O Grupo Aeroporto da Horta está a preparar mais uma manifestação junto da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA). O motivo prende-se com a eventual redução de lugares e de voos para o Faial por parte do Grupo SATA.
Segundo Dejalme Vargas, o Grupo do Aeroporto da Horta, vai também entregar aos partidos com assento parlamentar um manifesto reivindicativo de melhores acessibilidades ao Faial.
O Grupo Aeroporto da Horta vai promover, quarta-feira, dia 21 de março pelas 18h30, uma manifestação em frente à ALRAA, durante os trabalhos parlamentares, que decorrem no Faial na próxima semana.
Em causa está uma possível redução de cerca de 12 mil lugares nos voos inter ilhas da SATA Air Açores e da Azores Airlines, para o Faial no verão IATA 2018.
Ao Tribuna das Ilhas o líder do grupo Dejalme Vargas, explicou que “os horários disponibilizados indicam uma redução de cerca de 11 mil e 900 lugares com o suprimento de três voos inter ilhas, nomeadamente, o voo SP 442 das segundas e quintas e a remoção do voo SP482 às quartas nos meses de abril, maio e outubro e a utilização do equipamento DASH Q 200 em detrimento do DASH Q 400”.
Segundo o representante do grupo “isto significa uma redução inter ilhas de 3 842 lugares, que ida e volta dá 7 600”, revela Dejalme Vargas, lembrando que “no ano passado inter ilhas tivemos 85 600 lugares disponíveis e este ano estão programados 81 700 e na rota da Azores Airline temos uma diminuição significativa. O que está previsto são 9 voos que representa uma diminuição de 11 mil lugares”, avançou.
“Não podemos aceitar. Para nós isto representa uma afronta quando se fala do crescimento do turismo”, desabafa o líder da manifestação popular.
Para Dejalme Vargas é “incompreensível” que a poucos dias de se oficializar o verão IATA 2018 o Grupo SATA ainda “não tenha os seus horários definidos, enquanto que a maioria das companhias europeias já estão a definir os horários para o verão IATA 2019”, revelou, lembrando que as “pessoas marcam as suas férias com antecedência, nomeadamente nos meses de outubro, novembro e dezembro e nesta altura ainda não há uma decisão”.
“Depois é fácil dizer que os nossos voos não estão cheios”, afirmou o líder do grupo, acusando o governo e a SATA de não fazerem uma promoção atempada do destino e de “descriminarem” o Faial.
A este respeito o porta voz do grupo considerou que desde que a SATA está “à frente desta rota tem vindo a decrescer a qualidade da oferta, apesar de dizer que está a fazer o mesmo que a TAP e a disponibilizar o mesmo número de lugares”.
De acordo com Dejalme Vargas “as ligações que são feitas são penalizadoras”. “Enquanto a TAP nos colocava 14 voos por semana, um voo de manhã e um voo à tarde possibilitando que os fluxos que chegavam a Lisboa de uma forma ou de outra conseguissem apanhar ligação para os Açores no próprio dia a SATA com os horários que tem para o Faial, na maior parte dos dias com os voos a sair de Lisboa às 6h00 da manhã, não permitem o aproveitar esses fluxos”. Segundo o representante do Grupo “isso implica mais uma noite de estadia em Lisboa, mais um jantar, mais táxis, o que na contabilização da planificação das férias numa família de 4 pessoas por exemplo, significa mais dinheiro, que na altura de decidir o destino opta por outro destino com voos de manhã, à tarde e à noite, como é o caso de Ponta Delgada”, denunciou.
“Os horários da SATA não estão feitos para promover as outras ilhas, estão feitos de forma a que se tenha de ficar pelo menos uma noite em São Miguel”, entende o líder do movimento pelo Aeroporto, defendendo que “ao longo destes anos o grupo tem pressionado quer publicamente quer através de outras formas as entidades” no sentido de solucionar esta realidade.
Dejalme Vargas confessa que esperava que o grupo de trabalho da Câmara Municipal da Horta, trouxesse uma nova força ao processo, “mas até hoje não houve qualquer resposta”, para o porta voz “dá a sensação que a Câmara, avançou e apresentou o projeto e lavou as mãos e que o trabalho deles está feito”, frisou.
A este respeito Dejalme Vargas, diz-se “dececionado” com as forças vivas da ilha, acusando-as de andarem a “reboque” do grupo.
“Nós estamos a trabalhar num logotipo para o grupo e acho que a imagem vai ser um reboque, uma vez que as tomadas de posição do PS/Açores, da Câmara Comércio e Indústria da Horta, e até da CMH vão a reboque do nosso grupo”, sustentou.
“Nós ficamos contentes, mas achamos que a via deveria ser outra, eles é que deveriam contactar pessoas, é que estão perto dos governantes, deveriam ler os números com antecedência, ter conhecimento do que está a ser projetado, reunir e exigir uma postura atempada sobre estas posições, pressionar de forma que nós não estejamos nesta altura a fazer contagens de números para saber se temos mais voos e mais ou menos gente”, defendeu.
Em relação à operação da Ryanair no Triângulo o grupo entende é bem vinda e lamenta que só agora o governo tenha tomado essa decisão.
“Nós temos excelentes números de turismo ao nível de alemães, holandeses, aliás tínhamos melhores números do que o Pico e o governo e a ATA colocaram o voo charter no Pico. Tínhamos melhores números de turistas alemães do que a Terceira e o governo colocou um charter na Terceira. O Triângulo tem melhores números do que a Terceira em termos do turismo espanhol e o governo e a ATA mais uma vez colocaram outro voo naquela ilha”, acusou.
Para o Dejalme Vargas a Horta reúne todas as condições para capitalizar esta operação. “Temos um aeroporto que tem o sistema RISE na pista, o sistema Grooving, um serviço de estrangeiros e fronteiras na ilha, um Hospital central, serviços de controladores aéreos, uma hotelaria a crescer, a restauração que deu um salto, ou seja, temos todas as condições e penso, portanto, que temos um aeroporto que deveria ser escolhido para essa operação”, disse.
Quanto à questão da privatização da SATA o porta voz do grupo afirma que após “a privatização a SATA nunca mais vai ser a mesma”, mas acredita que quem comprar a transportadora aérea regional ao analisar os números vai perceber que a “ligação ao Faial é rentável, que tem uma taxa de ocupação de 73% que movimenta pessoas e que por isso tem de ter outra visão”, salientando, neste contexto que “a SATA não tem sabido corresponder aos desafios da ilha do Faial e dos faialenses”.
A finalizar Dejalme Vargas disse esperar reunir nesta manifestação mais pessoas do que na última, de forma a “mostrar que os faialenses estão com a causa e neste caso concreto contra a redução de voos que vai afetar toda a agente”. A par da manifestação o grupo vai ainda entregar ao governo e aos partidos políticos um manifesto reivindicativo de melhores acessibilidades ao Faial.
De salientar também que o Grupo pelo Aeroporto da Horta, juntou cerca de 400 pessoas, em setembro de 2016, em frente à sede do parlamento dos Açores reivindicando a ampliação da pista do Aeroporto da Horta.
Tribuna das Ilhas, procurou esclarecer esta situação junto do Presidente da SATA, mas a resposta que obteve do porta voz da transportadora aérea açoriana foi: “estando prevista a presença do Sr. Presidente da SATA em sede da Assembleia Regional, não se nos afigura recomendável, neste momento, efetuar quaisquer declarações”.
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Manifestação pelo aumento da pista do Aeroporto da Horta, organizada em setembro de 2016 pelo Grupo Aeroporto da Horta juntou cerca de 400 pessoas