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11
maio

Atlânticoline - Trabalhadores vão voltar à greve

Escrito por  João Paulo Pereira
Publicado em Local

O Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pesca (SIMAMEVIP), entregou um novo pré-aviso de greve para os trabalhadores da empresa pública açoriana Atlânticoline que coincide com as festas de Verão.

Há um novo pré-aviso de greve na Atlânticoline, que terá a duração de 18 dias, repartidos por seis períodos e coincide com várias festas das ilhas do Triângulo. Para Clarimundo Baptista, dirigente sindical, “os trabalhadores não estão dispostos a sacrificar-se mais”, lembrando que os marinheiros da empresa “auferem somente 690,10 euros mensais” e que “estão há dez anos sem qualquer aumento” salarial.
O pré-aviso lançado pelo sindicato inclui as Festas do Espírito Santo (20 a 23 de maio), a Semana Cultural das Velas (05 a 08 de julho), as Festas da Madalena (20 a 22 de julho), o Cais Agosto (27 a 29 de julho), as Festas do Senhor Bom Jesus Milagroso (06 de agosto) e a Semana do Mar (10 a 12 de agosto), num total de 18 dias de greve.
“As autarquias apostam em cabeças de cartaz para as suas festas, para dinamizar a economia local”, refere Clarimundo Batista, que admite que esta greve terá impatos negativos, “não apenas para a empresa”, mas também para a economia destas ilhas e para as suas populações, ressalvando que foi a Atlânticoline que “empurrou os trabalhadores” para esta situação.
Como a Administração da empresa “nunca chegou, entretanto, a acordo com os trabalhadores”, a respeito dos aumentos salariais, o Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante decidiu convocar nova paralisação, que coincide com as principais festas das ilhas do Triângulo (Faial, Pico e São Jorge), entre as quais os navios da Atlânticoline operam diariamente.
Os trabalhadores da Atlânticoline já tinham efetuado uma greve em janeiro, mas que acabou por ser suspensa, por causa do acidente com o navio “Mestre Simão”, que encalhou em 06 de janeiro, no porto da Madalena.
Aquele dirigente sindical diz estar disponível, até à última da hora, para negociar uma revisão do acordo da empresa, desde que a administração da transportadora marítima esteja disposta a negociar.
“Até cinco minutos antes de se iniciar a greve, nós estamos dispostos, mas queremos uma proposta vinculativa”, alertou Clarimundo Batista, que não se mostrou interessado em voltar à mesa das negociações se a Atlânticoline não avançar com uma contraproposta concreta.
Os serviços mínimos que os trabalhadores terão de cumprir nos dias de greve para o transporte marítimo de passageiros e viaturas entre as ilhas do Triângulo irão ser determinados por um tribunal arbitral.
Questionada pelo Tribuna das Ilhas acerca do pré-aviso de greve, a Atlânticoline esclarece que embora não concorde com os fundamentos da greve, respeita integralmente o direito dos trabalhadores à mesma. Esclarece ainda que, tendo em conta que o sindicato não aceitou a realização de, pelo menos, quatros viagens diárias na rota Horta/Madale-na/Horta, como serviços mínimos a assegurar, a Atlânticoline solicitou a convocação do respetivo Tribunal Arbitral, perspetivando, pelo menos, o alargamento às quatro viagens referidas, pelo que a decisão final do número de viagens a realizar será agora da competência exclusiva daquele Tribunal.
Quando questionada sobre se estaria a pensar negociar ou apresentar alguma proposta aos trabalhadores no sentido de desmobilizar a greve, a Atlânticoline refere que foi a própria a enviar uma proposta de revisão do Acordo de Empresa, que previa um conjunto de benefícios e promoções para os trabalhadores.
A Atlânticoline informa que está sempre disponível para retomar o processo negocial com o sindicato, mas que se encontra legalmente impedida de aumentar as remunerações base dos seus funcionários, facto que já foi transmitido ao sindicato representativo.
Por último, quando questionada como irá organizar as viagens naquelas datas de forma a minimizar os transtornos que a greve possa causar aos passageiros, a Atlânticoline esclarece que não proporcionará viagens de substituição para os dias em questão, só realizando as viagens fixadas pelos serviços mínimos.
Esclarece também a este propósito que as restantes viagens programadas só serão realizadas caso os trabalhadores escalados para as realizar não adiram à greve.
Na sua resposta, a Atlânticoline recomenda aos passageiros que antecipem ou atrasem eventuais viagens programadas para os dias de greve, ao mesmo tempo que apela ao sentido de responsabilidade social dos trabalhadores da empresa, pois o cancelamento das viagens programadas por motivos de greve implicarão graves transtornos e perturbação no transporte marítimo de passageiros.

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