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14
julho

Saloneneses não se conformam com encerramento da escola da freguesia

Escrito por  Marla Pinheiro/foto: OBOTE.BLOGSPOT.COM
Publicado em Local

 A notícia do encerramento da EB1/JI do Salão, na passada sexta-feira, caiu como uma bomba entre os salonenses. A par desta escola, também encerra no Faial a EB1/JI da Ribeirinha (que neste momento tinha a funcionar apenas a valência de Jardim de Infância), no âmbito da reestruturação da rede escolar anunciada pela secretária regional da Educação. A directora da Escola Básica Integrada da Horta explica que não há volta a dar, mas os encarregados de educação não se conformam, e contam com o apoio da Junta de Freguesia nas suas reivindicações. Recusam-se a assinar a transferência, e já corre um abaixo-assinado para tentar evitar o fecho da escola. Entretanto, está agendada para a noite de segunda-feira uma reunião entre os pais e os deputados regionais do PS e PSD eleitos pelo Faial.

Maria Alice Mendonça é a representante dos encarregados de educação dos alunos do Jardim de Infância do Salão, e garante que os pais não vão baixar os braços nesta luta. A encarregada de educação lembra que a escola do Salão tinha mais de 21 alunos, que entende ser número suficiente para a manter em funcionamento. Na segunda-feira a responsável pela EBI da Horta reuniu com os pais para explicar a situação, mas estes insistem na viabilidade de manter as portas da escola abertas e recusam-se a assinar a transferência dos seus educandos.

A Secretaria Regional da Educação assegura o transporte dos alunos deslocados, bem como as refeições. No entanto, Maria Alice entende que há pormenores importantes por explicar: “como vai ser feito o transporte das crianças? Quem é que as vai receber na escola?”, questiona, lembrando que se tratam de crianças de pouca idade.

Esta encarregada de educação considera “extremamente injusto” o encerramento da escola, e, principalmente, a forma como os pais tiveram conhecimento da notícia. Esta chegou pela comunicação social, na passada sexta-feira, quando “na véspera” os pais tinham estado a fazer a renovação da matrícula, sem que nada lhes tivesse sido dito. Além disso, no sábado, começaram a ser contactados pela EBI da Horta, no sentido de escolherem de imediato o estabelecimento escolar onde os seus filhos ficarão no próximo ano. “Assim que sabemos do fecho da escola somos confrontados com a necessidade de escolher. Não é justo”, desabafa.

Esta escolha, no entanto, é possível apenas aos pais dos alunos do Jardim de Infância, que podem optar por Pedro Miguel ou pela EB1,2 António Ávila, na Horta. Os alunos do primeiro ciclo têm obrigatoriamente de ser transferidos para esta última, já que, ao contrário do que foi divulgado pela Secretaria Regional da Educação, a escola dos Cedros não tem capacidade para receber mais alunos.

Entretanto, a secretária regional da tutela já veio dizer que a decisão de encerrar 27 escolas na Região não foi tomada de forma “unilateral”. De acordo com Cláudia Cardoso, a medida foi “coordenada com todas as unidades orgânicas envolvidas porque o governo não decidiria sem saber se as escolas de acolhimento teriam lugar e condições para receber os alunos”.

A governante evocou o regulamento da gestão administrativa de alunos para lembrar que este diz que “nos casos em que a escola tenha dez alunos ou menos, é liminarmente extinta”, sendo que, nos casos em que a escola tenha mais alunos mas mesmo assim implique que o mesmo professor leccione vários anos, “o que o Governo deve fazer é autorizar excepcionalmente para esses casos” a manutenção dos estabelecimentos de ensino “e só quando não seja possível encontrar uma melhor solução”.

Encerramento inevitável

Para Maria José Morais, responsável pela Escola Básica Integrada da Horta, o encerramento da escola do Salão era uma morte já há muito anunciada, há semelhança da Ribeirinha. Neste último caso, Maria José confessa que esperava que o encerramento tivesse acontecido mais cedo: “já há muitos anos que a Ribeirinha se vem mantendo com cerca de oito alunos”, explica. Este encerramento não causou contestação, e esta responsável entende que isso se deverá ao facto de, no ano lectivo 2010/2011, a Ribeirinha já não ter tido primeiro ciclo a funcionar. Maria José lembra que, quando foi necessário encerrar o primeiro ciclo na Ribeirinha, em Novembro do ano passado, “as pessoas ficaram apreensivas mas acabaram por aceitar”.

Ao Tribuna, a responsável explica também por que razão a EB1, 2 António Ávila foi a escolha para a recolocação dos alunos do primeiro ciclo: “Em Pedro Miguel cada turma tem dois anos de escolaridade, portanto trazer os meninos para aqui é melhor porque há turmas de alunos por nível etário, e há hipótese de alunos com problemas de aprendizagem já identificados terem apoios educativos. Se temos de fechar, então vamos procurar, simultaneamente, melhorar as condições de aprendizagem dos alunos. Além disso, aqui temos o refeitório e podemos proporcionar uma refeição mais completa, com sopa, segundo prato e fruta. Não temos condições para mandar isto para todas as escolas do primeiro ciclo. Mandamos sopa, fruta e uma sandes”, refere.

Quanto à professora e às auxiliares, serão recolocadas noutra escola da ilha, onde a sua presença for mais necessária. A escola contava ainda com outra professora e com uma educadora de infância, em regime de contrato.

Maria José adianta ainda que no próximo ano lectivo serão implementadas actividades extracurriculares na EB1,2 António Ávila, de forma a que os pais que trabalhem na cidade possam trazer os filhos e levá-los só ao final do seu horário de trabalho. A responsável garante também que, à semelhança do que aconteceu com as crianças da Ribeirinha, também os alunos vindos do Salão terão acompanhamento e a sua adaptação à nova escola será fácil. 

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