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No âmbito do projecto “Já falou com o seu filho hoje?”, da Associação de Pais da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA) o psicólogo Fernando Pinto esteve na passada semana na ESMA para ensinar os jovens a estudar melhor e também para ajudar os pais a, por sua vez, ajudarem os seus filhos a estudar.
O projecto “Já falou com o seu filho hoje?” surgiu da preocupação em fomentar um melhor relacionamento entre pais e filhos na ESMA. Para a Associação de Pais deste estabelecimento de ensino, esta iniciativa visa também contrariar a ausência dos encarregados de educação na escola.
Assim, no dia 16 de Março Fernando Pinto falou aos jovens sobre como podem estudar de forma mais eficaz e, dessa forma, gastando até menos tempo de estudo. Já no dia 17 a intervenção do psicólogo e professor de psicologia do ensino secundário orientou-se para os encarregados de educação. Nestas sessões, Fernando Pinto deixou também vários conselhos aos professores.
Em conversa com o Tribuna das Ilhas, o psicólogo explicou que a sua ideia passou por transmitir aos jovens que “aprender muito e ter boas notas”, apesar de parecer “uma coisa muito complicada”, pode ser possível “sem grande esforço”.
“Hoje em dia temos tendência de trabalhar com muito desperdício”, refere o psicólogo, explicando que o que pretende ensinar aos alunos é, precisamente, “como reduzir esse desperdício”. A receita de como gastar menos horas e, simultaneamente, conseguir um trabalho escolar mas eficaz é bastante aliciante para os jovens, que se mostraram bastante interessados naquilo que Fernando Pinto lhes veio dizer.
Para o professor, é importante mostrar aos jovens que “o essencial para uma boa aprendizagem é a atenção”. O psicólogo explicou como é possível trabalhar a capacidade de prestar atenção através de alguns exercícios: “são muito simples, pequenas coisas que se podem fazer em qualquer altura do dia e em qualquer lugar, que parecem não ter nenhum valor, mas que são de um potencial tremendo” para ajudar os jovens a fomentar a eficácia do seu estudo.
“A aprendizagem tem três fases: a fase em que nós adquirimos os conhecimentos, que é a fase de estar nas aulas; a fase do processamento da informação que recebemos, que é o estudo em casa; e a terceira fase - a mais crítica - que é a certificação dos conhecimentos, quando os professores nos avaliam nos exames ou nos testes”. Ao ensinar os alunos a trabalhar a sua capacidade de estar com atenção, Pinto está a ajudá-los com a fase inicial, que é a mais importante. Para explicar este facto, o psicólogo recorre ao ditado popular que diz que “não se fazem omeletes sem ovos”: “a aula é fase em que juntamos os ovos, o estudo em casa é a altura em que metemos os ovos na frigideira para fazer a omelete e depois vem a certificação, que é quando os nossos amigos provam a omelete e nos dizem se está boa ou não. No fundo o que eu procuro mostrar é que é fácil aprender a juntar os ovos e conseguirmos os ingredientes para fazer uma boa omelete”, refere.

O docente explica que a primeira reacção que os alunos têm em relação a estas ideias “é de descrença”: “eles pensam que isto é simples demais para ser verdade”, diz. Quando lhes mostra exercícios concretos de como melhorar a atenção, no entanto, o caso muda de figura: “fizemos um exercício muito simples que foi centrar a atenção numa imagem que passa durante um minuto fazendo-se depois perguntas sobre essa imagem”. Depois deste exercício os alunos foram capazes de perceber que a sua atenção pode ser exercitada de forma simples: “na próxima vez que tiverem de estar atentos a qualquer coisa já vão pôr em prática este ensinamento”, explica o psicólogo.
Tirando partido do facto de professores e alunos estarem na mesma sala, Fernando Pinto deixou alguns desafios aos docentes da ESMA, no sentido de aplicarem alguns dos exercícios por ele apresentados às matérias leccionadas, para ajudar os estudantes a exercitarem a atenção.
Leia esta reportagem completa na Edição do Tribunna das Ilhas de 23 de Março de 2012, ou subscreva a nossa assinatura digital