
O Movimento Guidista surgiu em 1910, com o objectivo de formar jovens mulheres, quando o Escutismo estava reservado apenas aos rapazes. Hoje, existem cerca de 10 milhões de guias, espalhadas por 145 países. A expressão que o guidismo alcançou em todo o mundo fez com que a comemoração do seu centenário ganhasse um relevo especial. Assim, desde 2010 que o movimento está em festa, com as comemorações a prolongarem-se até 2012.
Em Portugal, o guidismo surgiu em 1931, com a fundação da Associação Guias de Portugal. No Faial, o movimento apareceu na freguesia das Angústias, em 1970, altura em que foi fundada a 3.ª Companhia – Horta. Hoje, 42 anos depois, o movimento guidista continua vivo e bem de saúde na ilha Azul, onde existem neste momento 48 guias, número que faz da Companhia faialense a mais participada dos Açores.
Na passada terça-feira, dia 10 de Abril, as guias faialenses associaram-se às comemorações do centenário a nível mundial, que decorrem no centésimo dia de cada ano desde 2010. A festa juntou actuais e antigas guias num convívio no pavilhão da Sociedade Recreativa Pasteleirense. Tribuna das Ilhas aproveitou a celebração para conversar com as chefes da Companhia faialense e saber mais sobre este movimento.

Sob a divisa “Sempre Alerta”, o guidismo continua, cem anos depois do seu aparecimento, reservado ao sexo feminino. As meninas podem ser ingressar nas Guias com seis anos. Dessa idade e até aos dez anos são Avezinhas. Entre os 11 e os 13 anos passam a ser Aventuras, dos 14 aos 16 são Caravelas e dos 17 aos 21 são Moinhos. As suas fardas, com os típicos lenços enrolados, e a sua divisa fazem com que sejam frequentemente confundidas com os Escuteiros. As semelhanças existem, no entanto ser guia é bem diferente de ser escuteira, como explica Sofia Medeiros, chefe das Avezinhas: “enquanto que os Escuteiros formam rapazes e raparigas, as Guias têm por objectivo proporcionar às raparigas e jovens mulheres, através de uma educação não formal, a possibilidade de desenvolverem as suas capacidades para se tornarem cidadãs universais responsáveis”, diz.

Rosa Melo é a chefe da Companhia faialense. Ingressou nas Guias com 11 anos, aquando da formação do grupo na freguesia das Angústias, Ao Tribuna das Ilhas, conta como surgiu o movimento no Faial: “nessa altura o Corpo Nacional de Escutas já estava formado no Faial, reservado a rapazes, e as namoradas dos chefes de então resolveram fazer-lhes uma surpresa e fardaram-se como eles. Esse grupo não chegou a fazer promessa mas uma dessas raparigas, a Luísa Teresa, que hoje está na América, acabou por formar um grupo de Guias, e tornou-se a primeira chefe”.

Quando a companhia faialense foi fundada, era frequente a realização de actividades comuns com os Escuteiros, hábito que se perdeu quando o Escutismo passou a misto. Rosa recorda que as actividades de então eram em tudo semelhantes às realizadas hoje em dia, com destaque para os acampamentos e acantonamentos, que geravam muito entusiasmo entre as jovens. “Hoje qualquer pessoa pode ir acampar, mas naquela altura não era assim. Par dormir numa tenda tínhamos de estar nas Guias ou nos Escuteiros”, recorda.

Como Rosa, a maior parte das chefes das Guias faialenses ingressaram no movimento em crianças. E foram ficando. Para a chefe da Companhia, não é fácil explicar o que a faz continuar este trabalho voluntário após tantos anos: “gosto muito disto e há sempre qualquer coisa que me faz ficar”, diz.
Todas as chefes trabalham ou estudam. A isto juntam-se os afazeres domésticos, os filhos, os maridos e namorados, e as 24 horas do dia parecem ser pequenas para tanto que fazer. Mas arranjam sempre tempo para as Guias. E quando falamos em tempo para as Guias não estamos apenas a referirmo-nos às tardes de sábado, dia da reunião semanal das chefes com as guias. Quando é preciso preparar acampamentos ou outras actividades as chefes reúnem-se várias vezes por semanas, por vezes pela noite dentro, e trocam incontáveis e-mails e telefonemas. Dores de cabeça gratuitas e noites mal dormidas são, no entanto, compensadas quando as actividades correm bem. Diz-se que quem corre por gosto não cansa, e é isso mesmo que as chefes das Guias sentem.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 13.04.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário