
Quem não se lembra do acidente que ocorreu na tarde de domingo do dia 4 de Maio de 2003 que deixou a população faialense transtornada. A viatura do Clube Desportivo Cedrense, que transportava sete jovens que iam participar no Torneio de Encerramento do Campeonato da Associação de Futebol da Horta (Juniores A), contra o Atlético despistou-se devido ao rebentamento de um pneu e provocou um ferido grave e quatro feridos ligeiros.
O jovem ferido com mais gravidade foi Sílvio Nogueira de 19 anos. Apresentava uma fractura ao nível da coluna, que deixou lesões irreversíveis que o deixaram paraplégico.
Até à data do acidente o Sílvio era um jovem normal como tantos outros, talvez um pouco mais rebelde, segundo aqueles que de perto conviviam com ele. Trabalhava na construção civil e praticava desporto. O futebol e o atletismo eram a sua paixão.
Sílvio nasceu na Ilha Terceira. Iniciou a sua formação no Futebol, nos clubes Angrense, Lusitânia e Marítimo de Corpo Santo. Mais tarde, aos 10 anos de idade veio viver para o Faial com a sua família, onde continuou a sua carreira futebolística. Jogou em vários clubes da terra desde o Atlético, Fayal Sport, Cedrense e Salão. Actualmente reside em Vila Nova de Gaia e é praticante federado de Basquetebol e pratica Danças de Salão.
Tribuna das Ilhas, que aproveitou a sua presença na ilha, como um dos convidados de honra da Gala do Dia Internacional da Pessoa com deficiência, para falar com o jovem e tentar saber o que mudou na sua vida nestes oito anos passados do acidente.

Foi com muita naturalidade e boa disposição que Sílvio nos recebeu à entrada da Escola Secundária Dr. Manuel de Arriga, onde por sua sugestão iríamos fazer a entrevista no campo de basquetebol do complexo Desportivo, espaço onde se sente em casa.
Para o Sílvio a cadeira de rodas é só uma forma diferente de se descolar, porque de resto considera-se uma pessoa normal, com uma vida normal, em que os seus dias são preenchidos entre o trabalho, os treinos de basquetebol e as danças de salão. Como ele próprio afirma quando questionado sobre as suas principais sequelas ou limitações: “Eu digo que não tenho nenhuma. A única coisa que mudou foi em relação maneira de me deslocar antes deslocava-me pelos meus próprios pés agora desloco-me sobre a cadeira de rodas. De resto é tudo igual”.
Actualmente com 27 anos de idade Sílvio é um jovem bem disposto, com uma vida normal como ele próprio refere. É funcionário do quadro na Metro do Porto, estudou desenho, medição e orçamentação e considera-se um “faz tudo”.

Começámos a nossa conversa por pedir ao Sílvio que nos falasse um pouco da sua vida antes do acidente. Muito prontamente respondeu: “Sou natural da Terceira. Vim para o Faial viver com a minha família aos 10 anos de idade, cresci como uma criança normal. Até então a minha vida era como a de qualquer jovem. Trabalhava, praticava desporto” remata.
Sílvio era nessa altura um jovem descontraído, com poucos projectos para o futuro, mas depois do acidente a sua vida deu uma volta de 360 graus, começou a encarar a vida de outra forma.
Quando questionado sobre o que mudou na sua vida depois do acidente? Sílvio responde que “muita coisa”. A sua maneira de encarar a vida mudou completamente, passou a dar mais valor às coisas, “comecei viver a vida com mais certeza com mais garra, para tentar aproveitar cada dia, cada momento, cada minuto. Não digo que já não o fizesse, aliás já o fazia antes de ter o acidente, mas comecei a encarar de maneira diferente a tentar a aproveitar melhor a vida” acrescenta.
Perguntámos qual tinha sido para ele a altura mais difícil: o momento após o acidente ou mais tarde já a fase de recuperação?
Sílvio frisou que quando se apercebeu exactamente o que se estava a passar… “Quando eu tive o acidente e pensei que era um bocado de gesso aqui outro ali e com os medicamentos tudo isto vai ao sítio. Mas com a evolução dos acontecimentos e quando tive consciência daquilo que se estava a passar na realidade foi um choque grande”.
Leia a reportagem completa na Edição impressa do Tribuna das Ilhas de 9 de Dezembro de 2011 ou subscreva a Assinatura Digital