Cartazes e outdoors, carros de campanha, jantares comício, folhetos, canetas ou bonés, tudo isto e muito mais vem à lembrança quando se fala em eleições. Vivemos numa sociedade onde o marketing tem um papel cada vez mais preponderante em várias áreas. A política é uma delas. Hoje, os candidatos e as ideias que defendem são apresentados aos eleitores como um produto, preparado e trabalhado para vender. A diferença é que, enquanto que num bem físico ou serviço a estratégia de marketing procura o dinheiro dos consumidores, na política o que se pretende são os votos dos eleitores.
A forma como os políticos comunicam a sua mensagem é determinante para a escolha do eleitor. Se antes a classe política não era particularmente sensível à forma como a sua imagem passava pelo filtro dos média até ao cidadão, hoje essa realidade mudou. Desde a forma como se vestem à maneira como se expressam, toda a actividade dos políticos vai no sentido de agradar aos eleitores. Até Cavaco Silva, presidente da República, teve aulas para melhorar a dicção, que o atrapalhava nas intervenções públicas. Cada vez mais os intervenientes políticos têm noção da importância do “media training”, ou seja, da necessidade de aprenderem a melhor forma de falar à imprensa, de abordar entrevistas, entre outras questões. Como gesticular, quando sorrir ou que palavras-chave repetir podem parecer pormenores, mas são importantes para a criação de uma relação de empatia com os eleitores.
Chegar à população, captar a sua atenção e, acima de tudo, o seu voto, é a principal preocupação dos candidatos políticos. A campanha eleitoral é, por isso, a “pedra de toque” no estabelecimento dessa relação com o eleitorado. Por isso, e apesar de um candidato demorar mais tempo a ser fabricado do que a duração da campanha, é nela que todos os partidos apostam em força.
Nos Açores, as eleições de domingo ocorrem num cenário de contenção financeira. A maior parte dos partidos diminuiu o seu orçamento de campanha. Ainda assim, os 12 partidos que se apresentam a sufrágio gastaram, em conjunto, cerca de 2.083 mil euros. Imaginemos que estes partidos abdicavam da campanha e dividam o seu orçamento conjunto pelos 223.804 eleitores açorianos: cada eleitor ficava 9,31 euros mais rico. Durante duas semanas, a bica diária seria patrocinada pelo sistema partidário.
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