Está a decorrer esta manhã, no Tribunal da Horta, um julgamento que opõe quatro freiras da congregação Pai União das Escravas do Divino Coração de Jesus à Igreja Católica. Em causa estão as propriedades da congregação na ilha, que a Diocese reclama como suas. Estamos a falar, por exemplo, de um edifício na rua Conselheiro Medeiros, onde funciona actualmente a mini-creche do Lar das Criancinhas, e de um imóvel na zona da Volta, freguesia da Conceição, actualmente cedido à APADIF.
A acção judicial que opõe as freiras à Igreja está a decorrer em vários pontos do país, já que a congregação possui 17 imóveis, espalhados por Ourém, Leiria, Fátima, Coimbra e Açores, cujo valor poderá ascender aos 6 milhões de euros.
As quatro freiras, todas com mais de 80 anos, são as últimas representantes desta congregação. Em 2006, constituíram a Fundação do Divino Coração de Jesus, uma instituição particular de solidariedade social, para garantir que o património que a congregação foi acumulando ao longo dos anos permanece ao serviço das causas sociais a que se dedicaram. A Igreja Católica, no entanto, reclama os referidos bens, alegando que pretende zelar para que estes “sejam usados para as finalidades próprias, religiosas e caritativas, para as quais foram doados”, de acordo com um comunicado da Diocese de Leiria, divulgado em 2010 aquando da publicação de uma reportagem sobre este assunto no Semanário Sol.