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03
novembro

APADIF e Casa do Povo da Ribeirinha promovem desfolhada do Milho à Moda Antiga no Faial

Escrito por  Flávia Taibo
Publicado em Local

O Centro de Dia da Conceição/APADIF e a Casa do Povo da Ribeirinha, organizaram, no passado dia 25 de outubro, uma Desfolhada do Milho à Moda Antiga, afim de permitir que os idosos das respetivas instituições pudessem “reviver os tempos antigos”

Decorreu no passado dia 25 de outubro, na Cozinha Comunitária da Conceição, um Desfolhada do Milho à Moda Antiga organizada pelo Centro de Dia da Conceição da Associação de Pais e Amigos e Deficientes da Ilha do Faial (APADIF) e pela Casa do Povo da Ribeirinha. Esta iniciativa contou com um almoço e petiscos tradicionais confecionados pelos idosos e com uma desfolhada do milho.
Segundo Cláudia Abreu, Diretora Técnica do Centro de Dia da Conceição da APADIF, escolheu-se o mês de outubro para a realização desta atividade a fim de coincidir com a altura da apanha do milho que decorre nos meses de setembro e outubro.
“De manhã, estivemos a confecionar comida tradicional: a sopa de feijão com couve e batata como se fazia antigamente, tortas, queijo fresco e pão de milho”, declarou Cláudia, acrescentado que depois à tarde “juntámo-nos de roda do milho e estivemos a reviver os tempos antigos, o que é sempre bom”.
Lassalete Lopes, Presidente da Casa do Povo da Ribeirinha e responsável pelo Centro de Convívio de Idosos da instituição, recordou que antigamente “quando era para desfolhar o milho, sabia-se quem é que tinha milho para descascar, começava-se numa casa e levava-se tudo a eito”.
“Juntávamo-nos à volta do milho e as mulheres abriam-no com espetos próprios ou navalhas e os homens quebravam-no. Depois o milho era escolhido e debulhado para depois ser seco e ventejado”, explicou Lassalete.
A Presidente da Casa do Povo da Ribeirinha relatou ainda a tradição da chamada maçaroca vermelha ou maçaroca milho rei: “a rapariga que abria uma maçaroca vermelha passava por todos a dar um beijinho”, brincando que “os rapazes novos estavam sempre à espera daquele beijo”.
Lassalete Lopes disse ainda que “não faltou aguardente com casca de tangerina e mel que era tradicional” e que apesar de ter faltado os figos passados “em substituição houve bolachas caseiras que caíram muito bem”.
Em relação ao resultado da iniciativa afirmou que “foi com muita satisfação e alegria que os nossos idosos, incluindo eu que também o sou, revivemos estes momentos que marcaram muito a nossa época” que apesar de ser “um tempo de muito trabalho, era também de muito convívio e de muita alegria”.
Claúdia Abreu salientou a importância do ditado “recordar é viver”, afirmando que “é bom recordar estes tempos e que é uma forma de erguer as memórias e de homenagear o passado”.
A Diretora Técnica revelou ainda a ideia de voltar a realizar este evento no próximo ano ou até de torná-lo num evento anual e “envolver mais idosos e também crianças para a partilha de saberes e de experiências”, acrescentado que “juntar idosos e crianças são sempre momentos multigeracionais muito engraçados”.
Ao dar o seu testemunho ao Tribuna das Ilhas, Maria Melo, mais conhecida por Maria do Pico, recordou que vinha do Pico para o Faial debulhar o milho, porque lá não o cultivavam tanto, com um lanche para partilhar com amigos que eram como se fossem família.
No entanto, “esses tempos foram se desgastando e agora é cada um por si e Deus por todos”, lamentou Maria do Pico, salientando que já não existe “aquela amizade, alegria e partilha como havia antigamente”.
A organização desta iniciativa agradeceu ainda a Manuel Eduardino Freitas que disponibilizou o milho para a realização da Desfolhada, à Junta de Freguesia da Conceição pela cedência do espaço, aos funcionários de ambas as instituições e a todos os idosos que participaram no evento.

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