Terminou ao início da tarde de ontem, na cidade da Horta, o XV Congresso do PS/Açores, que juntou 272 congressistas no Teatro Faialense e que contou com a presença do Secretário Geral do PS, António José Seguro.
Com as atenções centradas na defesa da Autonomia, da Lei de Finanças Regionais e no Poder Local, os militantes não esqueceram as próximas eleições autárquicas e o compromisso assumido pelo PS/Açores para com os açorianos nas últimas legislativas regionais.
O XV Congresso consagrou Vasco Cordeiro como o novo líder do partido, substituindo no cargo Carlos César, que deixa a liderança após 18 anos consecutivos, mas que não abandonou o PS até porque esta reunião magna serviu para elegê-lo como presidente honorário do partido.
O novo líder do PS encerrou os trabalhos, numa postura de indiferença quanto à situação interna do partido a nível nacional, com a possibilidade de eleições diretas antes das autárquicas e com a emergência de António Costa como figura alternativa à liderança de António José Seguro. Mantendo-se distante desta realidade, Cordeiro aproveitou a sessão de encerramento para anunciar várias medidas governativas a implementar para breve e que vêm ao encontro do compromisso assumido com os eleitores açorianos, com destaque para o aumento do Complemento de Pensão em cerca de 3% e a manutenção dos restantes apoios sociais, como forma de ajudar as famílias que estão em situação de maior fragilidade.
O governante comunicou ainda que vai enviar já na próxima semana ao primeiro-ministro e líderes dos grupos parlamentares, na Assembleia da República, uma proposta que visa atribuir o limite máximo do diferencial fiscal de 30% à Região Autónoma que gere melhor as suas contas públicas e mantém controlada a sua dívida. "Quem gere melhor deve ter direito a diferencial fiscal e quem gere pior não o deve ter", sublinhou
Outro dos anúncios que prendeu a atenção dos presentes diz respeito à Saúde, o "calcanhar de Aquiles" da governação socialista. Neste sector, o líder do PS/Açores e presidente do Governo Regional anunciou um reforço de 30 milhões de euros no Serviço Regional de Saúde, para manter a qualidade do serviço que presta aos açorianos, prometendo que vai continuar a “trabalhar para garantir a sua sustentabilidade financeira futura”. Neste sentido, aproveitou a ocasião para apelar aos parceiros sociais para que colaborem com o Governo, em reuniões a realizar já em fevereiro, na busca de soluções que permitam alcançar a "sustentabilidade" do setor da Saúde nas ilhas.
Apesar de assumir as dificuldades no sector, Cordeiro mostrou-se contra a ideia de que a Saúde deve passar para a responsabilidade do Governo da República: “os que votaram a favor do Orçamento de Estado são os mesmos que, perante todas as evidências de insensibilidade social do Governo da República que todos os dias são tornadas públicas, insistem em entregar a esse Governo a Saúde dos açorianos. Seria como colocar a raposa dentro do galinheiro”, afirmou.
Cordeiro não esqueceu também as próximas eleições autárquicas: “o objectivo do PS/Açores é claro: vencer em mais freguesias e em mais municípios do que as outras forças políticas”, frisou. Neste contexto, o líder dos socialistas açorianos endereçou uma palavra especial a José Contente, que já assumiu a sua candidatura à Câmara de Ponta Delgada. Com a reunião magna dos socialistas a decorrer na Horta, poderia esperar-se um anúncio do candidato rosa à Câmara faialense, numa altura em que os cenários mais prováveis são a recandidatura do atual presidente, João Castro, ou então de José Leonardo Silva, vice-presidente com uma posição de cada vez mais destaque no elenco camarário. No entanto, os socialistas açorianos optaram por não anunciar, para já, candidato à Câmara da Horta.
A atual situação económica e financeira do país também mereceu a preocupação de Cordeiro, que assumiu que 2013 “será um ano de dificuldades e de constrangimentos para todos, com reflexos no desemprego”, apontando o dedo às políticas de austeridade da República. “O Governo da coligação trata por igual e cegamente o que é diferente, sem se aperceber que, desta forma, faz parte do problema e não da solução para o país e para os Açores”, disse, lembrando que a Região “tem as suas contas públicas equilibradas e que não contribui para a gravosa situação orçamental do país”. Cordeiro acusou o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas de “teimosia política” e prometeu uma atitude combativa por parte do PS/Açores.
Já no que diz respeito ao Plano e Orçamento da Região para 2013, Cordeiro destacou a criação de emprego, reconhecendo que “não será uma tarefa fácil, mesmo a médio prazo, tendo em conta que o perfil do desemprego nos Açores revela o efeito perverso das políticas nacionais de austeridade e de recessão”.
O turismo e a educação também não foram esquecidos pelo líder dos socialistas açorianos. Segundo Cordeiro, o turismo é um “setor com grande margem de crescimento”, por isso é urgente “avançar com novas estratégias para a afirmação do destino Açores e para o incremento de receitas que garantam a sustentabilidade do setor”. Neste sentido, considera fundamental “avançar com o processo de redução das tarifas e de desenvolvimento de parcerias estratégicas para abertura de novas rotas em mercados em expansão, mantendo os níveis de eficiência da nossa transportadora aérea”.
Já no que diz respeito à educação, Vasco Cordeiro pretende consolidar o sistema educativo na Região.
Novos órgãos dirigentes PS/Açores
Este XV Congresso do PS/Açores serviu também para eleger a Comissão Política Regional e o novo Secretariado Regional. Os nomes propostos pelo presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, foram aprovados por unanimidade.
O elenco do novo Secretariado Regional dos socialistas açorianos, presidido por Vasco Cordeiro, é composto por Ana Luís, André Bradford, Bárbara Chaves, Berto Messias, Bruno Pacheco, Catarina Furtado, Cristina Calisto Decq Mota, Francisco César, Francisco Coelho, Graça Teixeira, Isabel Almeida Rodrigues, José Contente, José San-Bento, Lúcio Rodrigues, Luís Maciel, Miguel Costa, Ricardo Rodrigues, Roberto Monteiro, Rogério Sousa, Sara Brum e Sérgio Ávila.
A Comissão Política Regional do PS/Açores é presidida por Carlos César que foi eleito, no Congresso Regional, presidente honorário dos socialistas açorianos.