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24
agosto

João Decq Motta, primeiro candidato da CDU pelo Faial às legislativas regionais: Aumento da pista do aeroporto e obra do porto são “investimentos fundamentais”

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Publicado em Entrevistas

Depois de uma legislatura com apenas uma representação parlamentar na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, a CDU, coligação formada pelo Partido Comunista Português e pelo Partido Ecologista Os Verdes, aposta no sindicalista João Decq Motta para liderar a sua lista pelo círculo eleitoral do Faial, na esperança de conquistar um deputado pela ilha Azul, como, de resto, aconteceu em 2000, na altura com José Decq Motta.

Com 53 anos, esta não é a primeira vez que João Decq Motta dá a cara pelo PCP, partido em que milita. Há quatro anos, foi o quinto candidato da lista da CDU pelo Faial, e ingressou o segundo posto da lista pelo círculo de compensação, lugar que, de resto, volta a ocupar em 2012. Nas últimas eleições autárquicas, em 2009, Decq Motta foi candidato à Assembleia Municipal da Horta e à Junta de Freguesia da Matriz.

Tribuna das Ilhas entrevistou o candidato, que frisa que os seus 28 anos de sindicalismo a tempo inteiro podem ser um trunfo na defesa dos trabalhadores dentro da Casa da Autonomia. Salientando a ampliação da pista do Aeroporto da Horta e a segunda fase da requalificação da frente marítima da cidade como duas prioridades para o Faial, João Decw Motta fala de uma relação de confiança que se deve estabelecer entre eleitos e eleitores que, entende, não existe no caso dos deputados actualmente eleitos pelo Faial.

O que o levou a encabeçar a lista da CDU no Faial?

O facto de, no PCP e na CDU, os meus camaradas entenderem que eu reunia condições para tal. Há muitos anos que sou membro do PCP, sou membro do seu comité central desde há alguns anos e encaro a vida política não como alguns, no sentido da promoção pessoal, mas no sentido de desempenhar uma tarefa que possa fazer com que as nossas ideias sejam bem transmitidas e que consigamos atingir o objectivo de ter um grupo parlamentar para termos melhores condições para defender o que temos defendido ao longo dos anos e que é aquilo que tenho defendido na minha vida. Sou um sindicalista com mais de 28 anos de sindicalismo a tempo inteiro, quer no sindicato da Função Pública quer na União de Sindicatos da Horta (USH), quer também a nível nacional, nos órgãos da CGTP. É com esse espírito de missão que encaro estas eleições. No momento que o país atravessa, com esta crise, o desemprego a aumentar e os trabalhadores a perderem todos os dias direitos adquiridos, penso que era bom ter na Assembleia Legislativa Regional dos Açores (ALRA) pessoas com provas dadas na defesa dos direitos dos trabalhadores. Foi isso que me levou a aceitar ser o cabeça de lista pelo Faial.

 

O João é, precisamente, um “sindicalista de sangue”, pelos anos que leva de sindicalismo. Tendo isso em conta, como vê a possibilidade de se tornar deputado, uma classe por muitos considerada privilegiada na conjuntura actual, quando comparada com muitos dos restantes trabalhadores, que enfrentam situações cada vez mais difíceis?

Serei, sempre, um sindicalista deputado. No meu partido, nós não encaramos um deputado como um privilegiado, até porque temos uma norma interna, que já assinei, em que nos comprometemos a ganhar, enquanto deputado, o mesmo que ganhávamos antes de o ser. Se eu chegar a deputado, como espero, o que vou ganhar em termos monetários é o que ganho agora. Não vou melhorar a minha vida em termos monetários, e nem encaro a política dessa forma. Sei que, infelizmente, muitos o fazem.

Para mim, a política não deve ser um meio de benefício pessoal, mas sim um meio de disponibilidade para podermos fazer algo pela comunidade. Serei sempre sindicalista. Integro o Conselho Nacional da CGTP, sou coordenador da USH e membro da sua Direcção… Naturalmente que, se chegar a deputado, o dia só tem 24 horas e não chegarei para tudo, mas continuarei a representar estes órgãos sindicais, naturalmente com um ajuste nas minhas funções. Além disso, lembro que existem até vários deputados que foram sindicalistas e conciliaram as duas funções.

Certamente que seria muito importante para o movimento sindical ter um dos seus elementos na ALRA. 

 

Que análise faz do Faial neste momento, e que investimentos entende serem prioritários para a ilha na próxima legislatura?

Estamos a atravessar um momento complicado no país e na Região e naturalmente que, num meio pequeno como o Faial, isso se sente muito. Há uma retracção do investimento público, o sector privado está no estado em que sabemos, com insolvências na ilha, e sabemos que o pequeno comércio está numa situação muito difícil… A situação não é brilhante, mas acreditamos que é possível fazer alguma coisa no sentido de a modificar. 

Para nós, é extremamente importante valorizar a produção local e as suas infra-estruturas. É também necessário apoiar a pequena indústria, os pequenos empresários… Mas o que se quer é um apoio orientado para que possam desenvolver a sua actividade, criar emprego e dinamizar a economia. Não pode ser um apoio ao desbarato. Tem de ser orientado e fiscalizado. Já vivemos tempos de vacas gordas, de muitos subsídios, e não sabemos bem onde é que foram parar. 

É absolutamente necessário, para que o Faial se possa desenvolver, que se trave aqui o desemprego. Tem de haver maior investimento público e mais dinamismo no sector privado. Este tem de ser auxiliado, por isso é preciso que o Governo crie condições para haver mecanismos bancários, como linhas de crédito, que façam com que os empresários não fiquem de mãos atadas e possam desenvolver a sua actividade. É necessário ter uma perspectiva de desenvolvimento assente em duas coisas essenciais, que, aliás, são a base da nossa economia: a agricultura e a pecuária e o mar e as pescas. 

Todavia, é preciso que haja vontade política para criar as condições para haver esse desenvolvimento. Há muitos investimentos no Faial, que são fundamentais para o nosso desenvolvimento, e que já foram prometidos inúmeras vezes. É o caso do aumento da pista do aeroporto, que é fundamental principalmente por causa das penalizações a que os aviões estão sujeitos. Ou levam carga ou levam passageiros. Muitas vezes vão quase vazios mas não podem levar mais gente por causa do peso da carga. Há que fazer com que essas penalizações desapareçam e isso só é possível com o aumento da pista do Aeroporto. 

Também é fundamental a segunda fase das obras do porto, nomeadamente a questão da Marina. Temos visto estes meses a nossa Marina completamente sobrelotada e há que criar condições para que esta vertente do turismo náutico, que é muito importante, se possa desenvolver. Há volta disto gera-se mais que uma vista bonita da Marina cheia de barcos. Estes visitantes não fazem apenas umas compras no supermercado e vão embora. Eles precisam de apoios mecânicos, em termos de reparação naval, electricidade… Há um conjunto de actividades que se pode desenvolver à custa deste movimento.

Para nós, tão importante como o crescimento e reordenamento da Marina é a criação de uma doca seca, fundamental para que possamos ter barcos a passar o Inverno aqui e a fazer grandes reparações. Neste momento temos apenas pequenas reparações porque não há condições para fazer intervenções maiores. Mas temos excelentes profissionais a trabalhar em fibra, em mecânica, em carpintaria… Há espaço para desenvolver estas actividades, se forem criadas condições em terra. E não é preciso muito investimento. Na minha opinião, a doca seca está feita por natureza: é o actual parque de contentores. Do lado da pedreira, junto ao campo do Sporting, temos um excelente terreno para fazer um parque de contentores. Estes não têm de estar em cima do porto. Aliás, na maior parte das vezes não estão. Com o movimento de contentores que temos, transportá-los para o actual parque ou para um local a mais dois ou três quilómetros de distância não faz diferença. Os barcos são mais complicados de transportar. Sem grandes custos, tínhamos aqui uma boa solução. Poderia inclusive deixar-se um pequeno espaço junto ao cais que funcionasse como zona de transição entre a doca e o parque de contentores, para aliviar a descarga. Temos a perspectiva de um barco de contentores por semana. Mesmo que cheguemos a dois, nunca é um movimento que impeça esta situação. Com um investimento baixo, era uma boa forma de resolver o problema.

Há outra questão relacionada com o reordenamento do porto de que poucos falam mas que é necessário não esquecer, que é a pesca. Os pescadores têm de ter condições para estacionarem os barcos em segurança e com operacionalidade. 

Temos também as empresas de actividade marítimo-turística, que, na minha opinião, deveriam sair do sítio onde está e ocupar o sítio até agora ocupado pelo transporte de passageiros no Triângulo. 

Temos ainda outras ideias para o Faial, mas o programa não está fechado. Durante o mês de Setembro vamos, de freguesia em freguesia, pedir reuniões com todas as forças vivas, recolher opiniões para fazer um programa eleitoral de acordo com as principais preocupações dos faialenses. Pensamos que só é possível haver uma inversão desta situação se todas as forças estiverem empenhadas na reviravolta de que o Faial necessita. 

As pessoas acomodam-se e nós habituámo-nos a ser os “coitadinhos” e a “ilha desprezada” em relação às outras. Mas temos de lutar pelo contrário. Não para sermos mais que os outros, mas para que haja um desenvolvimento harmonioso e equilibrado dos Açores. Sabemos que as ilhas com mais população têm um desenvolvimento naturalmente maior, mas tem de haver, em termos de infra-estruturas – e isso é responsabilidade do Governo –, condições iguais nas diversas ilhas.

Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 24.08.2012 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário


 
 
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