Os dados estatísticos do turismo dos Açores referentes ao primeiro semestre deste ano revelam um crescimento em todas as tipologias de alojamento, com destaque para o Alojamento Local, que cresceu 37,5% nos hóspedes e 32,5% nas dormidas.
O Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA) divulgou os dados do turismo referentes ao primeiro semestre de 2018, os quais mostram um crescimento de 5,3% nas dormidas em todas as tipologias de alojamento, com destaque para a contribuição do Alojamento Local, que teve um crescimento de 32,5% nas dormidas e um aumento de 37,5% nos hóspedes.
Segundo a Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, “a Terceira é a ilha onde se destaca mais este crescimento, muito embora a Graciosa tenha um crescimento superior - tem 85% no que diz respeito às dormidas - mas se considerarmos, também, os valores absolutos, a Terceira assume um destaque especial.”
Para a governante regional estes números resultam da “dinâmica que esta ilha [Terceira] tem tido em termos turísticos, para a qual de certeza que também contribuem, de forma significativa, as operações, quer dos Estados Unidos, quer de Espanha, que têm apostado na componente com os empresários, na área privada - uma resposta muito interessante da parte da oferta”.
No que respeita às dormidas na hotelaria tradicional, estas mantiveram-se praticamente inalteradas em relação ao período homólogo, destacando-se, no entanto, uma variação percentual de 12,5% na ilha do Pico, que corresponde a um incremento absoluto de 2.869 dormidas.
Por seu turno, o Turismo no Espaço Rural cresceu 10,7% em toda a Região, com o principal contributo da ilha de São Miguel, que teve um aumento de 1.468 dormidas, enquanto as Pousadas da Juventude foram a única categoria em que houve uma redução no número de dormidas, de -20,7% em toda a região.
Em relação à variação mensal global, Marta Guerreiro realça que, no “aspeto da sazonalidade, nós conseguimos crescer, efetivamente, mais nos primeiros meses do ano, ou seja, naqueles meses que ficam fora da época alta, contrariando a tendência da concentração dos fluxos no verão”, um movimento que se enquadra na estratégia de “crescimento sustentado”, que passa pela realização de "campanhas realizadas, precisamente, para dinamizar a procura dos Açores fora da época alta.
A responsável pela pasta do Turismo na Região Autónoma dos Açores sublinha ainda os “crescimentos muito significativos”, mas ressalva que é preciso “em termos de expectativas de futuro, ter uma análise muito pragmática e, sendo certo que mantemos o objetivo de continuarmos uma evolução positiva, não é, nem deve ser, expectável manter ritmos de crescimento tão acentuados quanto estes que verificámos nos últimos anos.”
Dormidas em alojamento local nos Açores crescem 32,5% no 1.º semestre
Desse mesmo relatório do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), verifica-se que as dormidas em alojamento local no arquipélago dos Açores aumentaram 32,5% no 1º semestre, com o aumento em número de hóspedes a atingir 37,5%.
O crescimento mais forte foi sentido na ilha Terceira, com aumentos de 78,8% nas dormidas (cerca de 13 mil) e 82,1% nos hóspedes (mais de quatro mil). Refira-se, a este propósito, que a ilha Terceira é a segunda da região com maior oferta de camas, dispondo de 1.829 em 327 unidades, sendo a primeira, São Miguel, com 1.059 unidades registadas e dispondo de um total de 5.543 camas.
Nas ilhas mais pequenas os números são outros – o Corvo, com quatro unidades registadas, tem 22 camas, na Graciosa existem 12 unidades com 46 camas e Santa Maria conta com 32 unidades, que têm 129 camas.
A ilha do Corvo foi a única que registou no primeiro semestre uma diminuição das pernoitas em relação ao ano anterior (-10,5%, isto é, menos 25 dormidas em alojamento local), enquanto, em sentido inverso, a Graciosa teve um aumento das dormidas em 85,9%, o que correspondeu a mais 171 dormidas que há um ano.
No total, segundo dados actualizados a 24 de agosto, os Açores têm 2.176 unidades de alojamento local registadas, mais 624 em relação que em dezembro de 2017.
Numa altura em que se discutem, a nível nacional, os impactos deste tipo de alojamento, o Governo Regional encara-o como um reforço muito positivo da oferta turística e da economia açoriana, sublinhando Marta Guerreiro as “grandes virtudes que o alojamento local tem tido”, apontando como exemplos a reabilitação urbana ou a “resposta muito rápida ao crescimento” que a região tem registado no turismo.
A este propósito a Secretária Regional destacou também uma “maior equidade na distribuição dos proveitos da economia”, já que este negócio faz com que “não só os grandes hotéis e as grandes cadeias beneficiem dos proveitos do turismo, mas também muitas famílias, muitos jovens, muitos trabalhadores por conta própria que investiram neste sector”.
Estes são também os benefícios apontados pelo presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA), Rui Correia, que considera que o crescimento da oferta deste tipo de empreendimentos turísticos é muito positivo para a região.
No seu entender, está-se “ainda a muitos anos” de uma situação de saturação que é já apontada nas maiores cidades portuguesas.
Fiscalização do alojamento local nos Açores aquém das expetativas
No que respeita à fiscalização deste tipo de alojamento, a Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA) considera que tem havido falta de fiscalização no setor e o Governo Regional admite que “não tem sido feito um esforço extraordinário” nesta área, mas afirma haver controlo.
Para o presidente da ALA, Rui Correia, o maior problema que o alojamento local enfrenta na Região é a falta de fiscalização, que permite o funcionamento ilegal de vários estabelecimentos. De acordo com Rui Correia, com o grande aumento do número de turistas nos Açores nos últimos anos, houve uma adaptação do setor.
“De um momento para o outro foi preciso acomodar essa gente toda que chegou aqui à Região”, afirmou, referindo que isso levou à inação das autoridades.
“Até aqui o que dá aquela sensação é que se assobiava para o lado”, acrescentou. Hoje, sublinhou, a situação não pode manter-se, pois “já passou este tempo todo e as autoridades têm de ser muito mais ativas”.
Para a Secretária Regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, “não tem sido feito um esforço extraordinário por parte da Inspeção Regional do Turismo a todos os tipos de alojamento”, acrescentando, todavia, que “tem havido um conjunto de iniciativas e muitas delas visam o controlo da informação que é disponibilizado nas plataformas de venda dos alojamentos”.
“Com base nesse trabalho que a Inspeção do Turismo tem feito, têm sido controladas dezenas de estabelecimentos, a maior parte deles, encaminhando para a sua legalização, o que tem sido conseguido. Nalguns casos, tem-se procedido ao seu encerramento e à impossibilidade de os mesmos continuarem a publicitar a sua oferta”, salientou a governante.
Refira-se que as novas regras para o alojamento local, publicadas no Diário da República em 22 de agosto, não abrangem a Região Autónoma dos Açores, que tem legislação própria sobre a matéria.