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31
julho

João Castro, presidente da CMH: "Há um apetite pelo mar"

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Publicado em Local

A Semana do Mar 2010 está na rua, e promete dias de animação no Faial, com música, gastronomia, tradição e, acima de tudo, muito mar, ou não fosse o palco do maior Festival Náutico do país. Nas vésperas do arranque oficial, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com o presidente da Câmara Municipal da Horta, entidade que coordena o Grupo de Trabalho de Apoio à Semana do Mar. João Castro reconhece que este ano o programa se fez com constrangimentos financeiros inesperados, com menos 10 mil euros que no ano passado, para além da situação global de crise económica. Apesar disso, o edil está optimista em relação à próxima semana, e coloca a tónica nas actividades que se desenvolvem no mar. João Castro quer os faialenses ainda mais mergulhados no azul da baía, apesar de se congratular com a atenção que estes já dispensam ao Festival Náutico. O autarca considera que no Faial “há um apetite pelo mar”, e esta Semana do Mar, com mais de 50 eventos náuticos programados, promete dar vazão a esse apetite.

 
Em 2009 a CMH apoiou a realização da Semana do Mar com 150 mil euros. Este ano, a não aprovação do imposto municipal Derrama levou a que o orçamento camarário destinado à SM sofresse um corte de 10 mil euros. Segundo João Castro, e tendo em conta o já difícil cenário global de constrangimentos económicos, esta machadada no orçamento não foi fácil de ultrapassar, e o autarca não se conforma com as causas que estiveram na sua origem. Para João Castro, a redução do orçamento da SM resulta de uma “garotice” do PSD, que inviabilizou a aprovação da Derrama na Assembleia Municipal da Horta, o que o autarca entende ter sido “uma posição pouco construtiva”.
O facto da Semana do Mar 2010 contar com menos recursos fez com que, logo de início, os responsáveis pela organização dedicassem uma preocupação especial a “manter a qualidade do programa”. “Fizemos um orçamento realista, tentando manter a atractividade do programa neste contexto de contenção. Penso que isso foi conseguido com sucesso”, explica João Castro, destacando a tónica local impressa no cartaz da SM 2010.
Uma das valências da festa onde são esperadas mais novidades é o Parque da Juventude, que funcionará no Parque da Alagoa. Este ano, a CMH juntou-se à empresa Universo da Festa, confiando-lhe a organização desta parte da SM. Desta parceria resultaram várias ideias novas, com especial destaque para a eleição da Rainha da festa, o que João Castro vê com bons olhos: “a rainha da Semana do Mar poderá integrar não apenas o desfile mas também uma série de outras actividades, inclusive a promoção da Festa”, diz.
O edil orgulha-se dos casos de sucesso nas parcerias entre a autarquia e as empresas locais no que diz respeito à SM, não só no Parque da Juventude mas em várias outras valências. João Castro considera que “o empresariado local se envolve bastante na Semana do Mar”. Para o autarca, esta atitude é louvável, até porque reconhece que “muita da logística da Semana do Mar obriga os empresários a constrangimentos e dificuldades difíceis de ultrapassar”, tendo em conta as alterações que envolve no quotidiano da cidade da Horta.
A participação dos empresários locais na Semana do Mar reflecte-se também na Feira Gastronómica, integrada por dois restaurantes locais (Victor dos Leitões e Barão Palace). “A feira gastronómica é uma aposta ganha, e pretende ser um serviço tanto para aqueles que nos visitam como para os locais”, explica João Castro, daí a conciliação entre restaurantes locais e visitantes.
Para o presidente da CMH, a Feira Gastronómica não veio prejudicar as tasquinhas, antes pelo contrário: “os restaurantes trouxeram mais-valias às tascas, porque obrigaram-nas a melhorar as condições de higiene, o serviço, a inovar em alguns pratos… Felizmente a maior parte das pessoas que costuma explorar as tascas reagiu bem a esta competição”, entende.
O que não é muito saudável para as tasquinhas da SM é a crise. Este ano, o número de locais a candidatar-se à exploração destes espaços diminuiu, e para João Castro esta situação terá sido causada pela actual conjuntura económica. “Apesar disso, conseguiram arrematar-se todas as tasquinhas, no entanto praticando preços mais baixos que o costume”, diz.
Apesar da SM já ter o seu modelo sedimentado, João Castro entende que existem problemas por resolver. O estacionamento é um deles, bem como a compatibilização do espaço em que decorre a SM com a própria dimensão da festa. Neste prisma, começa-se a entrar num cenário em que há que “meter a igreja na sacristia”, pois a SM começa a ser grande demais para o espaço onde se realiza: “este evento já ultrapassou claramente a dimensão que aquele espaço consegue suportar”, considera João Castro.
 
Concertos pagos só com um recinto diferente
A evolução de algumas das festas de Verão da Região para o conceito de concertos pagos, como de resto aconteceu este ano nas Sanjoaninas, ilha Terceira, faz com que seja inevitável perguntar se a SM poderá evoluir também nesse sentido. João Castro lembra que já se fez uma experiência, no Parque da Juventude, no entanto esta não foi bem sucedida, porque o espaço não reunia condições para tal. “Para fazermos concertos com entradas pagas temos de dotar os recintos de condições adequadas. Ou deslocamos a festa para outro local ou adequamos o espaço que temos para que os concertos possam ser pagos”. Ora, optar pela segunda hipótese em relação à SM é bastante inviável, pelo que enquanto a disposição da festa for a actual, os concertos deverão continuar a ser gratuitos. No entanto João Castro entende ser inevitável que, no futuro, os concertos acabem por ter entradas pagas.  
 
Centenário da República dá mote a Corso da SM
2010 é o ano do centenário da República, e a cidade-berço de Manuel de Arriaga, primeiro presidente eleito da República, não podia deixar de assinalar a efeméride na sua maior festa. Assim, este ano o Corso da Semana do Mar, onde participam as freguesias da ilha, é subordinado ao tema “100 anos de República; 100 anos de História”.
 
“A componente náutica é o motivo da festa”
Para João Castro, quando se fala de SM é importante manter o enfoque no Mar, até porque o Festival Náutico é a razão de ser desta festa; a sua essência, em suma, aquilo que a torna algo ímpar no contexto nacional. “A Semana do Mar conta com mais de 1000 participantes nas actividades náuticas! Se a essência da Semana do Mar é a componente náutica nós quando reflectimos esta festa temos de o fazer por esse prisma”, entende.
No entanto, o autarca reconhece que a generalidade da população faialense não se apercebe, por vezes, da dimensão do Festival Náutico. João Castro quer, por isso, ligar ainda mais os faialenses ao mar. “Queremos levar os faialenses a fazer vela, a ir ver baleias, a ligar-se ao mar no seu quotidiano. Já assistimos a uma grande participação na festa ligada ao mar. Temos mais de 50 eventos náuticos, regatas internacionais… Há um apetite pelo mar que se está a consolidar”, considera.

Leia a reportagem completa no ESPECIAL SEMANA DO MAR do Tribuna das Ilhas, que acompanha a edição impressa de 30.07.2010

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