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22
junho

Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel assinala 34 aniversário com lançamento de CD

Escrito por  Susana Garcia/Fotos DR
Publicado em Reportagem

No dia em que comemora 34 anos em prol da música tradicional do Faial o Grupo Folclórico de Pedro Miguel vai assinalar a data com o lançamento do seu primeiro CD, intitulado Ao Toque da Viola, e com a apresentação do novo portal.

Fundado a 23 de Junho de 1977, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel há 34 anos que representa o Faial e os Açores com o intuito de mostrar trabalho em todas as suas vertentes culturais, nomeadamente escola de folclore, canto, dança e representação etnográfica. Já percorreu todas as ilhas dos Açores, com excepção de Santa Maria, e várias zonas do país, levando nas suas deslocações o seu vasto repertório.

Na vontade de melhor preservar as tradições e a cultura popular, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro resolveu, em 1994, fazer uma reflexão aos trajes e costumes dos faialenses nos finais do século XIX e inícios do século XX.  Dessa reflexão surgem trajes mais representativos das várias actividades existentes na ilha, ou seja, o grupo introduz na sua representação etnográfica a mulher de capote, o pescador com a cana  e a cesta, o lavrador, a lavadeira com a celha, entre outros.

Considerado Instituição de Utilidade Pública a 20 de Dezembro de 2007, o grupo assinala no próximo dia 23 de Junho de Junho o 34.º aniversário com o lançamento do seu primeiro CD, Ao Toque da Viola, e com a apresentação do seu novo portal da internet.

Com 41 elementos, o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel vive um período de boa saúde, segundo a presidente da Direcção, Marlene Bettencourt, que fala com orgulho das actividades e projectos em mãos. Desses, o mais ambicioso é a Casa Etnográfica, em Pedro Miguel, que pretende albergar e expor o espólio que aquele grupo tem vindo a reunir. “Estamos a construir a casa etnográfica e esse é o nosso maior projecto. É para ser realizado a longo prazo, e não tem ainda data prevista para terminar. Queremos ir trabalhando à medida das nossas posses, e além disso esta obra depende também da ajuda de várias entidades”, referiu.

“Ao Toque da Viola”

Segundo Marlene Bettencourt, outro dos projectos importantes para o desenvolvimento e progresso do Grupo era a criação e o lançamento de um CD. Em 1999 que o grupo gravou uma cassete, intitulada Manter Tradições, suporte este que já entrou em desuso e era preciso actualizar. “O lançamento de um CD era um projecto necessário” revela a presidente, para quem concretizar este projecto não foi tarefa fácil. Marlene explica que foi necessário reunir muitos esforços mas o grupo pôs mãos à obra e o resultado está aí. Ao Toque da Viola apresenta um conjunto de 14 temas onde as vozes e os instrumentos utilizados são dos elementos do grupo, como explica esta responsável. Primeiro, “foi necessário efectuar contactos para conseguir uma pessoa que estivesse interessada em gravar o CD, e cuja proposta não excedesse muito o nosso orçamento”, revela. O grupo com Emiliano Toste, um experiente nesta matéria, que no mês de Abril se deslocou ao Faial  e em três dias conseguiram pôr de pé este projecto.

Para a presidente do Grupo, “o interesse e participação do Emiliano Toste no CD permitiram melhorar também um pouco o nosso trabalho, quer a nível de vozes quer ao nível dos instrumentos. Foram três dias de trabalho intensivo mas conseguimos concretizar e chegar ao final com um bom trabalho e que vai ser lançado agora da data do nosso aniversário”, disse. O Grupo tenciona pôr este trabalho à venda em vários locais da ilha, para os turistas e para a população em geral, e conta levá-lo nas suas actuações no Faial e nas deslocações ao exterior.

Ao Toque da Viola representa o folclore açoriano nas suas diversas influências, que remontam às origens dos povoadores das ilhas. No caso do Faial, a influência flamenga marca o folclore, e os bailhos do Grupo de Pedro Miguel, como é o caso de Lira. Nota-se também alguma influência brasileira. As referências ao mar são também uma constante, e podem ser encontradas em bailhos como Praia ou o Rema.

As 14 faixas do CD ilustram bem o repertório deste grupo: Bela Aurora, Lira, Sapateia, Tirana, Praia, Rama, Matias Leal, Preto, Manjericão e Meu Bem, bem como a indispensável e Chamarrita do Meio, tanto na sua versão instrumental como na sua versão cantada.

O Portal www.gfpedromiguel.pt

Divulgar a história deste Grupo um pouco por todo o mundo é também uma das prioridades desta Direcção, pelo que resolveram apostar na renovação do seu portal da internet.

Apesar de ainda não estar totalmente acabado, neste portal pode-se encontrar toda a informação sobre o Grupo Folclórico e Etnográfico de Pedro Miguel, desde a sua biografia às suas músicas, trajes, entre outros.

O Grupo pretende que este novo portal sirva também como um complemento à sua Casa Etnográfica, ou seja, disponibilizando alguns aspectos das vivências de outrora no Faial e da freguesia.

Preparar o grupo para actuar não é tarefa fácil

Embora o grupo tenha até então conseguido contornar os obstáculos próprios de uma instituição desta natureza, uma das suas principais dificuldades é o recrutamento de novos elementos, principalmente no que diz respeito ao sexo masculino. No entanto, e para fazer face a essa dificuldade, Marlene Bettencourt revela que existem algumas estratégias: “Todos os anos, no Inverno, nós fazemos uma busca entre amigos, conhecidos, entre as pessoas da própria freguesia, para recrutar novos bailadores”. É também de Inverno que o grupo faz funcionar a sua escola de folclore: “começamos com as chamarritas, e aí tentamos recrutar as pessoas mais aptas, convidamo-las a aprender outros bailhos para depois, se pretenderem, integrarem o grupo”.

Gerir um grupo de 41 elementos não é tarefa fácil mas, para Marlene, existe muita inter-ajuda: “todos estamos juntos para lutar por um objectivo, para que o grupo consiga resistir a todas as adversidades que vão surgindo e alcançar os seus objectivos” afirma a presidente.

Marlene reconhece que não é tarefa fácil juntar todos os elementos do grupo para ensaios. Mas, com planeamento e o esforço de todos, é possível ir preparando o grupo para as actuações que vão surgindo. “Os elementos do grupo tentam dar o seu contributo para que tudo corra bem e para que se consiga fazer as coisas” diz Marlene.

Com idades que vão desde os 13 aos 60 anos, os vários elementos do grupo juntam-se normalmente uma vez por semana para ensaiar. “De Verão nem sempre conseguimos realizar um ensaio semanal, devido às muitas actuações”, explica a presidente.

Quanto a saídas para fora da ilha, este ano o grupo não tem nenhuma planeada. “No ano passado fizemos um intercâmbio com um grupo da Madeira por isso este ano vamos actuar apenas nas festas locais e, possivelmente, na ilha do Pico”, onde o grupo marca presença assídua no Festival de Folclore das Bandeiras.

Associado ao Grupo Folclórico está o grupo de teatro ChamaRir, composto por elementos do grupo. Este actua principalmente no Inverno, quando as actuações do Grupo Folclórico são menos frequentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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