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04
janeiro

Ana Luísa Luís, presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores: “Encaro este desafio com um grande sentido de dever cívico”

Escrito por  Maria José Silva
Publicado em Entrevistas

Ana Luísa Luís nasceu a 28 de Janeiro de 1976, é casada e mãe de dois filhos. Licenciou-se em Economia, pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, passando então a ser responsável pela gestão financeira e de recursos humanos da empresa Padaria Popular, pertencente à sua família. Foi Presidente do Conselho de Administração da SPRHI, S.A. Já ocupou o cargo de vogal do Conselho de Administração da empresa municipal Hortaludus. É membro do Conselho Consultivo do Centro Comunitário do Divino Espírito Santo, IPSS com sede nos Flamengos e da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens da Horta. Foi directora da Câmara de Comércio e Indústria da Horta com responsabilidades na área de recursos humanos, área financeira e fundos comunitários. Nesse período, foi também diretora da Adeliaçor com responsabilidades na área financeira.

Em 2001 foi eleita à Assembleia Municipal da Horta, pelo PS, tendo desempenhado, de 2009 a 2012 funções de líder da bancada municipal.

É a presidente da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) e na sua primeira grande entrevista ao Tribuna das Ilhas fala de como será a nova legislatura e da atualidade regional.


Como se sente por ser a pessoa mais jovem de sempre a ocupar a presidência da ALRAA?

É um facto que me parece não será um obstáculo ao desempenho das minhas funções. Ser presidente da ALRAA requer, acima de tudo, muito trabalho, capacidade de implementar esse trabalho, alguma moderação e bom senso que não tem a ver com a idade mas com as características de cada um e que estou certa, a seu tempo, os meus pares farão essa avaliação. 

 

É também a primeira mulher a presidir à casa da autonomia. Que significado tem para si e o que representa no atual contexto político?

As mulheres de há uns anos a esta parte têm conseguido afirmar-se, não só na vida política, como em áreas sociais, educativas, económicas, entre outras. E isso tem a ver, não só com um contexto histórico de democracia mais aberta e disponível para encarar estes novos intérpretes, mas também porque a própria mulher tem percebido que é possível conciliar todos os papéis que lhe são atribuídos. 

 

Muitos foram aqueles que questionaram a sua experiencia para presidir ao mais alto cargo da Região Autónoma dos Açores. Sente essa responsabilidade? Acha que vai ter muitas dificuldades em desempenhar estas funções?

A responsabilidade existe sempre, tenha-se ou não experiência. Este é um cargo exigente e como tal de grande responsabilidade. Em relação à experiência, o exercício destas funções é uma constante aprendizagem e é esse o espírito em qualquer idade e em qualquer circunstância. 


Sente que o convite foi feito, como dizia a oposição, para dar um “rebuçado ao Faial”? 

O convite foi-me feito pelo Partido Socialista depois das eleições e tendo em conta a abrangência do cargo não o entendo com qualquer conotação específica.


Teve que pensar duas vezes antes de aceitar?

Não pensei muito porque acho que nestas ocasiões há que estar presente quando o nosso trabalho pode ser útil aos nossos concidadãos.  


Numa anterior entrevista ao Tribuna das Ilhas, ainda enquanto candidata, afirmou que aceitaria todos os desafios que lhe fossem propostos...

Claro que na altura não estava a contar receber um convite desta natureza mas encaro este desafio com um grande sentido de dever e com a mesma vontade de trabalhar com que estive em todas as minhas outras atividades profissionais, políticas e sociais.

Encaro a presidência como um trabalho em prol de todos os açorianos e em defesa de todas as ilhas. 


O que trará ao Faial uma presidente da ALRAA faialense?

Quando assumimos estas funções a nossa ilha está sempre presente, mas temos de ter igualmente presente o desenvolvimento dos Açores nas suas nove ilhas. Um desenvolvimento que se quer harmonioso, sustentado para bem das nossas famílias e das nossas empresas. 

 

A presidente da ALRAA não deixa de ser deputada. Como pensa cumprir as promessas que fez na campanha?

Em campanha assumimos compromissos com o objetivo de valorizar o Faial e melhorar o bem-estar das pessoas. Naturalmente, na qualidade de deputada, tudo farei para concretizar o projeto apresentado pelo partido socialista. Nos momentos próprios, estabeleceremos os contactos com as instituições, as pessoas e as empresas de modo a garantir uma execução sustentada do programa eleitoral.

 

Muito se tem falado das políticas que levaram Portugal a uma situação de quase falência, que mantém o país refém de um conjunto de medidas de austeridade que penalizam os portugueses e em particular os Açorianos, situação que contribui para descredibilização do papel dos políticos. Como pode colaborar o parlamento açoriano para travar esta escalada de austeridade e que mudança pensa patrocinar para minimizar esta descredibilização da classe politica?

A política somos todos nós e é aquilo que nos envolve. Precisamos viver uma maior abertura da Assembleia e dos deputados que a compõem ao cidadão. O trabalho parlamentar não se resume a uma semana de plenário. O plenário é a consequência de todo o trabalho parlamentar que é levado a cabo todos os dias.

O trabalho parlamentar e o da Assembleia no seu todo passa por uma aproximação do deputado às pessoas – o que, de resto, está previsto no projeto Parlamento Presente. Há trabalho a fazer neste ponto específico e temos de mostrar os seu resultados para que as pessoas o compreendam. Sendo esta a casa da Autonomia e sendo aqui debatidas, refletidas e aprovadas, as leis que regem a sociedade açoriana, e que consequentemente consolidam o nosso regime autonómico, importa criar mecanismos de proximidade. 

 

Fala-se muito da proximidade à sociedade civil. Acha que a população já se revê no trabalho da ALRA? Ou ainda desconhece o que é aqui feito?

Penso que há desconhecimento mas também distanciamento. Muitas vezes não é ultrapassado de parte e parte. É necessário estabelecer pontos de encontro e diálogo que possibilitem ao cidadão uma participação mais ativa naquilo que é o trabalho parlamentar, mas também mais conhecedor sobre o que é a Assembleia, o plenário e o trabalho dos deputados. Queremos, na presente legislatura, desenvolver um programa que corporize nove conceitos: solidariedade, cultura, proximidade, abertura, intergeracionalidade, participação, memória, inclusão, sustentabilidade. Estes conceitos são a génese do já referido Parlamento Presente e assentam na nossa história mas também num pensamento de proximidade criativa entre o cidadão e o primeiro Órgão de Autonomia. 

 

Está determinada a fazer mudanças na ALRAA? Ou encontrou uma casa “arrumada”?

Apesar de ter encontrado uma casa organizada é sempre importante sermos inconformados – porque a inconformidade leva à superação - e encontrar vias de entendimento para aumentar as exigências que temos connosco. Fazer uma gestão rigorosa e cada vez mais adequada aos tempos difíceis que atravessamos é uma meta que quero alcançar. Gostaria também, como já referi, de divulgar mais o trabalho da Assembleia e estar junto da população, dando uma maior abertura ao Parlamento nas suas vertentes físicas, culturais e históricas. 

 

Acha correcto certos documentos, como o Orçamento da Região, terem que ser submetidos primeiro a Lisboa e só depois na ALRAA? Não acha que isso pode hipotecar a nossa autonomia?

Apenas decorre do Memorando de Entendimento entre o Governo Regional e do Governo da Republica o dever de comunicação. Cabe e caberá sempre à Assembleia o poder de fiscalização do governo regional dos Açores. 

Esta autonomia é-nos conferida pelo Estatuto e pela Constituição da República e deve ser preservada em quaisquer circunstâncias como um direito histórico que temos e, no fundo, como uma forma mais próxima da gestão destas nove ilhas. 

 

Qual a sua opinião sobre a reforma autárquica que temos pela frente?

Como já referi, a defesa dos valores da nossa gente e da identidade de cada localidade é o primeiro compromisso que temos com as populações. Qualquer reforma que seja feita deverá ter em conta a opinião das pessoas e dos agentes locais, as questões culturais e tradicionais de cada ilha, no respeito integral da Constituição da República Portuguesa, do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores e dos princípios legalmente consagrados e não apenas critérios financeiros. 

Leia a entrevista completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 04.01.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário



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