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23
novembro

Cirurgião Amarelo, uma referência na educação para a cultura

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em Reportagem

Nas últimas décadas o mundo sofreu uma grande transformação. A evolução ao nível das tecnologias é inegável e alterou os padrões de comportamento das sociedades.

Neste mundo cada vez mais global estas alterações são visíveis sobretudo nas crianças, para quem as novas tecnologias, os computadores, a Internet, os telemóveis e as consolas abriram portas a oportunidades até então impensáveis.

As brincadeiras na rua foram substituídas pelos jogos nos computadores e consolas. Além disso, a globalização da informação fez com que as crianças de hoje se desenvolvam de maneira diferente. Tornou-os miúdos criativos, mais espertos e mais activos, difíceis de entreter.

Neste novo padrão de sociedade, a leitura foi deixada à margem, com os livros da Anita ou dos Cinco, referências da infância dos mais velhos, a serem excluídos do imaginário das crianças.

Em 2011 o Governo Regional decidiu seguir o exemplo nacional no que diz respeito à promoção da leitura, e implementar nos Açores o Plano Regional de Leitura, através de um protocolo de colaboração entre a Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura e a Comissão do Plano Nacional de Leitura, cujo principal objectivo passa pelo desenvolvimento de competências e práticas de leitura na Região, especialmente destinado aos alunos da educação básica.

O Plano Regional de Leitura desenvolve-se através de iniciativas que visam a criação de ambientes diversificados de estímulo à leitura e ao desenvolvimento sustentado de competências nos domínios da leitura e da escrita.

No Faial, tem sido pelas mãos de Rita Braga, gestora de projectos educativos e culturais e formadora de educação e formação de adultos, que este Plano se tem desenvolvido.

Rita iniciou o seu percurso profissional em 2003, colaborando desde então com várias instituições, como a Universidade do Minho, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação de Serralves, a Biblioteca Municipal de Ovar, o Observatório do Mar dos Açores, a Câmara Municipal das Lajes do Pico e o Museu Francisco Lacerda.

O gosto pela literatura, pela arte e pela cultura em geral foi-lhe incutido pelos pais através de viagens, de visitas a museus e bibliotecas e de idas a espectáculos. Sempre adorou ler, aprender e criar. Gosta de trabalhar com todos os públicos, mas confessa que as crianças são as meninas dos seus olhos, “porque são genuínas, exigentes e espontâneas”.

Do interesse pela transformação de mentalidades e pelo desenvolvimento de competências nasceu há três anos a marca Cirurgião Amarelo - Educação para a Cultura, a que, actualmente, se dedica de corpo e alma.

Tribuna das Ilhas foi ao encontro de Rita Braga no arranque do ateliê “Os Vizinhos”, projecto que decorre no ano lectivo 2012/2013, para saber mais sobre o Cirurgião Amarelo.

O Cirurgião Amarelo é “uma marca que actua nas áreas da educação e da cultura, dirigida à população infanto-juvenil e adulta”. “O nome Cirurgião Amarelo foi escolhido, porque ambas as palavras simbolizam actuação e construção e porque se definiu como objectivos gerais a transformação de mentalidades e o desenvolvimento de competências”, explica.

“No Cirurgião Amarelo concebemos e orientamos acções, oficinas e projectos que disponibilizam conteúdos e ferramentas de trabalho referentes às artes plásticas, ciência, literatura, música e audiovisual”, salientou.

Neste contexto, Rita procura “incentivar nos destinatários o pensamento, cultivar a curiosidade intelectual, fomentar a capacidade de atenção e concentração, incentivar a experimentação, promover a consciência cívica e valorizar a tolerância e o respeito pela diversidade civilizacional”. As acções do Cirurgião Amarelo “abrangem diversas temáticas interdisciplinares, que desafiam os participantes a explorarem as suas ideias, sentimentos, acções criativas e os convidam a divertirem-se”, reforça, salientando que nestas acções as crianças são “verdadeiros protagonistas” e não “meros espectadores”.

As acções do Cirurgião Amarelo podem ser seguidas na página do facebook que a gestora criou, em https://www.facebook.com /CirurgiaoAmarelo.Educacao Cultura.

No entender da gestora, a cultura é fundamental para o desenvolvimento das crianças e é com agrado que verifica que apesar de todos os constrangimentos financeiros que as sociedades actuais vivem, ainda existem instituições preocupadas em promover o gosto pela cultura. “Hoje, e apesar de vivermos num país com condições a nível financeiro adversas, continuam a existir instituições, profissionais que acreditam, que arriscam e apostam na educação e formação dos seus públicos, que decidem investir capital e trabalhar na criação e implementação de projectos educativos e culturais”, refere.

Na sua opinião, é bom ver que “essas instituições não se fecham sobre si mesmas, sabem que não basta ter as portas abertas, que é preciso quebrar barreiras e criar estratégias que possibilitem a inclusão da comunidade envolvente, a aproximação àqueles segmentos, que por origem social ou cultural, se auto-marginalizam”.

É com algumas destas instituições que o Cirurgião Amarelo colabora na implementação desta filosofia de intervenção. “Trabalhando em conjunto, criamos espaços abertos ao diálogo, contribuímos para o desenvolvimento de mentes despertas, activas e criadoras, promovemos o desenvolvimento humano. Acreditamos que juntos fazemos melhor”, refere Rita.

No Faial, para além da Direcção Regional da Educação e Formação, o Cirurgião Amarelo  colabora com o Museu da Horta e a Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, através da concepção e orientação de oficinas de Educação para a Cultura dirigidas ao público infanto-juvenil. Na sua opinião, “são instituições que desenvolvem iniciativas para cativar novos visitantes, promovem a conservação e a preservação do património cultural, incentivam o acesso de todos à informação e ao saber e promovem o sentido de pertença comunitário”.

Para a gestora, “estas instituições são também espaços de convivência social, que desenvolvem um importante trabalho na circulação de uma comunicação formativa ao serviço do público escolar, funcionando, assim, como complemento à escola, fomentando o desenvolvimento de um tempo livre de qualidade”.

De acordo com Rita Braga, “poder usufruir dos serviços prestados por estes equipamentos culturais, por estes espaços públicos atentos às necessidades da comunidade local e regional é magnífico. Muitas vezes não os valorizamos. Ainda hoje muitas pessoas consideram que os museus, as bibliotecas, os teatros internacionais são muito melhores que os nacionais. Desejam conhecê-los, visitam-nos e reconhecem-os. E às vezes, mesmo ali ao lado, presentes nos seus percursos diários, estão instituições de grande riqueza cultural, instituições portuguesas de grande qualidade, em que nunca entraram. É preciso pôr de parte essa resistência e entrar”.

 

Leia a reportagem completa na Edição impressa do Tribuna das Ilhas de 23 de Novembro de 2012



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