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12
janeiro

COFACO promove despedimento coletivo no Pico

Escrito por  João Paulo Pererira
Publicado em Geral

A empresa conserveira COFACO, com fábrica na ilha do Pico, irá proceder até ao mês de abril ao despedimento coletivo de cerca de 180 trabalhadores.
A situação prende-se com o facto de a empresa deixar de laborar naquela ilha até à construção da nova unidade fabril, que se prevê esteja edificada dentro de 18 meses

A administração da conserveira COFACO reuniu-se com os cerca de 180 trabalhadores da fábrica da ilha do Pico durante a manhã do passado dia nove de janeiro para os informar de que iria proceder “a um despedimento coletivo”, de que todos seriam despedidos com direito a "indemnização e fundo de desemprego", deixando a COFACO de laborar naquela ilha até à construção de uma nova fábrica.
De acordo com Sérgio Gonçalves, representante do Sindicato de Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio, Escritórios e Serviços dos Açores (SABCES/Açores), “serão pagas as indemnizações e vamos todos para casa com uma promessa verbal de que quando a obra estiver concluída, entre 18 meses e dois anos, nos chamariam de novo para vir trabalhar. Ficamos na expetativa. Como o ditado diz, ‘palavras, leva-as o vento’, mas vamos esperar que estas o vento não leve", afirmou Sérgio Gonçalves.
A fábrica COFACO, no concelho da Madalena, na ilha do Pico, vai manter os trabalhadores até abril, altura em que arrancam as obras para a construção da nova unidade industrial, no mesmo local onde se encontra a atual, e tem um prazo de 18 meses. “Queremos acreditar que iremos ser admitidos após dois anos, mas tememos muito pela nossa situação”, admitiu o sindicalista.
A conserveira não labora desde o dia 14 de dezembro de 2017, altura em que os trabalhadores – na maioria mulheres - foram “para as férias do Natal” e sem qualquer informação acerca de qual seria a solução para a sua situação.

SABCES/Açores condena o encerramento da COFACO no Pico
Em nota informativa enviada às redações, o SABCES/Açores “repudia” o encerramento do COFACO Pico.
Segundo o Sindicato, “todo este processo teve contornos de pouca clareza e seriedade por parte da administração da empresa, não havendo dialogo, informação e a devida consideração pelos trabalhadores”.
O SABCES/Açores relembra ainda que “estamos perante uma situação que se repete, uma vez que em 2010, a COFACO encerrou a unidade fabril da Ilha do Faial, voltando agora, uma vez mais, a contribuir para o retrocesso da economia das ilhas do triângulo e consequentemente da região”.
A direção do SABCES/Açores, não acreditando que os despedimentos sejam a única opção possível, defende ser necessário encontrar alternativas ao encerramento da fábrica visto que estão em causa não só os trabalhadores diretos e as suas famílias, como também postos de trabalhos indiretos.
“O SABCES/Açores repudia a medida anunciada e manifesta total solidariedade para com os trabalhadores abrangidos e suas famílias, reafirmando a sua determinação em defender os postos de trabalho e garantir a proteção dos direitos e interesses dos trabalhadores, pelo que apela à mobilização de todos – abrangidos e não abrangidos – na participação no plenário do próximo dia 12 de janeiro pelas 15h00 à porta da COFACO e nas iniciativas que vão seguir-se (manifestações, concentrações e reuniões, na semana do Plenário da Assembleia Regional)”, lê-se na nota informativa.
“O SABCES/Açores apela a todos os trabalhadores para resistirem ao despedimento e defenderem os seus postos de trabalho”, concluiu.

Secretário Regional do Mar acompanha a situação
O Secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, confirmou estar a acompanhar a situação na empresa, embora tenha a indicação que em causa estão 167 trabalhadores e não 180.
Em declarações aos jornalistas, o Secretário Regional do Mar afirmou que “a empresa garantiu-nos que os direitos dos trabalhadores iam todos ser garantidos e os serviços competentes em matérias de trabalho como a Inspeção Regional do Trabalho, a Direção Regional do Emprego e a Agência do Emprego irão naturalmente acompanhar os trabalhadores e estão naturalmente disponíveis para apoiar os trabalhadores em tudo aquilo que for necessário”.
Em face desta situação, o Governo Regional criou um grupo de trabalho, uma equipa tripartida de apoio aos trabalhadores da COFACO, com elementos da Inspeção do Trabalho e da Segurança Social, a qual que será instalada nos serviços de Segurança Social da ilha do Pico.
O governante assume não se tratar de “uma situação muito confortável”, sendo que a COFACO é um dos maiores empregadores da ilha, não havendo para já garantias de que todos os trabalhadores despedidos serão integrados na nova unidade fabril a construir a partir de abril de 2018.
“Isso ainda não sabemos, naturalmente, tratando-se de uma nova fábrica há alterações tecnológicas que vão ocorrer, acho que é prematuro saber quantos é que vão ser reintegrados no futuro. O que eu posso dizer é o que a empresa nos transmitiu é que a sua aposta, novamente no Pico, também se devia muito à qualidade dos trabalhadores na laboração do atum”, sublinhou.
“O projeto que existe é para a reconstrução de uma nova fábrica no mesmo local”, garantiu.
O secretário Regional do Mar, Ciência e Tecnologia adiantou ainda que a COFACO submeteu o projeto para a construção da nova unidade fabril, que irá substituir a atual fábrica, com mais de 50 anos, a fundos comunitários no âmbito de uma portaria do FEAMP - Fundo Europeu para os Assuntos Marinhos e das Pescas, para apoios a investimentos na área da transformação de pescado.
O valor estimado para o projeto é de 6,7 milhões de euros sendo que contará com o apoio público na ordem dos 75%, nomeadamente de cerca de 1,1 milhão de euros por via do orçamento da região, de cerca de 3,3 milhões de cofinanciamento e de 35% de despesa privada.
“(O investimento) faz parte de uma alteração estratégica que a empresa quer ter nos Açores para também se tornar mais competitiva e mais consentânea com aquilo que são as novas tecnologias e as exigências do mercado”, disse.

Deputados do PS Açores reúnem com sindicato dos trabalhadores da COFACO
Os deputados do PS Açores eleitos pela ilha do Pico lamentam o despedimento coletivo que irá acontecer na fábrica da COFACO, localizada na Vila da Madalena, afirmando o deputado Miguel Costa que “é uma situação muito complicada. São muitos postos de trabalho, são muitas famílias que dependem daquela unidade fabril que é histórica na Vila da Madalena, na ilha do Pico e nos Açores e que tem uma importância vital para a economia desta ilha”.
Neste sentido, já pediram uma reunião de urgência com o SABCES/Açores. Os deputados defendem que é preciso unir esforços entre todas as entidades para salvaguardar que os direitos dos trabalhadores são respeitados e para garantir que a empresa concretiza a intenção anunciada de construir uma nova fábrica na ilha do Pico e que poderá integrar funcionários agora despedidos.

BE não aceita que a COFACO continue a receber apoios públicos
Para o Bloco de Esquerda, que já tinha alertado várias vezes ao longo do último ano para o possível encerramento da fábrica da COFACO no Pico, é inaceitável que a fábrica continue a receber apoios públicos depois de despedimento coletivo.
Segundo a nota de imprensa do BE “a COFACO tem recebido, ao longo dos anos, milhões de euros de apoios públicos, direta e indiretamente. Afinal, os apoios concedidos não servem para criar postos de trabalho, servem apenas para encher os bolsos dos acionistas”.
Para o Bloco, que vai levar esta questão ao parlamento, a promessa, feita pela empresa, de contratar os mesmos trabalhadores aquando da conclusão da nova fábrica, é mais uma tentativa de atirar areia para os olhos dos trabalhadores, uma vez que não há qualquer garantia legal de que tal venha a acontecer.

“Estamos perante mais um retrocesso para a economia da ilha e da região”, defende o PCP
Também o PCP manifestou o seu descontentamento com a situação e exige explicações do Governo Regional.
O PCP salienta, em comunicado enviado às redações, que o encerramento da COFACO, líder nacional na produção de conservas, é “mais um retrocesso para a economia da ilha e da região”.
O PCP entende ser “fundamental que o Governo Regional tome medidas, e faça tudo o que estiver ao seu alcance para travar o encerramento da fábrica”, acrescentando que também o partido “intervirá quer através da sua Direção Regional, quer através da sua Representação Parlamentar, mas também intervirá a nível nacional e no Parlamento Europeia sobre essa matérias”, os trabalhadores e a Região merecem ser defendidos.

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