Hélder Silva, Presidente do IMAR, comunicou na passada sexta feira à comunidade cientifica ligada à investigação marinha que aquele Instituto iria encerrar no inicio do próximo ano
O IMAR (Instituto do Mar), responsável por, praticamente, toda a investigação marinha nos Açores, vai encerrar no inicio do próximo ano. A notícia transmitida pelo Presidente do IMAR, Hélder Silva, aos microfones da Antena 1, apanhou de surpresa os cerca de 100 colaboradores, entre investigadores e administrativos, contratualmente ligados a este Instituto, e que temem pelo seu futuro.
Na passada sexta feira, nas escadas do Departamento de Oceanografia e Pescas, na cidade da Horta, cerca de meia centena de colaboradores cumpriu um minuto de silêncio em sinal de luto pela morte anunciada do IMAR, para mostrar o luto em que se encontram e a preocupação que têm pelo seu futuro e pela investigação cientifica e marinha nos Açores.
Sabe-se que o Instituto do Mar (IMAR) é responsável por grande parte da investigação no âmbito das ciências do mar que se fazem na Região, sendo um centro reconhecido nacional e internacionalmente, pelo que o seu encerramento porá em causa o trabalho desenvolvido ao longos dos seus 25 anos de existência.
Na ocasião, os investigadores entregaram ao Presidente do IMAR um abaixo assinado com todas as suas preocupações, exigindo, também, uma inversão na gestão do Instituto.
Hélder Silva, após as declarações iniciais que colocaram em alerta a comunidade cientifica local, remeteu todos os esclarecimentos e explicações para a reitoria da Universidade dos Açores (UAç).
“O IMAR é um projeto que está perto do seu fim. Neste momento, aquilo que está em cima da mesa, por decisão da Universidade dos Açores, com a qual nós concordamos, é uma estratégia que passa por criar neste polo [DOP] um instituto com autonomia administrativa e financeira", explicou o Presidente do IMAR.
Hélder Silva garantiu, na altura, que "não está em causa despedir pessoas", mas apenas fazer transitar os recursos humanos e os "compromissos" já assumidos pelo IMAR em matéria de financiamento da investigação científica, para o novo instituto a criar.
O IMAR foi criado há cerca de 25 anos, contando atualmente com cerca de 100 colaboradores, entre investigadores e administrativos, recebendo um financiamento anula de € 150.000,00 anuais.
Em seguimento das últimas notícias que revelam uma provável transformação do instituto de investigação (IMAR), sediado na Horta, a Câmara Municipal da Horta solicitou um encontro de trabalho com a UAç com o intuito de analisar a situação deste instituto.
No que à possibilidade de criação de um futuro Centro de investigação nos Açores, denominado ‘Okeanos’, diz respeito “José Leonardo quer conhecer os objetivos da nova estrutura, e espera, nesse encontro alertar para o facto de que, qualquer investimento que se realize nesta área, deverá ter presente o papel da Horta e o conhecimento instalado no concelho”.
Para o Executivo Camarário “só faz sentido que o futuro Centro Okeanos seja, também ele, instalado na cidade-mar da Horta, atendendo ao percurso realizado, pelo Faial, na área das políticas do mar, entre os quais tem particular interesse, a investigação marinha”.
O edil reconhece a importância que a investigação tem para o concelho e que a sua aproximação com as empresas tem resultados positivos ao nível do emprego.
"É fundamental que o DOP e as instituições que se relacionam com ele prossigam uma política de aproximação à sociedade, em especial ao tecido empresarial local, contribuindo, dessa forma, para a profissionalização e desenvolvimento económico do nosso concelho e essa será uma das questões que pretendo analisar com a Universidade que é uma das nossas parceiras, de longa data, nas políticas do mar" frisou José Leonardo.
O Tribuna das Ilhas procurou ouvir os investigadores e colaboradores do IMAR. Em declarações a este semanário, o porta-voz dos investigadores afirmou que “há muito tempo que paira no ar a intenção de transformar o IMAR, mas as informações oficiosas que têm chegado aos colaboradores do IMAR têm sido bastante contraditórias”, pelo que foram “apanhados de surpresa com o anúncio do encerramento do IMAR, feito pelo seu Presidente, numa reunião que não estava convocada para falar sobre assuntos relacionados com o IMAR, e onde não estavam presentes a maior parte dos investigadores e técnicos da instituição”.
O porta voz, salientou ainda que apesar de “alguns investigadores e técnicos tenham tido conhecimento desta intenção em reunião do centro Okeanos na terça-feira, não tem havido nenhuma discussão formal ou informal com todo o universo IMAR Açores para debater esta situação nem para comunicar esta decisão. Por isso, muitos dos colaboradores do IMAR tiveram conhecimento desta decisão pela comunicação social na quinta-feira passada”.
Segundo o porta-voz, “não houve justificação substantiva para tal decisão” e a justificação “foi apresentada como sendo uma decisão que decorre da vontade expressa da Universidade, com a qual os docentes e investigadores do DOP concordavam”. O mesmo realçou “que o investigadores e técnicos do IMAR não são, formalmente, parte integrante do DOP”.
“O Magnífico Reitor nunca comunicou, publicamente ou em reunião com os investigadores e técnicos do IMAR, ser sua intenção encerrar o IMAR, muito menos dentro do prazo de poucos meses, o que tornou o anúncio do Presidente do IMAR ainda mais surpreendente”, informou o colaborador ao Tribuna das Ilhas.
Relativamente ao futuro dos cerca de 100 colaboradores que têm ligação contratual ao IMAR, o porta-voz diz ser “uma incógnita”. “Apesar de nos ter sido comunicado que não está em causa o despedimento dos contratados e colaboradores do IMAR, mas antes a sua futura transferência para o Instituto a criar, não só não temos garantias que isto se concretize, como não sabemos do ponto de vista legal como poderia ser efetuada esta transição”, afirmou.
Sobre as criticas feitas à gestão da direção do IMAR, o porta-voz afirma que os Investigadores e colaboradores não se interessam pelas “redes sociais” nem pelo “fait-divers político”, revelando ainda que as suas críticas “vão para a progressiva degradação das condições de trabalho na casa em consequência de decisões que têm sido tomadas pelo Presidente do IMAR, para a falta de diálogo, estratégia científica e gestão a longo prazo, que culminaram nesta decisão precipitada”.
No que novo Centro de investigação, Okeanos, diz respeito o porta-voz esclarece que o centro já coexiste há dois anos com o IMAR, salientando ser necessário “analisar as vantagens e desvantagens de uma mudança de um Instituto com dimensão e parcerias nacionais e que conquistou uma posição de destaque a nível internacional para um centro que, até mais ver, será apenas da Universidade dos Açores”.
Por fim, o colaborador frisou o facto de que “os colaboradores do IMAR sempre demonstraram a sua disponibilidade para discutir o futuro da Instituição e para avaliar alternativas ao modelo atual”.
Também as vozes politicas da ilha já manifestaram a sua preocupação sobre este assunto, nomeadamente o CDU, o CDS-PP e o PSD.
Os partidos apresentam-se preocupados com as consequências que o encerramento do IMAR tem para os investigadores e para o desenvolvimento da investigação marinha nos Açores e no Faial.
Nesse sentido, requerem explicações ao Governo Regional e já solicitam reuniões com Director do DOP, com o Presidente do IMAR, com representantes dos investigadores, técnicos e trabalhadores da instituição.