Imprimir esta página
16
junho

Cozinheiros Michelin no Faial para promover peixe dos Açores

Escrito por  Marla Pinheiro/fotos:Susana Garcia
Publicado em Local

 O peixe é rico em proteínas com mais valor nutritivo que as carnes vermelhas, tem uma percentagem de gorduras geralmente menor que a carne de porco e de vaca, uma série de vitaminas importantes, como a D, a A e a E e alguns minerais. É também rico em ómega 3, que proporciona benefícios à saúde, como a diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral, a redução da pressão arterial e do colesterol, proporcionando ainda uma acção anti-inflamatória. A juntar a estas vantagens, o peixe dos Açores tem ainda a fama de ser delicioso e, nas ilhas, facilmente chega fresco às mesas. Trata-se portanto de um produto com potencial, potencial para o qual a autarquia, aliada à Câmara do Comércio e Indústria da Horta, quer sensibilizar os restaurantes faialenses. Nesse sentido, criou o projecto “O Peixe é Fish”, que trouxe ontem ao Faial dois cozinheiros Michelin para mostrar aos restaurantes da ilha algumas técnicas de preparação de peixe.


As estrelas Michelin são os “Oscares” da cozinha, se quisermos fazer um paralelismo entre as artes da culinária e as artes cinematográficas. Em Portugal, por exemplo, existem apenas seis chefs premiados com as tão desejadas estrelas, cinco no Continente e um na Madeira. Na tarde de ontem, o restaurante Barão Palace recebeu dois chefs Michelin, vindos da Galiza. Javier Gonzalez e Rafael Moyer vieram ensinar a alguns empresários da restauração local algumas técnicas preparatórias para o uso do peixe. A ideia foi da Câmara Municipal e da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, que pretendem sensibilizar os restaurantes locais para os produtos do mar, levando-os a incluir mais peixe nas suas ementas.

“Este atum é maravilhoso. Quase que me apetece metê-lo na mala e levá-lo comigo”, disse um dos chefs, em tom de brincadeira, perante o olhar atento dos empresários locais, enquanto mostrava como cortar o peixe em filetes. Os chefs galegos não pouparam elogios ao peixe açoriano. E de peixe, certamente, percebem eles, já que a Galiza é uma região rica em peixe, e muito do que lá chega é pescado nos mares dos Açores.

Para a maioria dos cozinheiros, o peixe é o produto mais difícil de trabalhar numa cozinha. É difícil escolhê-lo, é difícil arranjá-lo e é difícil cozinhá-lo correctamente, já que o peixe é muito sensível à cozedura. No entanto, superadas essas dificuldades, o peixe compensa, como já vimos, pelas suas propriedades nutricionais, pelo seu sabor, e pela variedade de formas como pode ser apresentado às papilas gustativas dos comensais.

Agora, os restaurantes da ilha podem inscrever-se para, num período de 90 dias, recriarem alguns pratos típicos de peixe ou desenvolverem outros. Depois, no final do Verão, os pratos serão submetidos à apreciação dos chefs Michelin, que lhes poderão atribuir, caso notem qualidade no que encontrarem, menções de Prato Recomendado.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal da Horta, o que se pretende com esta iniciativa é que a restauração local possa tirar mais proveito do peixe dos Açores, e, principalmente, que os visitantes também tirem partido desse trabalho quando se sentarem à mesa dos nossos restaurantes.

Neste breve workshop ministrado pelos chefs Michelin também marcou presença o director regional dos Assuntos do Mar. Frederico Cardigos considerou esta uma “excelente iniciativa”, que vai ao encontro dos mesmos objectivos que o Governo Regional persegue em relação à produção regional. Para Cardigos, iniciativas como esta poderão contribuir para uma maior valorização económica do peixe dos Açores mesmo dentro de portas. 

Lido 809 vezes
Classifique este item
(0 votos)
Login para post comentários