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20
setembro

Geoparques podem ajudar a combater crise

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Publicado em Regional

Mais do que ferramentas para preservação do património geológico, os geoparques podem ser ferramentas preciosas no combate à crise económica que se instalou na Europa. A ideia foi deixada ontem por Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, que participou, através de uma mensagem gravada em vídeo, na 11.ª Conferência Europeia de Geoparques, que decorre em Arouca.
Para Durão Barroso, a dinâmica criada pela rede europeia de geoparques é “um sucesso” que importa continuar a fomentar, principalmente nos tempos que correm, onde os objectivos que orientam o funcionamento dos geoparques são cada vez mais cruciais. O presidente da Comissão Europeia salientou o papel destas instituições para o crescimento da economia, uma vez que, para além do reforço da coesão territorial que promovem, são catalisadores do turismo e importantes criadores de emprego.
Durão Barroso destacou o concelho anfitrião desta conferência, Arouca, como um “bom exemplo” do papel que pode ter um geoparque na economia local. De resto, basta percorrer algumas ruas de Arouca para perceber que esta se orgulha do seu património geológico e quer mostrá-lo aos turistas. O geoparque é uma presença de destaque, que se reflecte, por exemplo, nas rotundas onde foram construídas estátuas referentes ao património geológico e na forma como foi feita a interpretação desse património, tornado fácil de conhecer aos que visitam Arouca. A própria organização da conferência é um exemplo de como o geoparque contribui para a dinâmica económica local: os empresários locais ligados ao artesanato e à gastronomia estão envolvidos, graças a uma exposição montada em simultâneo com o evento. As unidades de turismo do município e arredores estão esgotadas com os participantes, que ocupam também os restaurantes. Até a escola está envolvida, não apenas através da cedência do espaço para albergar a conferência, mas também através da participação dos alunos, na cerimónia de abertura, ajudando a orientar os participantes pelo recinto ou a servir os almoços, tarefa dos formandos de hotelaria e de serviço de mesa.
Também Nikolas Zouros, coordenador da rede europeia de geoparques, destacou esta capacidade de trazer dinâmica a várias áreas de actividade como uma grande vantagem dos geoparques. Num cenário de crise económica, a União Europeia traçou uma estratégia de futuro com vista a um crescimento inteligente, inclusivo e sustentável. Para Zouros, a prova de que os geoparques estão no bom caminho para ajudar a combater a crise é o facto dessas três características terem, desde o início, sido assumidas como pilares destas instituições.
O coordenador da rede europeia entende que a grande mais-valia do conceito “geoparque” é o facto de olhar para o local onde se insere de uma forma integrada, aliando ciência, cultura, economia e sociedade.
Destacando a componente educativa dos geoparques, Zouros apelidou-os de “salas de aula ao ar livre”, importantes para passar aos mais jovens as informações necessárias para lidarem com um planeta em mudança e para o aprenderem a proteger.
No entanto, o destaque do seu discurso foi para o contributo dos geoparques para um desenvolvimento sustentável. Neste ponto, destacou o geoturismo como forma de dar visibilidade a locais que de outro modo estariam esquecidos. Para tal, salienta, o geoparque tem um papel importante ao ajudar o turista a interpretar o património geológico e, consequentemente, a reconhecer-lhe importância e interesse. A partir daqui, garante, há um manancial de oportunidades a explorar: geocruzeiros, geohotéis e georestaurantes com verdadeira geocomida, como é o caso do cozido das Furnas dos Açores.
Esta ideia de que os geoparques trazem retorno económico também mereceu destaque de Hervé Passamar, director da Agência para o Desenvolvimento e Valorização do Património, na França. Segundo ele, a actividade turística ligada à preservação do património geológico tem um grande impacto na criação de emprego, quer por via directa (funcionários dos geoparques e museus, guias, entre outros), quer por via indirecta (na restauração, na hotelaria, etc.). Na França o retorno financeiro do património é “20 vezes superior” ao investimento público nele despendido, referiu.
Passamar alertou ainda para o facto deste tipo de turismo ser procurado por pessoas com maior poder económico, que viajam em qualquer altura do ano, o que permite combater a sazonalidade que, recorde-se, é um dos principais problemas no turismo açoriano.
Ao Tribuna das Ilhas, o presidente do Geoparque Açores destacou a pertinência desta reflexão no actual cenário de crise. José Leonardo Silva entende que “o emprego precisa de novas ideias” e por isso nada melhor do que temáticas novas para o fomentar. Nesse sentido, o Geoparque Açores  - conceito novo na Região – poderá gerar novos empregos, principalmente em áreas especializadas como a geologia, mas também no turismo e em todas as actividades relacionadas com o acompanhamento dos visitantes do geoparque.
José Leonardo entende mesmo que esse “empurrão” ao emprego pode ir mais além e dá o exemplo de Arouca, onde o geoparque provocou uma grande dinamização das unidades de turismo rural, o que levou à recuperação de vários imóveis. Se isso acontecer nos Açores, explica, pode ser um contributo para a galvanização do emprego na construção civil, sector actualmente muito fragilizado.
Hoje o destaque vai para o encerramento da conferência, onde se ficará a saber se o Geoparque Açores passará a fazer parte da rede europeia de geoparques.

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