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23
agosto

Magda Costa Carvalho defende importância das sessões de Filosofia para Crianças

Escrito por  Mónica Pimentel
Publicado em Entrevistas

Magda Costa Carvalho é professora auxiliar no departamento de História, Filosofia e Ciência Sociais da Universidade dos Açores e é uma das responsáveis pela formação de Filosofia para Crianças que decorrerá na Horta de 4 a 9 de setembro.

A docente explicou ao Tribuna das Ilhas como surgiu a ideia de criar sessões com as crianças, qual a sua importância e os principais objetivos.

 

Quais são os principais objetivos desta formação?

Esta formação, que está certificada pela Secretaria Regional da Educação, Ciência e Cultura, com  crédito para efeitos de progressão na carreira docente, insere-se num projeto de Filosofia para crianças que a Universidade dos Açores (Uaç) tem desde 2006, através do seu Centro de Estudos Filosóficos (CEF). Nesse ano, submetemos à Direção Regional da Ciência e Tecnologia um projeto que foi financiado pelo Governo dos Açores durante três anos, de 2006 a 2009. 

A Uaç foi pioneira, porque foi a primeira universidade portuguesa a ter um projeto, financiado com fundos públicos, em Filosofia para Crianças. A Filosofia para Crianças está muito desenvolvida no mundo inteiro, mas em Portugal ainda é entendida como uma novidade. 

A Direção Regional da Educação permitiu-nos trabalhar em cinco escolas, uma em cada uma das ilhas (Flores, Faial, Graciosa, S. Miguel e Sta Maria), para durante um ano letivo desenvolvermos estas sessões com as crianças. Quando terminaram estes três anos, recebemos um convite do Colégio do Castanheiro, em Ponta Delgada, cuja administração queria que as suas crianças tivessem filosofia no seu currículo, e naturalmente o projeto teve continuidade. Passámos a ter sessões com estas crianças e começamos a receber solicitações de outras escolas, a que infelizmente não conseguimos dar resposta porque somos apenas três investigadoras do CEF a trabalhar nesta área. 

Temos tido uma atividade internacional, viajamos e temos uma rede de contactos em vários países, para percebermos o que é que se faz a nível de Filosofia para Crianças no mundo inteiro. A nível nacional, somos consultoras da Fundação para a Ciência e Tecnologia num projeto em Filosofia para Crianças (da responsabilidade da Universidade de Lisboa).

Esta formação que decorrerá em setembro na Horta insere-se num conjunto de três formações que nós promovemos este ano letivo, uma em Ponta Delgada, outra em Angra do Heroísmo e esta na Horta. Mas já há vários anos que oferecemos outras ações de divulgação em Filosofia para Crianças: ao longo destes anos, já formámos mais de 80  docentes. 

Com as formações que agora oferecemos, pretendemos iniciar uma nova fase do nosso projeto: alargar a nossa equipa de trabalho. Queremos trabalhar com docentes do ensino básico, segundo ciclo e educadores de infância, professores que trabalhem com crianças e adolescentes e que queiram integrar o Núcleo de Estudos em Filosofia para Crianças, que está a ser constituído no CEF. Precisamos de dar a conhecer o que é a Filosofia para Crianças, qual é a sua metodologia de trabalho e salientar que é uma proposta educativa diferente. Esta formação visa, então, promover a constituição de uma equipa de trabalho em várias ilhas e escolas da Região. Para este fim, a UAc terá ainda a funcionar no próximo ano uma pós-graduação em Filosofia para Crianças, que tem por objetivo preparar de uma forma mais orientada e específica as pessoas para começarem a praticar a Filosofia para Crianças.

 

Relativamente às inscrições, já têm muitas?

Tivemos que fazer um período de pré-inscrições para ver se teríamos um número  de interessados que justificasse deslocar cá os formadores e até ao momento já temos mais de 20. O nosso número limite é  25 elementos.

Esta formação tem uma especificidade: vamos trabalhar interdisciplinarmente com outras áreas, teremos uma parte específica sobre Filosofia para Crianças (da minha responsabilidade e da Prof.ª Gabriela Castro), uma sobre Literatura para a Infância com a Prof.ª Madalena Teixeira da Silva e um módulo de Expressões Artísticas, com o Prof. Adolfo Fialho. A formação tem cinco módulos e dirige-se a todos os que desenvolvam trabalho com crianças.

Estas formações têm sido compostas por professores de diferentes graus de ensino, pessoas da área da biologia, história, filosofia, entre outros. Isto significa que são pessoas com diferentes perspetivas sobre a criança, o que se tem tornado muito enriquecedor.

Cobramos uma taxa de inscrição com o valor de 10 euros e uma propina de 50 euros para não estudantes e 40 euros para estudantes, que ajudará nas despesas de deslocação dos formadores. Estes valores são apenas para garantir a logística da ação, para a qual contámos ainda com um apoio da SATA.

Este tipo de formação tem acontecido sempre em Ponta Delgada, mas nesta fase temos todo o interesse em alargar a outras ilhas. Os Açores já são conhecidos, nacional e internacionalmente, como tendo uma atividade relevante na área da Filosofia para Crianças e não nos interessa que a nossa atividade se circunscreva apenas a Ponta Delgada. 

 

Leia a entrevista completa na nossa edição impressa.

 

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