Quatro anos depois do que estava previsto, o Aquário de Porto Pim está em fase de conclusão. O projecto foi mudando ao longo do tempo e agora este será um aquário com peixes reais, já que “um aquário unicamente virtual não seria o caminho mais adequado”. A explicação veio do secretário regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, que acompanhou o Tribuna das Ilhas numa visita ao andamento das obras.
O primeiro aquário virtual dos Açores foi anunciado em 2007, pela então secretária regional do Ambiente e do Mar, Ana Paula Marques, prevendo-se a sua inauguração para o Verão de 2008.

No entanto, os imprevistos sucederam-se e, no início de 2011, um despacho da secretaria regional do Ambiente e do Mar trazia a público a decisão de suspender o concurso internacional para a adjudicação do equipamento técnico, justificando a tomada de posição com a "crise financeira mundial".
Na ocasião e perante a polémica instalada, o secretário regional da tutela, Álamo Meneses, veio contrapor, explicando que esta decisão se deveu ao facto de “o melhor candidato ter sido eliminado do concurso, por razões burocráticas e processuais” e que “as restantes propostas não reuniam as condições entendidas como necessárias para aquele espaço”. Para Meneses, não fazia sentido investir verbas elevadas num empreendimento que não teria os resultados esperados.
Contudo e considerando na altura que o projecto em si era “importante”, reforçou que o objectivo seria a abertura desta estrutura ao público “tão depressa quanto possível”.
A aquisição do equipamento técnico não foi, de resto, o único entrave ao avanço da obra. A cedência contratual da empresa a quem tinha inicialmente sido adjudicada a empreitada, que por dificuldades financeiras se viu obrigada a abandonar a obra, para um novo empreiteiro, provocou novos atrasos.
Aquele que pretendia ser um aquário totalmente virtual, numa fase inicial, viu a sua condição alterada e à componente virtual junta-se agora um aquário de peixes reais.
Este Verão, o avanço das obras foi visível, principalmente para os banhistas que passaram as tardes quentes na praia de Porto Pim. Tribuna das Ilhas foi visitar a obra acompanhado pelo secretário regional do Ambiente e do Mar, que explicou as razões deste atraso, falou das alterações ao projecto inicial e do aquário actual.
Aquário do Porto Pim servirá de montra ao Mar dos Açores
Segundo Meneses, o projecto previa a instalação de um aquário totalmente virtual. No entanto, quando o edifício começou a ser recuperado e adaptado, tendo em conta as suas dimensões, bem como o espaço envolvente, nomeadamente a sua proximidade com o mar, a concluiu-se que instalar ali um aquário virtual seria “um investimento gigantesco em tecnologia com resultados que não eram claros nem seguros”. “Estamos aqui à beira mar, num local muito exposto à humidade, ou seja, não é fácil manter aqui um conjunto tecnológico totalmente seguro”, refere o governante, acrescentando que o facto de não haver experiência nesta área foi também uma restrição.

No entanto, a componente virtual continua a existir no Aquário de Porto Pim: “vão ser vistas imagens e serão passados filmes com peixes, para mostrar o que é o mar profundo os Açores”, explica. A Fundação Rebikoff-Niggeler será parceira nesta componente, já que “fornece um conjunto de filmes e de informação subaquática”. Ainda neste contexto, haverá outra exposição, organizada pela Direcção Regional do Assuntos do Mar, “que tem a ver com as áreas protegidas do mar profundo, com a criação do Parque Marinho dos Açores e com as diferentes áreas que lá existem”, refere Meneses.
Para o responsável pela pasta do Mar, “esta será a única forma de visitarmos o Parque Marinho dos Açores, já que algumas das áreas protegidas estão a muitas centenas de quilómetros das ilhas e estamos a falar em zonas com milhares de metros de profundidade, que obviamente não estão abertas à visitação”.
O facto do Aquário estar perto do mar motivou, segundo o governante, a vontade de colocar uma vertente real no projecto, com a exposição de peixes “de carne e osso”.
Este projecto, explica Álamo, “será voltado para os faialenses, para a educação ambiental e para os açorianos que possam visitar a ilha do Faial”.
A componente real do aquário fica a cargo da empresa faialense Flying Sharks, responsável pela exportação de peixes dos Açores para aquários de todo o mundo.
Um investimento difícil de quantificar
Quando este investimento foi anunciado, previa-se que iria custar cerca de 400 mil euros. Entretanto o tempo foi passando e outros valores foram surgindo. Ao Tribuna das Ilhas, Álamo Meneses não quis avançar com valores concretos, afirmando que “esta é uma obra difícil de quantificar”. “Estamos, no fim de contas, a concluir um processo que se iniciou no início da década de 1980”, disse.

De facto, foi nessa altura que o Governo Regional adquiriu os imóveis adaptados agora ao Aquário e classificou o Monte da Guia como paisagem protegida, criando as reservas respectivas. Desde essa altura, “houve um longo período de investimento e também de alguma indefinição”, tendo em conta que neste espaço já foram feitas diversas intervenções que vão desde os arranjos da praia à recuperação da Fábrica da Baleia, à criação de um percurso pedonal, à recuperação dos Miradouros e ao arranjo do próprio monte. “Há aqui intervenções que se estendem ao longo de décadas e que agora, de alguma maneira, chegam ou fim” diz o secretário.
Inauguração sem data
Apesar do adiantado da obra, o Aquário de Porto Pim não tem data para abrir ao público. Álamo Meneses explica que, para além da indefinição em relação à melhor solução para o aquário em si, “tomaram-se outras decisões muito importantes”: como a recuperação do espaço de acesso da cidade ao Aquário ou das antigas Casas Dabney. “Resolvemos refazer todo este processo e então o investimento acabou por ser bastante maior do que aquele que estava previsto em 2007 e, claro, também o prazo de execução teve de ser alargado”, afirmou.

O secretário lembra também que parte do atraso se deveu a problemas relacionados com a empresa inicialmente responsável pela obra, que obrigaram até à cedência da posição contratual a outra empresa. De acordo com Álamo Meneses, “neste momento, em termos de construção civil, está-se já na parte final, e está-se também a finalizar a instalação de equipamentos”. Já é possível, de resto, ver os tanques onde os peixes reais já se estão a habituar à nova casa, e está neste momento ser preparada a montagem da parte virtual. Neste cenário Álamo Meneses espera que dentro de 3 a 4 meses a obra esteja concluída.
Parque Natural vai ter a sua sede nas Casas Dabney
A recuperação da casa de veraneio da família Dabney, constituída por habitação, adega, cais com abrigo de bote e miradouro, localizada na Paisagem Protegida do Monte da Guia, também constava do leque de intervenções previstas para este espaço. É aí que, segundo o secretário, será instalada a sede do Parque Natural do Faial (PNF), que neste momento funciona no Jardim Botânico. Trata-se, no fundo, de um regresso a casa, já que inicialmente o PNF funcionava numa pequena casa em Porto Pim. Por necessidade de espaço, mudou-se para o Jardim Botânico onde, segundo Álamo Meneses, “está a ocupar espaços que eram destinados à visitação e que agora estão transformados em gabinetes de trabalho”.
Estes espaços visam também preservar a memória da relação da família Dabney com o Faial. O governante explica que, ao recuperar as casas da família americana, “optou-se por um projecto que reconstruísse o espaço e que desse uma ideia o mais fidedigna possível do aspecto original”.
Com a conclusão destas obras, o secretário entende que o PNF ficará ainda mais valorizado, juntando-se este pólo no Monte da Guia aos pólos dos Capelinhos e do Jardim Botânico. Além disso, esta intervenção representa mais um espaço de lazer “que fica à disposição da cidade da Horta e que inteiramente ligado à estrutura urbana da Horta”.
A finalizar, o secretário salienta que, neste investimento, “uma das opções foi fazer pequenas obras no sentido de também poder ajudar a economia do Faial, desde a arquitectura, que foi feita por arquitectos da própria secretaria, à execução de pequenas obras, que foram sendo feitas por empresas faialenses”, disse.