A Associação de Futebol da Horta (AFH) comemorou no passado dia 21 de outubro o seu 88.º aniversário, o qual, contando com a presença de vários dirigentes, quer associativos, quer dos clubes da sua área de circunscrição e de alguns jogadores, serviu para prestar várias homenagens mediante a entrega de diplomas a Sócios Beneméritos, Sócios Ordinários e os diplomas de Mérito Escolar aos jovens jogadores com melhor aproveitamento académico.
A sessão solene do 88.º aniversário da AFH juntou no mesmo espaço dirigentes associativos, dirigentes dos clubes da sua área de circunscrição e alguns jogadores, tendo-se procedido à entrega, nessa sessão, de diplomas a Sócios Beneméritos, Sócios Ordinários e os diplomas de Mérito Escolar aos jovens jogadores com melhor aproveitamento académico.
A abertura da sessão solene esteve a cargo de Eduardo Pereira, Presidente da Direção da AFH que deixou preocupações, anseios e pedidos que vão de encontro às necessidades dos clubes de futebol da AFH e da própria AFH.
Desde logo, salientando a “enorme crise de valores, falta de compromisso de muitos jogadores, agentes desportivos, pais encarregados de educação” e o “menor empenho e dedicação de todos os envolvidos neste fenómeno”, lembrou que todos juntos temos a “obrigação de ultrapassar estas dificuldades que são transversais a toda à nossa sociedade açoriana”.
Neste sentido, Eduardo Pereira destacou o papel da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)que através do “projeto 22, do processo de certificação de clubes e da criação da Football School University” encontrou ferramentas que ajudará muito o nosso futebol e a nossa sociedade com a formação de mais melhores agentes para o nosso futebol e melhoria da organização dos nossos clubes.
Dirigindo-se ao representante do Diretor Regional do Desporto, Eduardo Pereira disse que “as Associações de Futebol dos Açores, quer a FPF discordam da falta de apoio dos Açores às suas equipas vencedoras das taças associativas, sendo as únicas no país que não participam por direito próprio”.
“Os nossos clubes que passam por enormes dificuldades na sua globalidade a nível Açores pretendem ver algumas correções ao modelo de apoio à atividade de treino e competição. Esta legislação desportiva que regula os apoios financeiros tem tido diversas e boas alterações ao longo dos anos, mas na verdade requer uma atualização urgente face a novas exigências e cenários”, acrescentou o Presidente da AFH, a propósito do modelo de apoio existente na Região.
Eduardo Pereira alertou ainda os responsáveis para o facto de a Associação de Futebol necessita de mais espaço na sua sede para desenvolver melhor a sua atividade, aguardando a resposta “do Governo Regional dos Açores (GRA) na cedência do edifício”.
Dando uma palavra de apreço à arbitragem pelo enorme esforço que está a fazer na melhoria da qualidade destes agentes, lembrou aos presentes a dificuldade que existe na captação de novos elementos, dificultando a atividade desportiva.
Dirigindo-se ao Diretor da FPF solicitou que a Federação tenha em atenção as “dificuldades que os nossos clubes estão a sentir com a falta de Treinadores de nível 2 e ainda com a renovação das cédulas de treinador por falta de créditos” e “o não cumprimento de uma promessa da FPF da realização de um jogo por época de seleções nacionais na área de jurisdição da AFH”.
Por último, o Presidente da AFH pediu ao Vice-Presidente do Município da Horta que, quer este, quer os restantes municípios da sua área de abrangência, continuem a manter o apoio aos clubes e que se invista, em parceria com o GRA, nos campos de futebol.
Para Bruno Leonardo, Diretor de Serviços do Desporto da Ilha do Faial, em representação do Diretor Regional dos Desporto, o Governo Regional irá continuar “a desenvolver um trabalho em prol daquilo que são as necessidades quer dos clubes, quer das associações, e ir de encontro aos seus anseios sempre do possível”.
De acordo com este responsável trata-se de 88 anos de um trabalho meritório que tem feito com que muitos jogos de muitos atletas têm tido a possibilidade de praticar o futebol, não só na ilha do Faial, mas também na ilha do Pico, Flores e agora também na ilha do Corvo”, sendo de congratular o facto de esta ilha ter passado a ter um quadro competitivo ainda que adaptado.
“Continuaremos, como sempre, nesta parceria e a fazer todos os possíveis, tudo o que estiver ao nosso alcance, quer para dar as condições na sede da Associação de Futebol, como tendo vindo a dar ao longo destes anos, quer para apoiar ao nível das instalações desportivas, na cedência destas aos clubes da Associação, para os próprios treinos dos árbitros e das competições”, salientou Bruno Leonardo.
Usou, de seguida, da palavra o Diretor da FPF Rui Manhoso que começou por lembrar que já vem à ilha há muitos anos, pois “para lutar pelos vossos problemas, para conhecer uma realidade é preciso vir aos próprios locais, não é estarmos sentados numa secretaria da FPF que se conhece o que é esta realidade”.
Chamou, depois, a atenção para o facto de ter assistido a um jogo do distrital e ter constatado que aquele “campo era tudo menos campo, não era relvado, não era pelado, era ervado”, os quais já deixaram de existir, acrescentou.
Rui Manhoso lembrou que há pouco tempo houve a oportunidade de trazer à ilha um jogo da seleção A de futebol feminina, mas que infelizmente não se pode concretizar porque não havia campo em condições para jogos internacionais.
Na sua intervenção o Diretor da FPF alertou para a lei que está em vigor por causa das cédulas dos treinadores e que dificilmente pode ser cumprida pelos clubes, pois olha-se para todos os intervenientes no futebol menos para os próprios clubes, os seus dirigentes e para as suas realidades.
Será que os clubes têm condições para suportar estes custos tão elevados que são pedidos? questionou Manhoso, incentivando os clubes a manifestarem-se no local próprio que é a Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Futebol.
Para Rui Manhoso, nos Açores está-se perante associações que defendem os interesses dos seus associados pois “não são associações que vergam à primeira”, na medida em que “só conseguindo os objetivos que pretendem é que eles ficam satisfeitos, conclui o diretor da FPF que se deslocou ao Faial para participar neste aniversário.
Por último, discursou o Vice-Presidente do Município da Horta que pretendeu deixar apenas várias ideias importantes a ter em conta. Desde logo, a felicitação pela manutenção desta estrutura ao longo de 88 anos que tem vindo “a representar estas quatro ilhas e a representar os clubes de futebol, a pugnar para que as suas condições de atividade sejam melhores”, bem como a desenvolver esforços para que os jovens tenham capacidade de ter espaços alternativos onde possam aprender o que é trabalho de equipa, de grupo.
De seguida, Luís Botelho deixou uma palavra aos clubes pelo trabalho que conseguem fazer nesta ilha e nas restantes ilhas, informando que o Município está sempre ao dispor de os ajudar naquilo que são as necessidades.
Lembrou que o Município tem “vindo a melhorar os apoios no que diz respeito à formação e esse compromisso mantêm-se também para o ano de 2019 e que está espelhado no orçamento apresentado, procurando-se que até final do mandato estejam assumidas por parte do Município todas as despesas com a formação das modalidades”.
No âmbito desta sessão solene realizaram-se ainda diversas homenagens mediante a entrega de diplomas a Sócios Beneméritos, Sócios Ordinários e os diplomas de Mérito Escolar aos jovens jogadores com melhor aproveitamento académico.