A anterior direcção da Câmara do Comércio e Indústria da Horta (CCIH), liderada por Ângelo Duarte e que integrava também o actual presidente, Humberto Goulart, está a ser investigada pela Polícia Judiciária, de acordo com notícia avançada no início desta semana pela Antena 1/Açores.
Em causa estão negócios desencadeados pela Direcção em questão, dos quais se destacam a contratação da filha de Ângelo Duarte, que estaria a realizar um estágio na CCIH no âmbito do programa Estagiar L, interrompido quando o pai tomou posse, tendo de seguida sido contratada pela instituição, com uma remuneração superior àquela que auferia no estágio. Os negócios entre a CCIH e as empresas de Ângelo Duarte também estão sob a mira da PJ, que procura verificar se existiu favorecimento pessoal.
Recorde-se que em Maio, depois de um impasse que se arrastou por meses, se realizaram eleições na CCIH, com Humberto Goulart, que integrava também a Direcção anterior, a sair vencedor. Ângelo Duarte era, de resto, quem inicialmente se propunha a encabeçar a lista, no entanto acabou por recuar por existirem dúvidas quanto à legalidade da recandidatura.
Entretanto, Humberto Goulart convocou uma conferência de imprensa para esta manhã, onde garantiu que a actual Direcção está a colaborar com as autoridades em todo este processo, no entanto não quis prestar declarações sobre o mesmo, pelo facto de ainda estar a decorrer.
Segundo o actual presidente da CCIH, esta situação “resulta de um processo eleitoral conturbado, onde as queixas anónimas foram mais do que muitas e tiveram por objectivo manchar o bom nome desta instituição”. Lembrando que o processo de averiguações resulta de uma denúncia anónima, Humberto Goulart alerta para o facto de não estarmos perante um processo-crime.
O responsável vê esta denúncia como “uma tentativa de desestabilização”, frisando que a Direcção a que preside está concentrada “no objectivo de dar sustentabilidade” à CCIH.
Tribuna das Ilhas tentou também falar com Ângelo Duarte, que se manteve incontactável ao longo da semana.
Salários em atraso
A delicada situação financeira da CCIH é há muito do conhecimento público, destacando-se os salários em atraso aos seus funcionários. Nesta conferência de imprensa, Humberto Goulart explicou que, desde que a sua Direcção tomou posse, já foram pagos dois meses de salários em atraso, estando ainda quatro por pagar. No entanto, o responsável garantiu que ainda esta semana a CCIH vai pagar parte desses salários.
“Temos compromissos com os nossos funcionários e fornecedores que vamos cumprir, não tenho dúvidas”, frisou, anunciando para breve o regresso da CCIH à sua sustentabilidade económica.