O LULA1000, submarino da fundação Rebikoff-Niggeler, efetuou no passado dia 17 de junho, na costa sul da ilha do Pico, o seu primeiro mergulho até aos mil metros de profundidade. Este mergulho permitiu a obtenção de um Certificado de Classificação.
A fundação Rebikoff-Niggeler surgiu no Faial em 1994, inspirada nos contributos dados por Ada e Dimitri Rebikoff, pioneiros no desenvolvimento da tecnologia subaquática.
A fundação Rebikoff-Niggeler com sede no Faial desde 1994 tem como missão principal a documentação do mar profundo dos Açores. Esta fundação é baseada na vida e obra de Ada e Dimitri Rebikoff.
Dimitri Rebikoff desenvolveu projetos importantes nesta área, nomeadamente, o primeiro flash electrónico portátil, a Torpilha, a primeira das “scooters submarinas” e foi o primogénito mundial dos ROV (veículo teleguiado).
Segundo Aurora Ribeiro os principais objetivos da fundação relacionam-se com a investigação no domínio marítimo, apoio técnico e consultadoria a organizações e instituições dedicadas ao estudo e à proteção dos oceanos. Desta forma, a Rebikoff-Niggeler dedica-se à “conceção e construção de equipamentos e veículos subaquáticos ou outros protótipos e recolha e divulgação de documentação fotográfica e cinematográfica submarinas”, explicou.
Submarino LULA1000 provou ser “seguro e fiável”
O submarino LULA1000 efetou no passado dia 17 de junho o seu primeiro mergulho até aos mil metros de profundidade. Este mergulho realizado na costa sul do Pico “foi o último pré-requisito para o veículo ficar certificado pela sociedade classificadora” que fez a inspeção técnica de todo o processo de construção, a Germanischer Lloyd (GL), salientou Aurora Ribeiro, lembrando que o principal objetivo do mergulho foi a “obtenção do Certificado de Classificação pela sociedade classificadora”.
De acordo com as informações disponibilizadas pela fundação Rebikoff-Niggeler, durante este mergulho todos os sistemas foram testados e “assegurou-se que funcionam bem nesta condição de profundidade máxima de operação. O LULA1000 neste mergulho provou ser um veículo extremamente seguro, fiável e ter excelente manobrabilidade em imersão”.
A tripulação do submarino conseguiu observar várias lulas de profundidade, de tamanho médio. Além disto, não sendo o objetivo principal desta iniciativa, foi possível avistar e registar “uma nuvem com vários metros de largura. De acordo com a observação dos tripulantes seria muito provavelmente a tinta de uma lula de grande dimensão que se encontraria muito perto do submersível. Se for comprovada como tal, é um fenómeno
nunca observado no mar dos Açores”, esclareceu Aurora Ribeiro, salientando que “o facto de uma observação dessas ter sido feito logo no primeiro mergulho a uma profundidade de 1000 metros, é prometedor no que diz respeito à hipótese de se conseguir documentar uma grande lula de profundidade no mar dos Açores pela primeira vez”.
O LULA1000 tem capacidade para três pessoas, tem 750 centímetros de comprimento, 165 de boca e 265 de altura e proporciona mergulhos com uma duração média de cinco horas. Este submarino possui, no interior, uma câmara de vídeo HD e uma câmara de vídeo HD em caixa estanque que possibilitam a “observação direta e única” de certas espécies. Para a gravação de áudio foram instalados dois hidrofones de alta qualidade na proa do submarino. Além disto, o submarino está dotado com uma sonda CTD, um motor eléctrico, um tubo de 80mm para a caixa de recolha de amostras que tem capacidade para 50 litros e um manípulo com capacidade para levantar 25 quilos.
Com este equipamento “o Faial e os Açores ficam dotados de equipamento de mergulho tripulado altamente potente”.
“Para uma Região como a nossa, rodeada de mar, é uma mais-valia ter este equipamento agora a funcionar em prol da investigação e da documentação do meio marinho”, concluiu Aurora Ribeiro.
O LULA1000 foi construído de acordo com as regras da sociedade classificadora e todo o processo de construção foi acompanhado pelo GL. O submersível é sujeito a vistorias anuais de segurança.
Iniciativas futuras da Rebikoff
Neste momento, esta fundação tem protocolos de cooperação celebrados com a Secretaria Regional dos Recursos Naturais e com o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores. Estes protocolos têm como objetivo a utilização do submarino para trabalhos de estudo de espécies de profundidade.
Um dos projetos da Rebikoff-Niggeler para desenvolver no futuro passa por continuar o projeto de documentar grandes lulas de profundidade.