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21
novembro

Casa Museu Manuel de Arriaga imortaliza o primeiro presidente da República

Escrito por  Marla Pinheiro/Fotos: Maria José Silva
Publicado em Local

Um “centro evocativo da personalidade de Arriaga” com uma “abordagem informativa, pedagógica e problematizada de aspectos relevantes da História e da estruturação da democracia e da cidadania na contemporaneidade”. Foi desta forma que o presidente do Governo Regional caracterizou a Casa Museu Manuel de Arriaga, inaugurada no passado sábado, ocasião que marca o encerramento nos Açores das comemorações do primeiro centenário da República portuguesa, celebrado a 5 de Outubro de 2010. Depois de uma grande mobilização das forças vivas da sociedade civil faialense, graças ao empenho da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta nesta causa, a casa onde nasceu o primeiro presidente da República portuguesa abre assim portas ao público, transformada em Museu.

A Casa Manuel de Arriaga representa um investimento de mais de dois milhões de euros e, como explicou Carlos César durante o discurso proferido na inauguração deste equipamento cultural, pretende ultrapassar o conceito tradicional de “casa museu” para ser um espaço interactivo, coordenado pela Direcção Regional da Cultura e pelo Museu da Horta. Uma exposição de longa duração, espaço para exposições temporárias, projecção de filme, sala polivalente, biblioteca e espaço para consulta de documentação digitalizada são algumas das valências de que o espaço dispõe. Este será também equipado com indicações textuais em inglês e em Braille, bem como em versão áudio.

O projecto museográfico da Casa Manuel de Arriaga esteve a cargo do designer Rui Filipe e a arquitecta Cláudia Zimerman. Para o futuro, segundo o presidente do Governo Regional, será recuperado o reduto verde desta propriedade, não integrado na obra de recuperação devido “à morosidade do processo de aquisição dos terrenos à Diocese de Angra”.

Na ocasião, perante uma plateia que incluía vários descendentes de Manuel de Arriaga, Carlos César aproveitou para agradecer às pessoas e instituições que contribuíram com peças para a Casa Museu, com destaque para a pintora Tereza de Arriaga, neta de Manuel de Arriaga, que ofereceu um quadro a óleo à instituição.

Sobre Manuel de Arriaga, Carlos César destacou-lhe a “integridade política”, a “convicção com que defendeu os seus ideais” e a “vontade de transformar o país numa sociedade mais justa, mais instruída e mais desenvolvida”, considerando-o uma “referência” para as gerações actuais. De acordo com o chefe do Governo da Região, é precisamente a actualidade dos valores e convicções de Arriaga que faz com que o projecto desta Casa Museu parta da “extrapolação desse perfil para uma reinterpretação à luz dos desafios políticos e éticos actuais”. A Casa Museu Manuel de Arriaga pretende assim ser uma “homenagem aos homens e às mulheres empenhados nas causas justa, o apelo aos jovens que as devem fazer avançar e a lembrança junto das diferentes gerações sobre a consciência e a retoma de uma ética que vai muito para além dos interesses individuais”.

Lembrando o percurso do republicano faialense até à presidência da República, Carlos César citou Raul Brandão, que definiu Arriaga como um “homem profundamente altruísta e magnânimo, de uma grande bondade e honradez”.

“A popularidade e prestígio de Manuel de Arriaga fizeram com que o seu nome fosse atribuído a muitos espaços urbanos”, não apenas nas ilhas mas em todo o país, e inclusive nas “antigas possessões ultramarinas, apontando-se, actualmente, à volta de 65 atribuições no território nacional e quatro nos territórios das ex-colónias”, referiu Carlos César, frisando que tal se trata de um “caso incomum nas páginas da história da toponímia portuguesa”.

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