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11
janeiro

Fernando Dutra Sousa, antigo telegrafista da ERNH: “Assistimos, sem dúvida, a um funeral”

Escrito por  Marla Pinheiro
Publicado em Reportagem
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Para quem, como Fernando Dutra Sousa, foi telegrafista na Radionaval da Horta (ERNH), numa época em que era palpável a projeção global que esta localização estratégica a meio do Atlântico dava à Marinha Portuguesa no que às comunicações diz respeito, a cerimónia de encerramento da passada segunda-feira foi um verdadeiro “funeral”.

Recordando a génese da sua ligação a ERNH, Fernando lembra as dificuldades de outros tempos, em que estudar era não uma obrigação de todas as crianças mas um privilégio de algumas: “a vida era muito difícil. Eu gostava de ter estudado enquanto criança mas não foi possível. Uma das hipóteses para continuar a estudar era a Marinha, que dava formação e nas horas vagas conseguia-se estudar. Fui para a Marinha com 19 anos, com essa preocupação. Lá, fui seleccionado para uma especialidade que tinha futuro telegrafista”, lembra. Fez o curso em Vila Franca de Xira, durante dois anos e meio, e, aos 26 anos, veio para a ERNH, com o intuito de juntar ao curso de telegrafista a conclusão da escolaridade e o curso de professor primário. 

Dos tempos de telegrafista, recorda a importância da ERNH para a Marinha: “era a mais eficaz em termos de comunicações com todo o globo, atendendo à nossa situação geográfica”, conta. Dessa altura, recorda a sensação de “dimensão, alargamento e conhecimento” que era possível ter no Faial, ilha de pequenas dimensões, mas que conseguia chegar a qualquer ponto do planeta através das comunicações. “Estávamos aqui e, ao mesmo tempo, estávamos no mundo inteiro; onde ouvíssemos um sinal de Morse, tínhamos obrigação de lá estar; de nos fazer ouvir”.

Fernando recorda também o impacto da ERNH na vida dos faialenses. A ERNH, com guarnições que, por esses anos, chegavam a ter 80 indivíduos, era uma alavanca na economia local pois, como recorda, nela estavam principalmente marinheiros graduados, que “ganhavam bem”.

O contributo da ERNH estendeu-se da economia para a vida cultural e social na ilha. Fernando lembra que os marinheiros se envolviam nas equipas desportivas e muitos ingressavam também as filarmónicas. A par disto, muitos casavam com raparigas do Faial e constituíam aqui família.

Recordando tudo isto, Fernando Dutra não consegue evitar sentimentos de desolação e frustração ao ver encerrar a Estação. Os argumentos para a sua deslocalização para São Miguel, relacionados com o imperativo tecnológico e com a contenção de custos, não convencem o antigo telegrafista: “com os emissores antes utilizados nós chegávamos sempre onde a potência do emissor chegava. Hoje, com as novas tecnologias, volta e meia elas caem e não se chega a lado nenhum, nem ao lado de fora da porta”, refere.

Leia a reportagem completa na edição impressa do Tribuna das Ilhas de 11.01.2013 ou subscreva a assinatura digital do seu semanário



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