Imprimir esta página
15
junho

Gabinete de Representação dos Açores em Bruxelas - Presença fundamental da Região junto das instituições europeias

Escrito por  Flávia Taibo
Publicado em Geral

No âmbito da visita à exposição sobre o mar profundo dos Açores, Tribuna das Ilhas visitou ainda o Gabinete de Representação dos Açores em Bruxelas.
Frederico Cardigos, coordenador do Gabinete, afirma que após ter começado a sua atividade há seis meses a representação dos Açores em Bruxelas já tem tido “algumas consequências bastantes
interessantes” para a Região.

Na passada quinta-feira, 7 de junho, o Tribuna das Ilhas, juntamente com outros membros da comunicação social açoriana, visitou o Gabinete de Representação dos Açores em Bruxelas, no âmbito da exposição “Azores: Deeper Than Blue” (Açores: Mais Profundo do que Azul), organizada pelo eurodeputado Ricardo Serrão Santos sobre o mar profundo dos Açores.
Na ocasião, o coordenador do Gabinete, sublinhou que este “não é uma representação do Governo dos Açores, é uma representação da Região Autónoma dos Açores”, explicando que o Gabinete representa o Governo Açoriano, as instituições e organizações públicas ou privadas e civis.
Para Frederico Cardigos o processo inicial de arranque “tem sido demorado”, mas apesar de ainda não terem atingidos todos os objetivos iniciais, “atingimos um patamar de visibilidade e de capacidade de interação com as instituições europeias e com os outros parceiros que circulam aqui à volta das instituições bastante interessante”.
Este fato demonstra que “já somos considerados para as tomadas de decisão”, afirmou o coordenador, exemplificando que o Gabinete já foi convidado pela Comissão Europeia a integrar diversos grupos de trabalho sobre assuntos relacionados com o arquipélago, nomeadamente sobre a energia e as pescas.
No entanto, Cardigos salientou que os membros do Gabinete querem ir mais longe: “queremos ser capazes de atuar em todas as tipologias”. Para tal precisam de identificar todos os diretores e técnicos “que estão a trabalhar nos assuntos para com eles construir soluções que sejam mais adequadas não só à Região Autónoma dos Açores, como também às Regiões Ultraperi-féricas”.
Um dos propósitos deste Gabinete é transmitir informação entre Bruxelas e os Açores, mantendo contacto diário com o Governo dos Açores de uma forma mais interna, por vezes com alguma sensibilidade em relação ao seu conteúdo, e de uma forma mais abrangente a todo o arquipélago com um boletim informativo.
Neste boletim conta já com 21 publicações, até à data, todas à sexta-feira, e mais de mil notícias daquilo que acontece em Bruxelas e nas instituições europeias.
Do mesmo modo, o Gabinete utiliza o Twitter, rede social muito utilizada pelas instituições europeias, para divulgar informações e atividades relativas aos Açores que possam ser de interesse para a União Europeia e os seus membros.
O coordenador revelou ainda que o Gabinete tem seguido de perto o novo orçamento da União Europeia, a fim de conseguir perceber quais são as matérias prioritárias, quais as fragilidades, de forma a enfatizar permanentemente que há matérias que se sofrerem reduções orçamentais vão ter graves consequências para os Açores, especialmente na área da agricultura e das pescas.
Adicionalmente, o Gabinete tem estado ainda atento ao que se passa relativamente à “definição de políticas mais detalhadas como, por exemplo, as políticas relacionadas com a energia e com o turismo para ter a certeza de que elas são formuladas de uma forma tão adequada quanto possível em relação áquilo que são as emissões da Região Autónoma dos Açores”, acrescentou.
Sobre os cortes nos apoios comunitários que estão a ser discutidos, o representante afirmou que o Gabinete não pode comentar as decisões das instituições europeias e da consequência para os Açores, avançando que “de uma forma geral, se os cortes forem muito elevados, vai ter consequências graves, se os cortes não forem tão elevados não haverá consequências graves, se não houver cortes vai correr tudo bem”.
“A nossa preocupação é tentar influenciar tanto quanto possível para que não haja cortes, até de preferência que haja reforços e vai haver em algumas áreas, nomeadamente na ciência. E ao mesmo tempo também tentar perceber se esses cortes existirem, como podemos minimizá-los tanto quanto possível”, disse.
O coordenador do Gabinete sugere ainda que “no caso de haver cortes, e mesmo quando não há, existe outra via que é verificar como é que as regras de implementação de fundos comunitários podem ainda assim, apesar de haver constrições, ser positivas em relação aos Açores”, reforçando que “as verbas são importantes, mas a forma de implementação dessas verbas pode ter extraordinária importância e pode ser a diferença entre ter consequência muito negativas, ou só negativas ou até, quem sabe, positivas”.
Para Cardigos, numa avaliação do trabalho realizado até agora por este Gabinete, a presença de uma representação dos Açores em Bruxelas é “efetivamente justificada”.
“O nosso próprio trabalho e o retorno que vamos tendo é importante e interessa para a Região Autónoma dos Açores”, disse realçando que a vertente económica é importante pelo que se esta representação dos Açores não funcionar, “o que é uma coisa que me preocupa bastante, nós não devemos estar aqui porque é caro estar em Bruxelas”.
Neste sentido, o representante frisou que “se nós tivermos alguma hesitação em relação ao retorno financeiro devemos por em causa a nossa própria existência e parece-me que até agora não há”, aliás “têm havido algumas consequências bastante interessantes da nossa presença” em Bruxelas. 

Lido 143 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários