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06
agosto

Semana do Mar numa cidade em mudança

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Publicado em Reportagem

Na sua 37.ª edição, a Semana do Mar já encontrou o seu modelo. É a Festa do Mar, centrada num dos maiores festivais náuticos do país e complementada com animação em terra onde marcam presença a gastronomia, o folclore, os concertos, as exposições, entre outras coisas. Em fase de maturidade, à festa dos faialenses já não são esperadas muitas mudanças. A cidade da Horta, essa sim, está a mudar. Com o novo molhe norte do porto recém-inaugurado e o projecto de requalificação da frente de mar em andamento, Tribuna das Ilhas foi tentar saber como é que as mudanças na cidade podem influenciar a Semana do Mar.

As intervenções na frente marítima da Horta estão a mudar a cidade. O novo terminal marítimo de passageiros no lado norte da baía já é uma realidade e aguardam-se as intervenções na zona sul, bem como a reabilitação da frente marítima daquela que é cidade mar dos Açores. 

Neste cenário, o presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) entende que a Semana do Mar também poderá sofrer alterações na sua distribuição espacial. No entanto, ressalva, isso não deverá acontecer em breve, já que o desafio de mudar a Semana do Mar passa por fazê-lo “sem partir a festa”. “A Semana do Mar vale muito pelo facto de se ter criado um espaço central onde as pessoas convivem. Podia espalhar-se mais pela cidade, mas essa experiência noutros locais não resultou”, entende João Castro. Para o autarca, um dos grandes trunfos da Semana do Mar é o facto de se estender do Clube Naval, onde se desenrola a componente náutica, até ao palco principal, na Avenida, sem barreiras nem “espaços mortos”. “Não será fácil deslocalizar a Semana do Mar e, a fazê-lo, há que deslocalizá-la num todo”, diz. 

João Castro lembra que já foram feitos alguns “ensaios” para deslocalizar parte da festa, que não tiveram o resultado esperado, como é caso da componente nocturna no parque da Alagoa: “do ponto de vista financeiro não foi um sucesso e também se percebeu que a actividade nocturna na Alagoa não era compatível com o campismo e com a actividade que durante o dia ali se desenvolve, pois não nos podemos esquecer de que aquele é o parque da cidade”.

João Castro entende, no entanto, que a actual solução para a Semana do Mar “é boa”, e lembra que poderão ser encontrados novos espaços para complementar a festa, adjacentes à zona onde actualmente se desenvolve, como afutura Escola Básica e Integrada, após as obras.

Semana do Mar inspira vocação marítima da cidade

Para João Castro, da mesma forma que as mudanças na cidade podem contribuir para melhorar a Semana do Mar, também a festa dos faialenses pode inspirar uma nova Horta. “O mar só é uma oportunidade se as pessoas nele se envolverem e a Semana do Mar é o pretexto por excelência para esse envolvimento”, explica. 

Segundo o edil, um dos desafios que a Horta enfrenta nesta altura é fazer com que a agregação dos faialenses em torno do mar que se verifica na primeira semana de Agosto se estenda por todo o ano. 

Concertos Pagos

Em tempos de crise, a Semana do Mar organiza-se com a palavra “contenção” na consciência. A edição de 2012 custa cerca de 250 mil euros, 120 mil dos quais directamente investimentos pelo município. João Castro não tem dúvidas de que os benefícios que a Semana do Mar traz para a economia da ilha compensam em muito o investimento.

Por outras paragens na Região, o figurino das festas evoluiu para concertos pagos. Pegando neste exemplo, perguntámos ao presidente da CMH se essa possibilidade é considerada para a Semana do Mar, como uma forma de ajudar a festa a financiar-se a ela própria. João Castro entende que, no futuro, os concertos pagos acabarão por ser implementados, no entanto a actual localização da festa não permite infra-estruturar a zona do palco principal para tal. Além disso, entende, “neste período de crise a probabilidade dos concertos pagos serem um sucesso é menor”. “Devemos aguardar por melhores tempos e oportunidades para equacionar essa questão”, diz. 

No grupo de trabalho, no entanto, já se debatem algumas localizações possíveis para criar uma zona de concertos pagos. Espaços como o estádio do Fayal Sport, o parque da Alagoa, a Avenida Machado Serpa, a escola Básica e Integrada, a zona de Porto Pim ou o Largo Manuel de Arriaga são hipóteses a estudar.

A problemática colocação do… palco

Os Deolinda, banda portuguesa que até já passou pela Semana do Mar, escreveram uma canção que conta a divertida história ficcionada sobre a problemática colocação de um mastro num qualquer município, que gerou a discórdia entre a população, com alguns a concordarem com o empreendimento e outros a torcerem o nariz. Esta canção bem poderia ser a banda sonora daquela que é sempre a questão mais controversa da Semana do Mar: a localização do palco principal.

A saída do palco da Marina, há alguns anos, para passar a estar localizado na Avenida, provocou uma chuva de críticas, e hoje ainda muitos faialenses suspiram pela anterior localização. 

Confrontado com esta situação, o presidente da CMH reconhece que, do ponto de vista do espectador, a Marina era a melhor localização, no entanto “colocava problemas na logística de suporte ao palco”, além de que ficava mais longe das tasquinhas que, segundo o edil, beneficiam da proximidade do palco. 

João Castro aponta ainda outra razão para a saída da marina: a introdução da Expomar no figurino da festa. “Queríamos uma localização para a Expomar o mais próximo possível do mar”, diz, lembrando que o certame envolve visita a embarcações e actividades com embarques e desembarques. 

O corte do trânsito durante duas semanas na Avenida causa alguns constrangimentos à população, no entanto João Castro lembra que tal não se deve apenas ao palco, mas principalmente à Feira Gastronómica: “fazemos uma das melhores feiras gastronómicas do país, com um número de restaurantes não muito significativo mas de boa qualidade, e com um enquadramento notável, permitido pela Avenida 25 de Abril”, diz.

 Esta reportagem integra a revista Especial Semana do Mar do Tribuna das Ilhas, de distribuição gratuita
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