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04
agosto

Festival Internacional de Vela Ligeira - A festa no mar é deles

Escrito por  Marla Pinheiro/fotos:Susana Garcia
Publicado em Reportagem

Das muitas componentes que constroem a Semana do Mar, a parte náutica é, sem dúvida, a principal, ou não fosse ela a razão de ser da festa. Este ano, vai para o mar, pela sexta vez consecutiva, o Festival Internacional de Vela Ligeira, organizado pelo Clube Naval da Horta (CNH).

As expectativas são elevadas, até porque este ano o Festival acolhe também a primeira prova do Campeonato Regional de Vela Ligeira. São esperados velejadores da Região, do Continente e de Espanha, responsáveis por colorir a baía com as pequenas velas características da vela ligeira, num total de cerca de cem embarcações.

Tribuna das Ilhas conversou com Luís Paulo Moniz, responsável pela Secção de Vela Ligeira no CNH, sobre este Festival. Organizá-lo não é tarefa fácil, reconhece, no entanto o espírito de voluntariado e o entusiasmo dos aficionados da vela no Faial são uma ajuda essencial para ultrapassar as dificuldades, e comprovam que esta Horta é, cada vez mais, uma cidade mar.

A vela ligeira é porta de entrada de muitos jovens no desporto náutico. No Faial, a modalidade tem grande expressão, muito por força da dinâmica que lhe tem emprestado o CNH.

Nos escalões de infantis, esta agremiação náutica detém 52% das licenças desportivas da Federação Portuguesa de Vela na Região. Em Juvenis, o CNH, com 19% das licenças desportivas da Federação Portuguesa de Vela, é o segundo clube regional com mais velejadores federados. Neste momento, o Naval da Horta é, em todo o país, o clube com mais velejadores federados, no somatório dos escalões de Infantil/Juvenil.

De acordo com Luís Paulo Moniz, o CNH conta actualmente com cerca de 60 jovens velejadores inscritos. Desses, 40 praticam vela regularmente.

Numa ilha com a dimensão do Faial, os números são animadores, principalmente porque têm assistido a uma tendência de crescimento. De acordo com o responsável, o Naval da Horta desenvolve várias acções nesse sentido: “ o clube faz um programa de férias desportivas, que actualmente tem cerca de cem miúdos inscritos. Aproveitamos a sua presença para fazer aulas de vela ligeira. Muitos gostam e acabam por ficar na escola de vela. Temos também algumas acções de divulgação, através do site, de newsletters e trazendo cá escolas”, conta.

Luís Paulo explica que não há idade mínima para ingressar nas escolas de vela. Qualquer criança pode aprender a velejar, desde que já saiba nadar. 

A maioria dos atletas do Naval da Horta chega ao clube com cerca de 6 anos, e começam a praticar na classe de Optimist. Aos 15, começam a competir nas classes Laser, 420 e L’equipe. 

Engane-se quem pensa que a vela ligeira é apenas uma brincadeira de miúdos. Os velejadores são crianças, é certo, mas trabalham como gente grande. Durante o Verão, a escola de vela é encerrada apenas aos domingos. Durante os períodos lectivos, encerra durante a semana para funcionar aos sábados e domingos.

Segundo o responsável pela secção, os jovens velejadores dividem-se em dois grupos: o da Iniciação, em que os atletas têm o primeiro contacto com o barco e passam por um período de adaptação até conseguirem navegar, e o da Competição, onde os velejadores já dispõem de aulas técnicas, e de outro tipo de interacção com o barco, sendo o treino já voltado para a componente competitiva. De manhã, funciona a Iniciação. Há tarde, é tempo de preparar a Competição.

Os jovens velejadores faialenses gozam de condições ímpares para a prática da modalidade, como reconhece Luís Paulo: “temos condições fantásticas para a prática de desportos náuticos, quer dentro da baía, quer no exterior, e aproveitamos todo esse espaço. Temos um óptimo campo de treino dentro do porto da Horta, ideal principalmente para os miúdos da Iniciação, e temos um campo de regata excelente, na baía exterior do porto da Horta, ideal para a Competição”. 

Festival Internacional de Vela Ligeira e primeira PCR animam baía na Semana do Mar

O Festival Internacional de Vela Ligeira organizado pelo Naval da Horta durante a Semana do Mar conta este ano com a sua sexta edição, e vai para o mar nos dias 8, 9 e 10. Ao longo dos últimos anos, tornou-se uma das referências do Festival Náutico, e, em 2011, o CNH vê os seus esforços premiados de uma forma especial: é que este ano, após uma candidatura do clube faialense apresentada à Associação Regional de Vela dos Açores (ARVA), ficou decidido que o Faial recebe a primeira Prova do Campeonato Regional (PCR) de Vela, integrada no Festival de Vela Ligeira.

Luís Paulo Moniz não duvida de que esta será uma óptima experiência para os jovens velejadores da Região: “é bom porque os clubes tiram proveito da presença de outros velejadores do continente e de Espanha, é bom pela troca de experiencias, pela competitividade, pelo convívio... É sem dúvida uma mais-valia, a nível desportivo e não só”, considera.

Este ano são esperados 10 participantes espanhóis no Festival Internacional de Vela Ligeira, vindos dos clubes de Canido e Tenerife. Do continente português chegarão 30 velejadores, vindos de Leça, de Aveiro e do Clube de Vela Atlântico, de Leixões. A estes, juntar-se-ão mais de 60 atletas vindos dos clubes náuticos da Região. Desta forma, são esperados cerca de 100 barcos na baía, que prometem trazer um colorido especial a esta festa do mar, bem visível àqueles que a acompanham de terra.

Este ano o Festival de Vela Ligeira conta com uma grande aposta não apenas na componente desportiva e competitiva mas também na parte lúdica e educativa.” Era um desperdício da nossa parte termos aqui todos estes miúdos e não apostarmos também sua educação e no convívio”, explica Luís Paulo. Para tal, foi montada uma tenda junto à sede do CNH, onde decorrerão várias actividades, e também onde os velejadores farão as refeições, após as provas no mar. A Biblioteca Pública recebe também duas palestras para os jovens atletas: uma sobre os desafios de uma competição saudável, mais concretamente sobre a gestão da ansiedade, da responsabilidade da Oceanoscópio, e outra da responsabilidade da Rede de Educação Marinha dos Açores,  intitulada “Na rota do vento e das ondas”, e relacionada com biodiversidade marinha dos Açores, abordando temas como a poluição, a pesca ou o ambiente.

Leia a reportagem completa no suplemento Especial Semana do Mar da edição do Tribuna das Ilhas de 5.08.2011, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário

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