Hoje, dia 23 de agosto, assinala-se o 120.º aniversário da amarração do primeiro cabo submarino na Horta, na praia da Conceição, pelo navio inglês “Seine”. Esse momento marcou o início de uma era dourada para a ilha do Faial, que se tornou no centro do mundo das comunicações.
Para celebrar a efeméride, o Grupo de Amigos da Horta dos Cabos Submarinos preparou um programa com vários eventos ao longo de todo o dia. Destaque para os que decorrem esta manhã, a partir das 10h00, no Terminal Marítimo de Passageiros, onde será apresentado o projeto de um memorial que pretende assinalar, na Praia da Conceição, o local onde foi amarrado o primeiro cabo submarino. Este projeto é da responsabilidade do Grupo de Amigos, que está também a angariar fundos para o poder concretizar.
Na ocasião, serão também lançados pelos CTT um postal, um selo e um carimbo, comemorativos desta efeméride. Esta cerimónia será presidida pelo secretário regional do Turismo e Transportes, Vítor Fraga.
Pensar a musealização da Horta dos Cabos Submarinos
A celebração desta efeméride decorre numa altura em que o Faial assiste a uma intensa mobilização em torno da preservação do património dos cabos submarinos. Por isso, o Grupo de Amigos da Horta dos Cabos Submarinos organizou um colóquio, a decorrer na Biblioteca Pública da Horta, a partir das 15h00, onde serão analisados os esforços desenvolvidos para dotar o Faial de um Museu do Cabo Submarino.
Neste colóquio será lançada a obra Valor universal do Património Local, que reúne as intervenções e conclusões do colóquio realizado há um ano, altura em que o Governo Regional anunciou a cedência da Trinity House, na rua Cônsul Dabney e onde atualmente funciona a Escola Básica Integrada da Horta, para acolher o futuro Museu. Recorde-se que era na Trinity House que funcionava o “operating room”, sala para onde convergiam todos os cabos submarinos na Horta.
Neste colóquio serão também debatidos temas como o Património Tecnológico que tem vindo a ser recuperado pelos antigos cabografistas, as perspectivas para a Trinity House como sítio histórico e os novos horizontes para o património do cabo submarino. São esperadas intervenções dos ex cabografistas Carlos Silveira, John Ross e José Silveira, numa sessão que será presidida pelo diretor regional da Cultura, Nuno Lopes. Numa altura em que a utilização da Trinity House como Museu do Cabo Submarino é já uma certeza, espera-se que deste colóquio surjam soluções para o melhor aproveitamento museológico daquele espaço. Certa é, para já, a vontade dos antigos cabografistas, catalisadores deste projeto, de criar algo que fuja ao conceito tradicional de museu, e seja ao invés disso um espaço interativo.
Mais tarde haverá um jantar comemorativo, como já é habitual, no Hotel Fayal, no qual serão homenageados antigos cabografistas.
Museu da Horta vai ter exposição permanente sobre património do Cabo Submarino
Desde que se iniciou este movimento pela preservação e divulgação do património da Horta dos Cabos Submarinos que muito foi feito, graças ao esforço e dedicação dos antigos cabografistas e de outros cidadãos sensibilizados para a importância deste período histórico para a ilha do Faial. De entre o trabalho já realizado, destaque para a inventariação e recuperação do património tecnológico histórico de telegrafia submarina, que tem vindo a ser feita pelos antigos cabografistas, e para o esforço encetado no sentido de criar condições para que um futuro Museu do Cabo Submarino fique alojado na “Trinity House”, edifício emblemático e também ele parte integrante do património dos cabos.
Enquanto o Museu não é uma realidade, no entanto, o património dos cabos submarinos não vai continuar escondido, uma vez que o Governo dos Açores já se comprometeu a montar no Museu da Horta uma exposição permanente sobre esta temática. Esta não é, no entanto, uma solução final, como lembra o Grupo de Amigos da Horta dos Cabos Submarinos, uma vez que o património que existe no Faial merece um espaço inteiramente a ele dedicado.