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08
março

“É importante mudar mentalidades para se chegar à igualdade entre homens e mulheres”

Escrito por  Mónica Pimentel
Publicado em Local

 

Hoje, dia 8 de março, assinala-se o Dia Internacional da Mulher. Este dia teve como origem as manifestações russas em que se procurava melhores condições de vida e trabalho. Mas a ideia de celebrar um dia da mulher já era ponto assente desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos da América e na Europa. Em 1975, as Nações Unidas começaram a assinalar o Dia Internacional da Mulher a 8 de março.

A violência doméstica é um dos problemas que mais tem afetado as mulheres ao longo dos tempos. Tribuna das Ilhas esteve à conversa com a UMAR (Associação para a Igualdade e Direitos das Mulheres) para perceber esta problemática na ilha.

Carla Mourão, psicóloga da UMAR/Faial explicou que este fenómeno atualmente já é mais falado: “a UMAR tem tido mais procura. As pessoas têm mais consciência  de que qualquer pessoa pode ajudar o que baixa um bocadinho o pano da vergonha e não têm tantos constrangimentos a nos virem procurar. Se calhar é a isto que se deve o aumento dos casos. Mas isto não significa que aumentou a violência doméstica, significa que as pessoas têm mais consciência”, salientou.

“As pessoas já demonstram um pouco de mais à vontade para expor a sua situação, apesar disso não acontecer logo no primeiro atendimento. É preciso perceber quem é aquela pessoa que está à nossa frente, qual é a história familiar dela e perceber como é que é a sua vida”, afirmou a psicóloga da UMAR/Faial, realçando que as pessoas, aos poucos, “vão-se libertando mais um bocadinho” e às vezes procuram a UMAR só para desabafar.

De acordo com Carla Mourão, um dos problemas da UMAR prende-se com o facto de haver casos em que a vítima não quer apresentar queixa. Nestes casos a equipa de técnicos da UMAR tenta que a vítima venha ao centro de atendimento, e mantém sempre o contacto com a pessoa, “por vezes é necessário telefonar ou fazer uma visita domiciliária”. 

A psicóloga da UMAR lamentou o facto de muitas das vezes os médicos não fazerem mais por esta problemática. “Eles seriam uma ferramenta e um apoio importante e por vezes resguardam-se no sigilo profissional”, disse, explicando que “dentro do sigilo profissional numa reunião com os técnicos pode-se fazer referência a alguns casos sem invadir a privacidade da pessoa”.

A Casa Abrigo

 

Uma das valências da UMAR/Faial é a Casa Abrigo. Esta casa tem capacidade para um total de 18 mulheres e crianças.

“Primeiro tentamos averiguar se a pessoa tem algum suporte familiar que possa ficar com a vítima. Se não houver esta possibilidade a Casa Abrigo tem sempre as portas abertas mediante alguns requisitos como a questão do álcool e a questão das substâncias psicoativas que à partida, excluem a pessoa”, explicou Carla Mourão.

A Casa Abrigo acolhe as vítimas no período de seis meses a um ano, o que de acordo com a psicóloga da UMAR “é o tempo ideal” para as vítimas organizarem a sua vida. “Após esse tempo, os progressos que as vítimas atingiram começam a cair”, salientou.

Durante a estadia na Casa Abrigo é construído um plano, para tentar reintegrar as vítimas no mercado de trabalho e na sociedade. Estas são informadas de cursos nas escolas profissionais, da Rede Valorizar e de concursos a empregos, todavia “são as mulheres que têm que correr atrás daquilo que querem, nós apenas damos as ferramentas”, frisou Carla Mourão.

Iniciativas da UMAR durante o ano

 

Durante todo o ano a UMAR promove diversas iniciativas, nomeadamente peças de teatro abordando a violência no namoro, destinadas sobretudo a alunos das escolas profissionais e secundária. Além disto são comemorados de diversas formas o Dia da Mãe, a Semana do Mar, Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres e o Dia Internacional dos Direitos Humanos e é feita formação nas escolas e na PSP.

A grande novidade este ano é a comemoração do Dia do Pai. Neste dia haverá uma ação de rua, onde será distribuído aos homens mensagens sobre a igualdade de géneros e da sua função enquanto pai.

Este ano, o Dia Internacional da Mulher vai ser comemorado com a realização de um colóquio “Cidadania Ativa como Prevenção da Violência Doméstica: um retrato da ilha do Faial”, organizado em parceria com a PSP da Horta. 

Esta iniciativa pretende transmitir a ideia de que cada cidadão “tem o poder de denunciar qualquer situação de violência doméstica”. Muitas das vezes fala-se na vítima e no agressor e o cidadão “é esquecido” e atualmente “tem uma ferramenta e um poder muito importante nas mãos”, adiantou a psicóloga da UMAR.

Carla Mourão explicou que “a UMAR não está sozinha”. É feito um trabalho em rede com a Ação Social e com a PSP da Horta, com o intuito de debater algumas situações e tentar arranjar soluções. Desta forma esta parceria proporciona “uma interligação e articulação de recursos”.

De acordo com a psicóloga, na sociedade faialense ainda existe mentalidades não muito corretas em relação à igualdade de géneros. Todavia é importante “desconstruir esses papéis e essas mentalidades” para se poder alcançar uma igualdade em todos os sentidos e não só no papel e em termos legais.


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