Imprimir esta página
11
janeiro

Página Mensal da Delegação Regional da Ordem dos Psicólogos Portugueses

Escrito por  OPP
Publicado em Local

Nota de Abertura

Novo ano, nova janela de oportunidade

Ano após ano assinalamos as doze badaladas com doze desejos, na esperança que o novo ano nos permita realizar aquilo que andamos a adiar ciclicamente ou aquilo que acreditamos que nos irá fazer mais felizes. Muitos dos nossos desejos ficaram por realizar porque a labuta do dia a dia os remetem para um segundo plano. No entanto, ano após anos continuamos a acreditar que é possível fazer diferente, é possível mudar.
Será que é possível quebrar este ciclo? Será que é possível fazer diferente? Talvez… E se em vez dos doze desejos nos concentrássemos nas cinco coisas que são realmente importantes na nossa vida? Tire tempo para pensar sobre isto, particularmente se é a primeira vez que o faz. Não se deve deixar influenciar pelo que as pessoas que o/a rodeiam acham importante, nem escreva coisas só porque acha que “deveriam” ser importantes. É sobre si e apenas sobre si. É livre de escrever o que você gosta. Pode ajudar pensar em diferentes áreas da sua vida, tais como vida pessoal, vida profissional ou responsabilidades e vida social e tempo de lazer.
Sugiro que as escreva e durante o mês de janeiro as releia até encontrar a sua lista definitiva. É possível que os seus problemas ganhem uma nova perspectiva.
Feliz 2019! 

Maria Luz Melo

 

A Propósito do Natal: Solidariedade e Coesão Social

O Papel da Psicologia na Mobilização de Práticas Solidárias nas Comunidades Locais

A ideia de solidariedade aparece nas nossas práticas sociais, políticas e económicas, privadas e públicas, a partir do século XIX, enquanto novo laço e nova forma de relacionamento entre cidadãos, fortemente ligada às suas capacidades de participação nos processos de desenvolvimento de uma comunidade. Ligada, por esta razão, à ideia de democracia, a solidariedade tem assim um carácter transversal, abrangendo todos os cidadãos independentemente da sua origem, etnia, género, religião e classe social, afirmando a igualdade entre todos no respeito pela diversidade existente. Nesta lógica, a solidariedade substitui-se à caridade e à filantropia, onde alguns, que vivem numa situação de desafogo económico, cuidam de outros em períodos específicos, normalmente celebrativos, pressupondo não uma relação de igualdade, mas sim uma relação assimétrica que torna o outro dependente, gerando nele processos psicológicos e sociais de acomodação a práticas de subordinação e submissão. A solidariedade, como conceito, procura a rutura com este desígnio de dependência, contrapondo com a noção de elo social que pressupõe a existência de cidadãos livres, autónomos e capazes de criar um sistema universal de interdependências em direitos e deveres, fazendo emergir um ecossistema sociopolítico, assente em redes locais de reciprocidade e em redes públicas de suporte socioeconómico. Ser solidário, envolve assim, um propósito de apoio ao desenvolvimento pessoal, social e comunitário em que todo o cidadão é olhado com um ser autónomo com capacidades para adquirir competências que lhe permitam prover a sua própria vida. Neste sentido, a solidariedade é o elemento de referência de uma sociedade que procura garantir um futuro para todos, onde a coesão social se afirma como central. Em face dos problemas existentes nas nossas comunidades, urbanas e rurais, e das causas originadoras de desigualdade, nomeadamente a pobreza, a exclusão, a doença mental, o desemprego, o individualismo excessivo, entre outras, o conceito de solidariedade obriga-nos a recentrarmo-nos no desafio de conseguir uma vida de bem-estar para todos, com dignidade, justiça e equidade. Por esta razão, as práticas solidárias terão de ser capazes de afirmar uma clara visão interdisciplinar, onde a saúde, a económica, a educação, a ação social, a cultura e o ambiente se articulam na vida de todas as pessoas na construção de relações de reciprocidade, colaborativas e resilientes. Mas estas relações não emergem espontaneamente, tornando premente a mobilização de todos os atores locais na procura de uma justa distribuição dos recursos existentes. É neste processo de mobilização comunitária que a psicologia em geral, e em particular a comunitária, pode ter um papel fundamental como elemento desencadeador de práticas de valorização e reforço das competências individuais e coletivas, num processo de “emporwerment”, aumentando as capacidades de participação e de cidadania ativa, como um dos pilares fundamentais da solidariedade no apoio à integração social de todos. No entanto, o saber ser, estar e fazer que possibilita um caminho de inserção social, pode não ser suficiente. É necessário que a comunidade se organize para ser capaz de incluir, ajustando-se e adaptando-se para aceitar todos os cidadãos, independentemente dos seus problemas, integrando-os, de modo a que possam, de forma autónoma, ter uma vida a mais normalizada possível. A psicologia, neste processo torna-se fundamental, enquanto provocador de mudança nos diferentes ecossistemas da comunidade, criando mecanismos de cooperação e facilitação da integração e nunca para justificar ou confirmar que o problema está nos cidadãos, porque, nascendo menos competentes devem a ser sujeitos de caridade e não de capacitação. Nesta linha de pensamento, a psicologia deve centrar a sua ação no conceito de autonomia, expressando uma forma de agir que se afasta dos sistemas de organização heterónoma da sociedade e afirma-se no apoio à formação de competências que cada cidadão pode adquirir para determinar a sua própria vida e à emergência de processos colaborativos e conectivos de criação local de medidas que abandonem práticas sectoriais exclusivas e apostem em processos inclusivos de solidariedade sistémica com a vida, de e para todos. 

Artur Martins
– Psicólogo Educacional

 

Aconteceu

Representações DRA

A 30 de novembro, a DRA participou na Tertúlia Psicologia Sem Fronteira, organizada pelo Núcleo de Estudantes de Psicologia da UAc.
Nos dias 3 e 4 de dezembro, participou em Braga, no Seminário de Psicologia de Educação, organizado em conjunto com a Direção-Geral da Educação. Neste evento, foram discutidas e reflectidas as recentes alterações legislativas e documentos orientadores da prática e o impacto junto dos psicólogos em contexto escolar.

Lido 187 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários