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29
julho

Atlantic Trophee: Luís Mota faz balanço positivo da participação do Air Mail na regata

Escrito por  Marla Pinheiro/fotos: Susana Garcia
Publicado em Reportagem

Organizada pelo Atlantic Yatch Club, a Atlantic Trophee realiza-se pela primeira vez este ano, ligando a cidade francesa de Douarnenez à Horta, numa prova destinada apenas a barcos clássicos. Os veleiros participantes já concluíram a primeira etapa, e estão agora no Faial, de onde zarpam de volta a Douarnenez no próximo dia 5. Entre os 14 barcos que participaram nesta primeira perna, há um especial: o veleiro faialense Air Mail, do skipper Luís Decq Mota, foi o representante açoriano na prova, e não deixou os seus créditos por mãos alheias: contou com um arranque auspicioso, e espreitou o pódio, onde poderia ter chegado, não fosse um problema técnico o ter obrigado a refrear o ritmo competitivo a partir do terceiro dia de regata, tendo levado à sua desistência, já perto da meta. Apesar disso, Luís Mota faz um balanço positivo desta participação.

Na Marina da Horta, ancorado no pontão C, o Air Mail salta à vista pela beleza das suas linhas e pelo contraste do casco branco e brilhante nas águas cintilantes e azuis. Quem assim o visse, não diria que trazia “cicatrizes de guerra” de uma viagem de 2620 milhas, de ida e volta, entre o Faial e a cidade francesa de Douarnenez.

A regata Atlantic Trophee destina-se a barcos clássicos, construídos antes de 1975. Construído em 1973, o Air Mail, companheiro de longa data de Luís Mota, reunia as condições ideais para integrar a regata, e em Setembro de 2010 o skipper iniciou os preparativos para a viagem, até porque havia muita coisa a fazer: “foi necessário fazer algumas modificações no barco, principalmente na parte electrónica. Tudo isto era muito velho, e já estava muito ultrapassado. Também precisava de umas velas novas, porque não podemos fazer uma viagem destas com apenas um jogo de velas”, conta.

Assim que decidiu participar na regata, Luís Mota decidiu também os moldes em que essa participação se faria: o Air Mail viajou até França, e integrou a primeira etapa da prova, fazendo o percurso entre Douarnenez e a Horta.

Mais que uma prova de competição, esta regata foi uma viagem de família. As saídas do Air Mail para o mar fazem-se em família, como nos conta Luís Mota, e esta viagem não foi excepção. O skipper não poupa elogios às aptidões náuticas dos restantes seis tripulantes do Air Mail nesta viagem: “são todos bons marinheiros, cada um com as suas características próprias. O meu irmão João, por exemplo, foi o nosso especialista de cozinha. Acabarmos um turno de mau tempo, às quatro da manhã, todos molhados, e sabermos que vamos ter chá e café quentinhos, com bolachas e sandes à nossa espera é muito agradável. Dá logo um ânimo diferente, pois com a barriga cheia ficamos logo mais satisfeitos”, conta.

Para o “homem do leme” desta viagem, mais do que um teste às capacidades de navegação dos tripulantes, esta viagem é, acima de tudo, um teste à capacidade de interacção do ser humano: “éramos sete indivíduos, fechados durante um mês dentro do barco, a conviver diariamente. Nestas circunstâncias, habituamo-nos a perceber que não estamos sozinhos no mundo, que o nosso espaço interfere com o espaço dos outros e que temos de ter essas coisas em atenção”.

A Atlantic Trophee zarpou da França no dia 14 de Julho, e o Air Mail brilhou no arranque da prova: “fizemos uma boa largada, e o primeiro dia foi magnífico. Tivemos uma noite espectacular, de mar chão”, conta. Nestas circunstâncias, o Air Mail portou-se bem e velejou no grupo dos mais rápidos. No entanto, nem tudo foram rosas na viagem, que ao terceiro dia trouxe um percalço, à saída do Golfo da Biscaia: “o vento e o mar foram crescendo, e no sábado apanhámos ventos de 30, 35 nós, e mar de 5, 6 metros, muito desencontrado”, lembra Luís Mota. Segundo o skipper, terá sido num batimento de uma vaga especialmente duro para o Air Mail que o apoio de um dos brandais (cabos que fixam o mastro) cedeu, o que obrigou a tripulação a refrear o andamento.

Quando o vento faltou, no entanto, foi preciso tomar uma decisão: “sem vento, para manter o barco a andar teríamos de subir o spi, o que iria puxar muito pelo brandal danificado”, conta. A bordo do Air Mail, o regime é democrático, por isso a decisão de ligar o motor foi a referendo, apesar da palavra final ser a do skipper. Como confessa, o espírito competitivo de Luís Mota não lhe é inato, mas faz-lhe umas visitas ocasionais: “depois de estarmos a competir não gostamos de perder!”, adianta, com boa disposição. 

Agora, o Air Mail está à espera de um check up completo. Para além do brandal, há algumas outras reparações a fazer, por isso Luís Mota pensa que o barco não voltará a velejar tão cedo. Para o skipper, será particularmente penoso ver o Air Mail na Marina durante as provas náuticas da Semana do Mar e, acima de tudo, durante a Atlantis Cup, que zarpa na segunda-feira. É que o Air Mail é um histórico da Regata da Autonomia, sendo mesmo o barco que por mais vezes participou nesta regata.

O skipper do Air Mail já pensa em novas aventuras, até porque agora o barco está comprovadamente preparado para navegações ambiciosas: “Um dos meus sobrinhos diz-me: ‘ tio, agora que tens o barco bem aparelhado não podes ficar parado, tens de aproveitar’”, conta, e confessa que é isso quer fazer, provavelmente no próximo Verão, numa viagem até às Canárias.

Em relação à Atlantic Trophee, e à possibilidade de, numa próxima edição da regata, voltar a rumar a Douarnenez para participar, Luís responde com um sorriso: “havemos de pensar nisso, mas dessa vez iremos com os brandais todos reforçados”.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 29.07.2011, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

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