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27
julho

Navegador solitário recria viagem de Darwin a bordo do Beagle

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Publicado em Reportagem

No dia 27 de Dezembro de 1831, Charles Darwin embarcava a bordo do navio Beagle, da marinha inglesa, para uma viagem à volta do mundo que haveria de ficar famosa precisamente graças a este viajante. Com apenas 22 anos, o homem que viria revolucionar a ciência com as suas teorias sobre a evolução das espécies não tinha estômago de marinheiro e “odiava cada onda”, mas, naturalista apaixonado e atento que era, aproveitou da melhor forma toda a viagem, que documentou em livro. 

170 anos depois, em 2001, com 68 anos, o arquitecto inglês Julian Mustoe decide recriar a viagem de Darwin, em solitário, a bordo do seu velho iate Harrier. Quase 11 anos volvidos do início da viagem, a navegar para Angra do Heroísmo, última paragem antes do regresso a Londres, uma avaria no motor trouxe-o à cidade da Horta. Tribuna das Ilhas aproveitou para conversar com este aventureiro.

Junto ao seu pequeno Harrier, que, com 26 pés, é bem menor que o Beagle (90 pés), Julian Mustoe, já de si invulgarmente alto, parece um gigante. Harrier tem sido a sua casa nos últimos 10 anos, desde que iniciou o ambicioso projecto de recriar a viagem da Darwin a bordo do Beagle.

 A viagem do famoso navio inglês iniciou-se no porto inglês de Plymouth. A expedição demorou-se no Brasil e fez um levantamento hidrográfico da costa atlântica da América do Sul. Depois, o navio dobrou o Cabo Horn em direcção ao Pacífico, onde visitou diversas ilhas. Passou pela Nova Zelândia e pela Austrália, bem como pela África do Sul, e voltou ao Brasil, desta feita ao Rio de Janeiro, antes de subir o Atlântico com destino ao “velho continente”, não sem antes parar nos Açores, mais concretamente na Terceira. Foram precisos cinco anos para concluir esta viagem. Julian tem permitido a si próprio paragens mais demoradas, inclusive esteve no Brasil a trabalhar durante três anos desde que iniciou este projecto.

Depois de 20 anos a projectar edifícios e outros tantos a dar aulas de arquitectura, Julian viu chegar a idade da reforma sem que lhe passasse a vontade de fazer coisas. Divorciado e com os filhos crescidos, começou à procura de um projecto. Amante da vela, que conhece bem pois aprendeu a velejar ainda criança, sempre sonhou dar a volta ao mundo. Seguir “o rasto” de Darwin pareceu-lhe uma boa ideia, e lançou-se à aventura. Filho de uma jornalista, o gosto por viajar é algo que partilhava com a madrasta, Anne Mustoe, que escreveu vários livros sobre viagens. A viagem de Julian irá, de resto, dar o mote a um livro, que o aventureiro vai escrevendo à medida que viaja.

Quando lhe perguntamos se tem saudades de casa, a resposta é pronta: “a viagem está a demorar mais do que eu esperava, mas eu vivo no barco, e, onde quer que ele esteja, aí é a minha casa. Por isso, qual é a pressa?”.

“É à Horta que vimos quando temos de trabalhar no barco”

Na sua expedição o Beagle não passou pelo Faial, mas sim por Angra do Heroísmo, e é esse o destino de Julian depois de deixar a Horta. No entanto, uma avaria no motor trouxe-o à cidade-mar. Aqui ficou a aguardar a chegada de uma peça que necessitava de ser substituída, tendo partido com destino à Terceira esta semana.

Sobre a cidade da Horta, destaca-a como “um sítio especial”: “a Horta é adorável, estou a apreciar imenso o tempo que aqui tenho estado”, garante. 

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