Foi inaugurado no passado sábado, dia 28 de Julho, o novo terminal marítimo de passageiros do Porto da Horta, empreendimento que representa a primeira fase da obra de requalificação e reordenamento da frente marítima da cidade, que compreendeu as intervenções a norte na baía.
Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Fernando Nascimento, presidente da Portos dos Açores (PA), sobre as mudanças que o novo empreendimento vai trazer e sobre a segunda fase desta empreitada, que compreenderá as intervenções a sul da baía. Com o projecto em fase de conclusão, a segunda fase não tem, no entanto, data para arrancar.

De acordo com o presidente da PA, o novo terminal marítimo de passageiros da Horta traz “um reordenamento significativo” do porto. Para Fernando Nascimento, a grande vantagem desta obra é permitir “uma separação entre o porto de mercadorias e o porto de passageiros”.
“A infra-estrutura vai criar excelentes condições para todos os que nos visitam e aqui circulam”, frisa Nascimento. E não são poucos. No domingo, primeiro dia de funcionamento do novo terminal, circularam 2459 passageiros. A ligação entre as ilhas do Triângulo é, de resto, a mais movimentada na Região no que diz respeito ao transporte marítimo de passageiros, com cerca de 400 mil pessoas movimentadas anualmente.
Uma das novidades deste terminal é o facto de estar equipado com rampas roll-on/roll-off, com as quais estarão também equipados os novos navios de transporte de passageiros do Triângulo, cuja entrada em funcionamento, inicialmente prevista para o final de 2013, deverá acontecer em 2012, como referiu o presidente do Governo Regional, Carlos César, no discurso de inauguração desta obra.
Fernando Nascimento lembra que este novo terminal da Horta será complementado com o novo terminal na Madalena do Pico, onde está a ser realizado um investimento de mais de 20 milhões de euros, que terá uma gare de passageiros semelhante à do Faial. “Vamos ter um serviço de qualidade e modernidade que vai revolucionar o transporte de passageiros” nestas ilhas, diz.
A segurança do novo terminal também será reforçada, através de uma rede de videovigilância. Fernando Nascimento explica que o Código ISPS (Código Internacional para protecção de Navios e Instalações Portuárias) recomenda “restrições” à circulação de pessoas no porto. “No entanto nós sabemos que há uma ligação muito grande entre o porto e a cidade, e é difícil não permitirmos ao acesso”, explica o responsável. Nesse sentido, a PA pretende permitir a circulação no novo molhe, restringido apenas o acesso à zona dos passageiros. Assim, os faialenses vão poder passear na parte superior do molhe, até farol.
Cota de serviço vai aumentar de -6 para -8,5
A cota de serviço da bacia do novo porto foi um dos aspectos que mais polémicas levantou no processo de execução da obra, tendo surgido algumas dúvidas sobre a atracagem de navios de maior porte. Neste momento, como explica Fernando Nascimento, a cota de serviço é -6,00 ZH, o que permite a operação de todos os barcos de transporte de passageiros que normalmente operam na Horta.
No entanto, de acordo com o responsável, será feita uma nova operação de dragagem na bacia para que a cota de serviço passe a -8,5. Nascimento explica que “a nova política de transportes e a encomenda dos novos navios com rampas à poupa” fez com que fosse necessário “adaptar o projecto” para aumentar a cota de serviço.
Essa intervenção deveria estar concluída em conjunto com o resto da obra, no entanto um chumbo do Tribunal de Contas obrigou a um novo concurso público, o que atrasou o processo. A empreitada já está, no entanto, adjudicada, e Fernando Nascimento diz que a dragagem deve arrancar “durante os próximos meses”.
A não atracagem do Santorini no porto novo na noite da passada segunda-feira motivou dúvidas quanto à possibilidade do navio ali operar. No entanto, a Atlanticoline já tinha emitido um comunicado onde explicava que só na quarta-feira, dia 1, se iniciariam as operações no novo terminal, como veio a acontecer. Ao Tribuna das Ilhas Fernando Nascimento explicou que a autorização necessária a que o Santorini mudasse de ponto de atracagem “demorou um pouco mais”. Além disso, reforça, o facto de toda a operação de bagagens e passageiros ser muito diferente no novo terminal fez com que fosse decidido fazer a primeira experiência durante o dia.
Segunda fase sem data para arrancar
Com a primeira fase da empreitada de requalificação e reordenamento da frente marítima da cidade da Horta concluída, as atenções centram-se na segunda, que contempla as intervenções a sul.
Sobre esta segunda fase, Fernando Nascimento não avança datas: “gostaria imenso que a segunda fase arrancasse o mais rápido possível, mas essa calendarização é imposta pelo Governo Regional”, explica.
O presidente da PA garante que o projecto “está praticamente concluído”, devendo mesmo ficar terminado até ao final do ano.
No entanto, fonte do gabinete da secretária regional da Economia explicou ao Tribuna das Ilhas que, tendo em conta a proximidade das eleições legislativas regionais, que se realizam em Outubro, “o mais natural é que seja o próximo Governo” a lançar o concurso da obra, apesar de já estarem a ser “preparados os procedimentos nesse sentido”, tendo em conta o avanço da execução do projecto.
De acordo com Fernando Nascimento, a segunda fase desta empreitada contempla, entre outras coisas, a reformulação do espaço reservado aos operadores marítimo-turísticos: “os pré-fabricados desaparecem e vão surgir estruturas físicas por baixo do Peter, com instalações sanitárias, balneários e um auditório comum a todas as empresas”, explica. Estas empresas passarão a ter também um local próprio para embarque e desembarque.
A rampa onde neste momento estão os botes baleeiros será substituída por um pavilhão para as referidas embarcações e por uma estrutura de apoio ao Clube Naval da Horta, equipada com instalações sanitárias e balneários. A actual gare de passageiros desaparece e parte dela será transformada numa zona pedonal.
No sítio onde neste momento está o parque de embarcações ficará a zona de apoio aos mega-iates. O parque de embarcações ficará no actual plano inclinado, que vai ser nivelado para receber os barcos varados para reparações e pinturas. Serão também criadas pequenas estruturas de apoio aos iates nesse local.
Fernando Nascimento explica que a execução da segunda fase da obra permitirá deslocar algumas das embarcações que habitualmente estão na marina da Horta para o núcleo de pescas ou para o espaço dos mega-iates, o que permitirá desafogar o hotel flutuante faialense, que se vê a braços com uma falta de espaço que já é crónica. Além disso o presidente da PA garante que serão criados novos lugares para amarração de iates, apesar de não apontar ainda um número.
Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 03.08.2012, ou subscreva a assinatura digital do seu semanário